Correio de Carajás

Adolescente de Marabá esquartejava e queimava gatos em live via redes sociais

A Polícia já ouviu o adolescente, morador do bairro São Félix, que confessou ter matado ao menos três gatos

As imagens da seção de tortura aos gatos, pelo menos 3, circulam na internet: chocante
✏️ Atualizado em 23/06/2026 09h47

Um caso chocante de crueldade contra animais tem mobilizado as autoridades e gerado comoção nas redes sociais nos últimos dias. Um adolescente de 15 anos confessou à Polícia Civil de Marabá, a autoria de torturas e mortes de gatos, crimes que, segundo denúncias, eram transmitidos ao vivo em plataformas como Telegram e Discord. O caso também expõe os perigos da justiça com as próprias mãos no ambiente virtual, após um outro adolescente ser falsamente apontado como o autor dos crimes e passar a sofrer ameaças.

As investigações estão sendo conduzidas pela Unidade Integrada de Segurança Pública (Uisp) de São Félix, sob o comando do delegado Walter Ruiz Bogaz Neto. De acordo com as informações apuradas, o adolescente infrator, que utilizava o pseudônimo “Dylan” na internet, admitiu ter cometido os atos de violência.

Segundo os relatos que circularam nas redes e que motivaram o início das apurações, o jovem esquartejava, queimava e quebrava o pescoço dos animais – detalhe, este último, que ele próprio confirmou em depoimento, admitindo o uso de uma faca. O delegado confirmou que há materialidade das infrações ocorridas há cerca de dois meses, além de outros episódios anteriores, totalizando três atos confessados pelo menor.

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O adolescente foi ouvido na delegacia acompanhado de sua mãe e, por não haver flagrante – visto que os crimes ocorreram há pelo menos dois meses –, foi liberado em seguida. A Polícia Civil informou que protocolará uma representação junto ao Juizado da Infância e da Juventude pedindo a busca e apreensão do menor, mas a decisão dependerá do Poder Judiciário.

Perfil preocupante

As autoridades revelaram detalhes perturbadores sobre o perfil do adolescente. Segundo o delegado Walter Ruiz Bogaz Neto, o jovem apresenta um comportamento considerado “muito estranho” e tem práticas que fazem alusão a extermínios. O nome social que ele utilizava nas redes sociais, por exemplo, faz referência a autores de massacres em escolas no exterior.

Inocente é ameaçado

Em paralelo à gravidade dos maus-tratos, o caso ganhou um contorno dramático devido à disseminação de informações falsas. Um outro adolescente, de prenome Yerik, teve seu nome e foto divulgados nas redes sociais como sendo o autor dos crimes contra os gatos.

A Polícia Civil descarta totalmente qualquer envolvimento de Yerik no caso. A delegada Simone Felinto, chefe da Seccional de Polícia Civil, explicou que a família de Yerik precisou registrar um boletim de ocorrência após passar a receber ameaças. “O pessoal puxou os dados da família dele, do Yerik, estão entrando em contato, ameaçando, fazendo o maior escândalo com a família”, alertou a delegada.

As autoridades policiais enfatizam a importância de a população aguardar as investigações oficiais e não realizarem julgamentos precipitados na internet. Espalhar boatos e expor imagens sem confirmação pode colocar em risco a integridade física e psicológica de pessoas inocentes, como ocorreu.

Enquadramento legal

Apesar de ser menor de idade e estar sujeito às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a conduta do jovem que realmente cometeu os crimes se enquadra nas sanções da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98).

O delegado Walter Ruiz destacou o Artigo 32 da lei, que trata da prática de abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilação de animais. Quando o crime envolve cães ou gatos, a pena prevista é de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. Como houve a morte dos animais, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço. No caso do adolescente, essas diretrizes servem de base para a aplicação da medida socioeducativa correspondente pela Justiça da Infância e da Juventude.