Correio de Carajás

Ações pelo oceano e justiça climática marcam 9º dia da COP30

Anúncios do dia reforçam que a COP30 segue priorizando ações práticas/Foto: Rafa Neddermeyer - COP30 Brasil
Por: Luciana Araújo
✏️ Atualizado em 20/11/2025 11h40

O 9º dia da COP30, terça-feira (18), em Belém, trouxe uma série de anúncios voltados à proteção dos oceanos, da natureza e das comunidades que dependem deles. Governos, empresas e organizações internacionais apresentaram novas iniciativas para acelerar ações climáticas no mundo real.

Um dos principais destaques foi a entrada de 17 países no Desafio Azul NDC, iniciativa que integra soluções ligadas ao oceano nos planos nacionais de clima. No mesmo momento, a parceria “Um Oceano” lançou uma rede global de áreas marinhas em recuperação. O objetivo é mobilizar pelo menos 20 bilhões de dólares até 2030 para restaurar ecossistemas, fortalecer a economia do mar e gerar empregos.

Foram divulgadas também, novas ferramentas para acompanhar o andamento das ações. Entre elas um painel que mostra o progresso das soluções voltadas ao oceano e um kit para apoiar países na proteção da biodiversidade marinha.

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Além disso, ecossistemas como manguezais, marismas e turfeiras tiveram avanços importantes. Esses ambientes são essenciais para reduzir emissões, proteger comunidades costeiras e manter a biodiversidade. Por isso, novas estruturas de financiamento e metas científicas foram anunciadas para ampliar a restauração e acelerar os projetos já iniciados.

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O setor empresarial também teve protagonismo. A campanha “Empresas Pequenas e Médias à Prova de Clima” já apoiou quase 90 milhões de pequenas empresas em ações de redução de emissões e adaptação. Mais de 250 grandes companhias, como IKEA e Natura, estão ajudando fornecedores menores a melhorar práticas ambientais e tornarem-se mais resilientes.

Outra iniciativa lançada na terça-feira, o Coletivo Sul-Sul para o Clima, pretende apoiar 5 mil startups climáticas até 2030 em países da África, América Latina e Ásia.

E pela primeira vez, as cinco presidências das Convenções do Rio divulgaram uma declaração conjunta prometendo alinhar ações de clima, biodiversidade e combate à degradação da terra. O gesto marca três décadas da criação das convenções durante a Eco-92, no Brasil.

Enquanto isso, a proteção das florestas ganhou reforço com o lançamento do “Plano Construindo para as Florestas”, apoiado por 15 governos e mais de 300 parceiros. A proposta incentiva o uso responsável da madeira na construção civil e busca envolver 30 países nas ações até 2028.

Outro anúncio importante foi a criação da “Aliança de Implementação dos Planos de Adaptação Nacional”. A iniciativa reúne governos, bancos de desenvolvimento, investidores e instituições de pesquisa para facilitar o acesso a financiamento e tirar do papel projetos de adaptação já definidos pelos países.

Já a agenda de mobilização global foi marcada pelo lançamento do “Relatório do Balanço Ético Global”, que enfatiza a importância da ética, da justiça e da escuta de diferentes culturas nas decisões climáticas. A sessão contou com autoridades e especialistas de várias regiões, incluindo Marina Silva, ministra do Meio Ambiente.

Como em outros dias, houve também a participação de crianças e jovens. Líderes juvenis promoveram debates sobre desigualdades climáticas, acesso à energia, proteção de territórios tradicionais e participação política. Um relatório com recomendações será produzido para orientar futuras decisões dentro e fora da COP.

A liderança dos povos indígenas esteve presente em diálogos sobre energia renovável, governança territorial, impactos da mineração e fortalecimento da bioeconomia. Mulheres indígenas, quilombolas, comunidades costeiras e jovens compartilharam experiências e defenderam soluções locais para enfrentar a crise climática.

Os anúncios do dia reforçam que a COP30 segue priorizando ações práticas, apoio direto às comunidades mais afetadas e proteção dos ecossistemas que sustentam vidas e economias em todo o mundo. A conferência retoma amanhã com foco em agricultura, sistemas alimentares, pesca, agricultura familiar, gênero e turismo. (Com informações da equipe de comunicação da COP30)