📅 Publicado em 27/02/2026 20h54
Na tarde desta sexta-feira (27), durante a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, à Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), servidores técnico-administrativos da instituição realizaram uma mobilização para cobrar o cumprimento de um acordo firmado após a greve de 2024 e reivindicar melhores condições de trabalho e orçamento. O ato ocorreu em meio a uma nova paralisação da categoria, deflagrada no dia 23, conforme informou o coordenador da seção sindical, Igor Vinícius de Oliveira.
Engenheiro agrônomo e servidor da Faculdade de Ciências Agrárias de Marabá, Igor explica que a mobilização busca o diálogo com o governo federal, sem deixar de reconhecer a importância da agenda ministerial. “Entendemos que é uma visita importante. Ele está trazendo assuntos relevantes para a universidade, como o curso de Medicina, e estamos sempre dispostos a receber e trabalhar em conjunto”, declarou.
Ao mesmo tempo, o coordenador reforça que os técnicos-administrativos são responsáveis pela manutenção dos serviços essenciais da universidade e pelo atendimento direto aos estudantes, incluindo alunos em situação de vulnerabilidade, indígenas e quilombolas.
Leia mais:A categoria cobra o cumprimento de pontos previstos no acordo firmado após a greve de 2024. Segundo Igor, já se passaram 610 dias desde a assinatura do documento e 430 dias além do prazo de 180 dias estabelecido para a implementação das medidas. “Houve um acordo, e nós encerramos a greve. Esse acordo estabelecia um prazo máximo de 180 dias para a conclusão de vários itens, mas, até hoje, isso não foi finalizado.”
Entre as pendências estão o processo de Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e a implementação da jornada de 30 horas semanais. De acordo com ele, a jornada reduzida permitiria um atendimento ininterrupto de 12 horas aos estudantes, inclusive no horário de almoço e no período noturno.
“Quando o documento [do RSC] foi publicado, ele veio alterado. O reconhecimento trouxe restrições que não estavam no acordo e limitou muito o que foi negociado”, afirma. Sobre as 30 horas, ele acrescenta: “A discussão ainda é muito incipiente, e há indicativos de uma negativa por parte do governo”.
Diante do impasse, os técnicos-administrativos decidiram retomar a paralisação. “Nossa greve foi deflagrada no dia 23. Desde então, estamos paralisados para forçar a negociação. Este ato também faz parte das atividades de greve”, explica.
Segundo Igor, todos os campi da universidade aderiram ao movimento, incluindo as unidades fora da sede. A mobilização é organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes).
Além das pautas específicas da categoria, o movimento também levanta preocupações sobre o orçamento das universidades federais. De acordo com o coordenador, nos últimos dez anos, houve um corte médio de R$ 10 bilhões no orçamento das instituições federais de ensino superior. “O orçamento chega a conta-gotas, o que não permite uma gestão eficiente e um planejamento adequado. Nem todos os gastos são mensais e no mesmo quantitativo, especialmente para pesquisa, projetos de ensino e permanência estudantil.”
Para os servidores, a mobilização busca manter o diálogo aberto, mas também pressionar o governo para que cumpra os compromissos assumidos.
