📅 Publicado em 23/06/2026 20h25✏️ Atualizado em 26/06/2026 08h40
A Polícia Civil do Estado do Pará deflagrou, nesta tarde de terça-feira (23), a operação denominada “Ultimato”, que resultou no cumprimento bem-sucedido de mandado judicial de busca, apreensão e internação do adolescente de 15 anos acusado de praticar maus-tratos e morte de gatos. A ação foi executada pela Unidade Integrada de Polícia de São Félix (UISP São Félix) e contou com o apoio da Seccional Urbana de Polícia Civil de Marabá.
O adolescente foi apreendido às 16h30, após investigações que revelaram a transmissão ao vivo dos crimes em plataformas digitais, com fins de monetização. De acordo com as investigações, ele confessou ter matado três gatos, utilizando métodos brutais que incluíram quebra de pescoço com faca e esquartejamento dos animais.
Crimes transmitidos
As investigações indicam que os crimes eram praticados e transmitidos em um grupo fechado no aplicativo Telegram, denominado “SSK”, além de outras plataformas como Discord e ambientes da DarkWeb. O adolescente recebia pagamentos de participantes do grupo para praticar e transmitir os atos contra os felinos. Conforme apurado, ele teria recebido valores entre R$ 290 e R$ 400 em diferentes ocasiões para executar e transmitir a morte dos animais.
Os atos criminosos teriam ocorrido entre janeiro e abril de 2026, na residência do adolescente localizada no bairro São Félix. A Polícia Civil tomou conhecimento dos crimes por meio de denúncias que circulavam nas redes sociais e em perfis de Marabá.
Histórico
O adolescente já possui histórico na prática de outros atos infracionais graves no âmbito infantojuvenil. Segundo a Polícia Civil, ele está envolvido em investigações anteriores relacionadas a ameaças e ao planejamento de massacres em unidades escolares locais. Diante desse cenário de radicalização e dos riscos identificados, as autoridades consideram o caso como particularmente preocupante.
A combinação entre a prática de tortura animal e o histórico de planejamento de atos violentos em ambientes escolares levou as autoridades a classificarem o adolescente como de alto risco, justificando a representação pela internação provisória.
Internação decretada
A Polícia Civil representou pela busca e apreensão do adolescente e pela internação provisória, medidas que foram deferidas pelo Juizado da Infância e da Juventude. O adolescente foi ouvido na presença de sua mãe e posteriormente apreendido, sendo encaminhado para internação provisória conforme determinado pela Justiça.
Durante o depoimento, o adolescente confessou a prática dos atos, detalhando ter matado três gatos com a utilização de faca. Ele também confirmou ter recebido pagamentos para praticar e transmitir a morte dos felinos no grupo do Telegram.
Enquadramento legal
Os atos praticados pelo adolescente se enquadram no crime de maus-tratos a animais com resultado morte, tipificado no Artigo 32, parágrafos 1º-A e 2º da Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais). Quando se trata de cães ou gatos, a lei prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. Como houve morte dos animais, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.
Por se tratar de um adolescente, o caso é processado pela Justiça da Infância e da Juventude, que aplicará medidas socioeducativas conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Investigações continuam
A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos no grupo do Telegram que orientavam e financiavam os atos de crueldade. A extração pericial dos dados telemáticos do aparelho celular apreendido com o adolescente dará prosseguimento aos trabalhos para identificar eventuais coautores ou aliciadores integrados em plataformas virtuais.
Diligências complementares estão sendo realizadas para qualificar a participação de outros indivíduos no grupo “SSK” do Telegram que possam ter contribuído para os crimes. A corporação também solicitou ao Ministério Público e ao Poder Judiciário as comunicações de praxe sobre o caso, conforme previsto em lei.
Operação Ultimato
A operação foi executada por uma equipe dedicada da Polícia Civil, que trabalhou de forma coordenada para o cumprimento do mandado judicial. A ação contou com o apoio operacional da Seccional Urbana de Polícia Civil de Marabá.
