📅 Publicado em 09/04/2026 08h23✏️ Atualizado em 09/04/2026 09h37
A comunidade acadêmica da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), campus de Parauapebas, vive um cenário de insatisfação e preocupação. Desde o início de 2026, estudantes têm recorrido às redes sociais e à imprensa para expor o que classificam como um estado de abandono da instituição. As denúncias apontam que a escassez de repasses federais e a falta de atenção da Reitoria, sediada em Belém, estão comprometendo severamente a qualidade do ensino e colocando em risco a segurança de alunos, professores e servidores.
Sendo uma instituição pública federal, a manutenção da UFRA depende diretamente das verbas destinadas pelo Ministério da Educação (MEC). Contudo, os universitários de Parauapebas argumentam que esses recursos não têm chegado de maneira adequada à unidade local, resultando em uma degradação visível e perigosa da estrutura física do campus.
Problemas estruturais
Leia mais:As reclamações sobre a infraestrutura do prédio são extensas e envolvem desde questões básicas de acessibilidade até a segurança física dos frequentadores. O estudante de Enfermagem Arthur Dantas, de 19 anos, relatou que o elevador do edifício encontra-se permanentemente em manutenção. Essa inoperância inviabiliza o acesso de pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida aos andares superiores, ferindo o direito básico à acessibilidade.
A situação de risco se estende à fachada do prédio. Segundo os relatos, foi necessária a remoção emergencial de lajotas da parte externa da edificação para evitar que as peças despencassem sobre os alunos que transitam pelo local. Além disso, problemas básicos de saneamento e conforto são rotina, como o mau funcionamento dos bebedouros da instituição, que não fornecem água potável de forma adequada.
O impacto no ensino é direto e alarmante. O curso de Enfermagem, área que exige intensa preparação prática, enfrenta um déficit acadêmico severo. Os alunos denunciam a inexistência de laboratórios próprios para o curso, além da insuficiência no quadro de professores e a falta de salas de aula adequadas às necessidades específicas da formação em saúde.

Transporte sucateado
A precariedade não se restringe aos muros do campus. O transporte escolar utilizado pelos universitários para deslocamento urbano e, principalmente, para as aulas práticas, é outro ponto crítico. Raquel da Silva Rocha, aluna do curso de Zootecnia, descreveu a situação do ônibus disponibilizado aos estudantes como “sucateada”.
A insegurança durante os trajetos é uma constante, uma vez que o veículo não dispõe de cintos de segurança para os passageiros. O conforto também é inexistente: com o sistema de ar-condicionado inoperante, os alunos são obrigados a viajar com as janelas abertas, enfrentando o calor intenso característico da região de Carajás.
A mobilidade acadêmica é frequentemente interrompida por problemas logísticos e mecânicos. Os estudantes relatam que, por diversas vezes, aulas práticas essenciais para a formação profissional precisaram ser canceladas devido à falta de combustível, à ausência de motorista ou a quebras mecânicas no ônibus.
Raquel destaca um ponto que gera ainda mais indignação entre os discentes: a percepção de que outras unidades da UFRA contam com frotas modernas e bem cuidadas, o que, segundo ela, acentua a sensação de descaso específico com o campus de Parauapebas.
Mobilização e cobrança
Diante do quadro de precariedade, os universitários decidiram se mobilizar. Protestos foram organizados no campus, marcados por faixas que estampavam a frase: “Estrutura digna é direito, não privilégio”. O movimento estudantil critica abertamente o que consideram uma disparidade injustificável entre os investimentos direcionados à sede da Reitoria, na capital paraense, e os recursos destinados aos campi do interior do estado.
“Parauapebas é um dos campos que mais produz intelectualmente para a UFRA, com reconhecimentos e produção de material científico, mas somos esquecidos pela reitoria de Belém”, desabafou o estudante Arthur Dantas, resumindo o sentimento de frustração de grande parte da comunidade acadêmica local.
O espaço permanece aberto para que a Reitoria da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e o Ministério da Educação (MEC) apresentem seus posicionamentos oficiais sobre as denúncias e informem quais providências serão tomadas para sanar as graves irregularidades apontadas pelos estudantes de Parauapebas. (Com informações de Pebinha de Açúcar)

