Mesmo com chuva fina, mais de cinquenta mulheres e homens participaram da ação de panfletagem da campanha “Não é Não” contra o assédio às mulheres em todos os ambientes, especialmente no Carnaval, quando são registrados muitos casos dessa natureza.
A campanha, realizada no semáforo da BR-230, em frente à Câmara Municipal, foi uma mobilização da Procuradoria da Mulher da Câmara, com apoio de várias entidades, como o Comdim (Conselho Municipal de Defesa e dos Direitos da Mulher de Marabá), e da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher, entre outras listadas no final desta reportagem.
O condutor Rafael Vieira, que passava de automóvel pela BR-230 durante a panfletagem, considerou o movimento relevante, pois reconhece que o assédio ainda é uma vergonha que se repete ao longo dos anos e se mantém como “orgulho” para muitos homens. “Nunca foi certo, mas os tempos são outros e precisamos tomar consciência e respeito às pessoas, à sua vontade”, disse ele, enquanto esperava o sinal abrir.
Leia mais:A vereadora Priscila Veloso elogiou a mobilização de mulheres e homens em mais um dia da campanha “Não é Não”, que faz um chamamento às mulheres para que denunciem qualquer tipo de assédio, assim como os homens, para que não sejam agentes desse comportamento reprovável. “É um alerta a todas as pessoas e nosso papel é propagar essa campanha”, sustentou.
Letícia Werneck disse que sua militância está voltada à pauta feminina e às mulheres trans, que também são vítimas de muitos casos de assédio, inclusive nas festividades carnavalescas. “Queremos que esse Carnaval seja um momento de paz e respeito à mulher”, disse.
Ela também lembrou que durante o Carnaval muitos homens se vestem de mulher e boa parte acaba confundindo as coisas. “Estarei no Carnaval, mas sou uma mulher casada e não aceito brincadeiras que denotem assédio”, alertou.
A vereadora Maiana Stringari avaliou que a ação de mobilização da Procuradoria da Mulher foi extremamente positiva, levando conscientização à sociedade. “Esse é o primeiro evento da Procuradoria da Mulher em 2025, e ter tantas pessoas unidades nesse projeto é muito especial, com mulheres e homens juntos com um mesmo objetivo. A importunação sexual tem um índice muito elevado no Carnaval e precisamos reforçar o ‘Não é Não’, para que as pessoas tenham respeito mútuo. Vamos lutar pela inserção ainda maior das mulheres na política e nos programas sociais”, disse Maiana.
A experiente vereadora Dra. Cristina Mutran também vestiu a camisa do “Não é Não” e foi à rodovia ajudar na campanha de mobilização contra o assédio. Para ela, a ação da Câmara teve um resultado positivo e nem a chuva atrapalhou a panfletagem e contato com os condutores. “Essa é uma grande concentração de mulheres, mas principalmente de homens. O resultado positivo se percebe com tantos condutores baixando os vidros de seus veículos e recebendo panfletos e parabenizando pela ação”, celebra Cristina Mutran.
Cláudia Silene Alves, coordenadora da equipe técnica da Procuradoria, diz que ação desta quinta-feira vai além da campanha e busca garantir que políticas públicas sejam efetivamente aplicadas. “Nosso papel é estimular, fiscalizar e movimentar políticas para as mulheres marabaenses, garantindo que as leis já existentes sejam, de fato, cumpridas”.
A campanha reforça a urgência de uma cultura de respeito e segurança para todas as mulheres. Ter o apoio de diferentes setores da sociedade também garante maior visibilidade e força na luta contra o assédio, a violência e tantas outras formas de opressão. É sempre importante lembrar que o Carnaval pode – e deve – ser um espaço de celebração, mas sem falta de consentimento ou violência.
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Abaixo, veja quem são os apoiadores da panfletagem e campanha “Não é Não”:
Disque Denúncia
Coordenadoria de Políticas Públicas da Mulher em Marabá
Patrulha Maria da Penha
Comissão Técnica do Conselho Municipal de Saúde
Instituto Mãos Estendidas e Fórum Permanente de Mulheres
Grupo de Mulheres Arco-íris da Justiça
Grupo de Mulheres do Cabelo Seco
Grupo de Mulheres Margaridas
Centro de Referência e Atendimento à Mulher
Defensoria Pública do Pará
Conselho Municipal do Direito da Mulher
Grupo Mulheres que Partilham
Associação dos Moradores do Bairro Araguaia