Correio de Carajás

Após obra, rachadura entre o Km 6 e ferrovia volta a aparecer

DNIT suspeita que a vibração constante dos trens possa estar contribuindo para o surgimento das rachaduras na BR-230

Imagem mostra que nova ação provisória foi tomada enquanto novas soluções para o antigo problema estão sendo analisadas/ Fotos: Evangelista Rocha
Por: Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 08/01/2026 16h04

De novo?! A interjeição resume bem o que motoristas enfrentam no trecho da BR-230, que liga a Nova Marabá ao Bairro Cidade Jardim e de lá para vários municípios da região e até outros estados. Nesta segunda-feira (5), a equipe do Correio de Carajás foi informada de que a via voltou a apresentar rachaduras visíveis, o que levou o DNIT a colocar sinalizadores para alertar os condutores sobre o recalque no aterro.

O que chamou atenção foi a tentativa improvisada de conter o avanço da fissura, que pode evoluir para a reabertura da cratera: uma espécie de piche ou cola asfáltica foi aplicada de forma provisória sobre a falha. Cones também foram colocados para desviar o trânsito, mas muitos motoristas ignoraram a sinalização e seguiram trafegando normalmente pelo trecho comprometido, derrubando os cones.

O Correio de Carajás entrou em contato com o responsável pela Superintendência Regional do DNIT em Marabá, Jairo Rabelo, para esclarecer a situação, entender as causas do novo problema, o posicionamento do órgão sobre os fatores que levaram à reincidência da falha.

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Em resposta, Jairo afirma que o departamento está fazendo novos estudos e disse que há suspeita de que a passagem permanente de trens carregados de minério a poucos metros dali proximidades cause vibrações que possam estar interferindo no comprometimento do trecho, mas que novos estudos irão ser feitos para uma conclusão mais exata.

O gerente também revelou que o contrato com a empresa responsável pela obra ainda está em vigência e os serviços serão finalizados em breve, com uso de material rochoso na estrutura.

Cones foram colocados no local pelo Dnit, mas alguns motoristas não estão respeitando

Desde 2018

O problema, no entanto, está longe de ser novidade. Desde 2018, motoristas de Marabá e quem precisa cruzar esse trecho da rodovia convivem com a ameaça constante de acidentes. O Correio de Carajás acompanha o caso desde o início.

Em abril daquele ano, após fortes chuvas, o solo cedeu e abriu uma cratera no local. À época, o responsável pela Superintendência Regional do DNIT em Marabá, Jairo Rabelo, informou que se tratava de “um recalque em função das chuvas” e que a intervenção necessária estava sendo realizada. Mesmo assim, foi preciso fazer uma “gambiarra” na pista para evitar acidentes.

Um ano depois, o cenário seguia preocupante. A cratera aberta nas margens da Rodovia Transamazônica continuava representando risco diário para motoristas e passageiros.

O ponto havia cedido em abril de 2018, justamente quando o DNIT realizava manutenção nas proximidades da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), novamente em função das chuvas. Desde então, apesar da sinalização, a cratera estreitou perigosamente a via de mão dupla. A faixa que divide as pistas chegou a ser pintada fazendo uma curva, acompanhando o buraco, numa tentativa de minimizar o problema.

Meses depois, o DNIT anunciou o início de uma nova recuperação. Os trabalhos começaram no dia 16, conforme confirmado por Jairo Rabelo, que explicou que o material em erosão seria retirado e substituído, seguido de compactação, implantação de sistema de drenagem com valetas de proteção e hidrossemeadura para reforçar o terreno contra novas erosões.

Anos passam, o problema fica

Mas em 2022, a cratera voltou a ser símbolo de revolta. O buraco, que já havia passado por diversas “recuperações”, seguia sem solução definitiva. Para quem trafegava diariamente pelo trecho, a sensação era de abandono.

Na prática, o DNIT optou por alargar o lado oposto da pista, criando um desvio permanente, com pintura em curva para indicar a presença da cratera. A intervenção deu a impressão de que o problema havia sido incorporado à paisagem da Transamazônica.

Procurado novamente, Jairo Rabelo, sempre disponível para falar com a Imprensa, afirmou à reportagem que o desvio era provisório. Segundo ele, a falta de recursos financeiros havia impedido a execução da obra definitiva. “Estamos buscando uma rubrica extra para executar”, disse na época.