Correio de Carajás

Aos 66 anos, Marabá perde o artista plástico Antônio Morbach

Sobrenome Morbach está ligado à arte plástica desde Augusto Morbach, um dos nomes mais consagrados do nanquim no início do século passado

Morbach transitou entre o nanquim com temática regional ao óleo sobre tela e outras variações artísticas
✏️ Atualizado em 09/01/2026 09h30

O cenário cultural da cidade amanheceu em luto nesta quinta-feira com a confirmação do falecimento do artista plástico Antônio Morbach Neto, de 66 anos de idade, ocorrido na manhã de hoje, quinta-feira (8) em sua residência, na Agrópolis do Incra. Morbach fora vítima de um infarto fulminante, vindo a óbito antes de receber atendimento médico.

Figura respeitada no universo das artes visuais no sudeste do Pará, Morbach Neto era membro de uma família tradicional nas artes plásticas. Seu avô, Augusto Morbach, é considerado o pai da técnica nanquim na Amazônia, enquanto seu tio, Pedro, também teve destaque nacional com essa arte.

Antônio enfrentava nos últimos anos uma série de desafios de saúde, após ter se recuperado de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há cerca de dois anos, do qual ainda carregava algumas sequelas.

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Além da sua profunda ligação com as artes plásticas, o artista também atuou como servidor no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), função que ocupou durante grande parte de sua trajetória profissional.

No campo artístico, Morbach Neto foi reconhecido por seu projeto “Nanquim Digital”, iniciado em 2013. A iniciativa buscava resgatar e atualizar a tradição do nanquim por meio de criações digitais feitas em dispositivos móveis. Suas obras contemplavam tanto a tradição familiar inspirada nos antecessores Pedro e Augusto Morbach, quanto inovações que ampliaram o alcance da arte em diversos suportes.

Em 2019, Morbach teve seu talento consagrado ao ser premiado com o Ver-a-Cidade, concedido pela Galeria de Artes Vitória Barros no bairro Novo Horizonte, com destaque para as fotografias “Luta pelo espaço” e “Rainha”.

Natural de uma família com forte tradição artística, Morbach Neto deixa um legado importante para a cena cultural local. Seus parentes atuaram como pioneiros na difusão do nanquim amazônico, com obras que marcaram a história das artes visuais em Marabá e região.

Sua trajetória pessoal foi manchada em 2015, quando ele foi um dos presos na operação “Terra Legítima”, cumpriu 10 mandados de prisão, três de condução coercitiva e 13 de busca e apreensão, sob suspeita de sua atuação no Incra local, onde trabalhava. Na ocasião, ele estava de férias na cidade de Natal-RN.

Depois de enfrentar um divórcio nos últimos anos, ele passou a dedicar-se ao setor imobiliário como corretor, inclusive construído casas em condomínio de luxo para vender.