📅 Publicado em 14/04/2026 18h15✏️ Atualizado em 14/04/2026 18h17
Após uma lancha colidir com a fiação e o Correio de Carajás noticiar os riscos aos navegantes, a Defesa Civil de Marabá interveio de forma definitiva contra a armadilha de cabos de fibra óptica no Rio Itacaiunas. Foi no dia 11, semanas após a primeira denúncia deste Portal, que o órgão municipal realizou uma operação conjunta com o Corpo de Bombeiros para cortar e elevar a rede rebaixada que ameaçava a rotina de pescadores próximo à ponte da BR-230 (Transamazônica).
Mas antes da resolutiva, a falta de urgência na ação do poder público quase causou uma tragédia. No dia 8 de abril, o piloto de uma lancha sofreu cortes e sangramentos após a embarcação enroscar nos cabos instalados perto da ponte. O trecho é rota diária de pescadores, ribeirinhos e praticantes de recreação náutica.
Conforme divulgado pela Defesa Civil, após a colisão, a Capitania dos Portos da Amazônia Oriental publicou uma portaria no dia 10 de abril, interditando o tráfego fluvial na área afetada. A restrição da Marinha durou até que o município resolvesse definitivamente o problema deixado por prestadoras de serviço de internet e telefonia.
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Antes disso, ainda no dia 2 de março, a Reportagem do CORREIO esteve no local e denunciou que os fios de fibra óptica avançavam cerca de 30 metros para dentro do leito do rio. Com a cheia característica do inverno amazônico, a estrutura formou uma barreira invisível extremamente perigosa.
Um dia após o acidente que feriu o piloto da lancha, o CORREIO voltou ao trecho e constatou que a negligência das empresas e do município persistia. Pelo menos três cabos continuavam tocando a água. Trabalhadores da Claro estiveram no local durante a tarde, mas apenas para religar os fios rompidos pela embarcação, sem corrigir a altura da rede.
Informações da Defesa Civil também relatam que, no próprio dia 2 de março, as equipes do município vistoriaram a área e atestaram a gravidade do cenário. Na sequência, conforme alegado, 12 provedores de internet e empresas de telecomunicações foram notificados por meio de circular oficial. O documento pedia que eles realizassem inspeções e adequações emergenciais em suas redes.
Apenas duas empresas de internet atenderam à notificação inicial no dia 5 de março para retirar cabeamentos inoperantes, enquanto outras alegaram não possuir estruturas no local. Como o risco persistiu e culminou no acidente de abril, a Prefeitura de Marabá e o Corpo de Bombeiros assumiram a responsabilidade de desobstruir a via, cortando os fios inativos e erguendo os demais para garantir a segurança da navegação.
Mesmo com a retirada das armadilhas, a navegação no trecho exige cautela. A Defesa Civil orienta os navegantes a redobrarem a atenção e a evitarem o tráfego noturno sem os equipamentos de iluminação adequados. A região do Itacaiúnas seguirá sob monitoramento constante do poder público, e a comunidade deve acionar os canais oficiais do órgão caso identifique novos perigos ou enfrente emergências no rio.

