Correio de Carajás

Vítima de agressão por ex-companheiro não resiste e morre na UTI em Marabá

Ela foi atacada dentro de casa na madrugada de 24 de outubro, no Bairro da Paz, no desfecho de 20 anos sofrendo agressões, segundo a família

Grupo de mulheres em protesto cobrando justiça após a morte de Valdirene
Por: Da Redação

Valdirene da Conceição Oliveira morreu nesta quinta-feira (29), em um leito de UTI em Marabá, cinco dias depois de ser brutalmente agredida no Bairro da Paz. A morte ocorreu na véspera do aniversário de 40 anos dela, que seria neste dia 30 de outubro. O corpo deverá ser trasladado para Parauapebas, onde serão realizados o velório e o sepultamento.

O assunto já havia sido publicado aqui no Correio de Carajás nos últimos dias com relato dos familiares dela à Polícia Civil. Segundo a irmã, Valcilene Conceição Oliveira, a vítima foi atacada pelo ex-companheiro, Welton Pereira dos Santos, conhecido como “Neguinho” ou “Alexandre”, com a ajuda de outros dois homens. A irmã da vítima relatou que os três a agrediram com golpes de faca e pauladas. Welton segue desaparecido, e os outros dois suspeitos não foram identificados.

A irmã soube do ataque após receber uma ligação do atual companheiro de Valdirene. Conforme o relato dele, os dois estavam em casa, consumindo cerveja, quando Welton teria pulado o muro e pedido bebida. Após ter o pedido negado, foi orientado a sair. Quando Valdirene abriu o portão, dois homens que estavam do lado de fora teriam entrado e começado as agressões junto com Welton.

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“Hoje minha irmã está morta e nós em luto. Nós cobramos justiça. Que esse assassino seja preso, pois está foragido”, brada Valcilene.

Valcilene, irmã, segura cartaz com o rosto de Valdirene e do acusado, Welton

O atual companheiro disse que ficou acuado dentro da casa enquanto Welton, armado com uma faca, o ameaçava. Ele contou que tentou se defender com uma cadeira e conseguiu sair do local. Ao ouvir os pedidos de socorro de Valdirene, aproximou-se e a encontrou caída no chão, enquanto os outros dois homens continuavam a agredi-la.

Relatos de violência

À Polícia Civil, a irmã afirmou que Valdirene sofreu ameaças e agressões durante o relacionamento com Welton, que teria durado cerca de 20 anos. Segundo ela, o medo das ameaças impedia a vítima de procurar a polícia naquela época, e as intimidações teriam continuado mesmo após a separação.

Atropelamento

Há cerca de quatro anos, a irmã da vítima recebeu uma ligação de Valdirene, que disse ter sofrido um acidente. Ao chegar ao local, encontrou-a ferida e ouviu inicialmente que ela havia sido atingida por um veículo. Depois, um vizinho teria contado que, após uma discussão, Welton passou com o carro por cima da então companheira.

Na ocasião, Valdirene sofreu uma fratura na bacia e foi levada para Parauapebas, onde ficou sob os cuidados da irmã por vários meses. Depois de se recuperar, retomou o relacionamento com Welton. Segundo a irmã, as agressões continuaram.

Em outro episódio, a irmã foi informada de que Valdirene havia se ferido no pé. Mais tarde, a vítima teria contado que Welton tentou golpeá-la na cabeça com um facão e que ela ergueu a mão para se proteger. Depois desse episódio, o casal se separou.

A irmã também relatou que, há aproximadamente dois anos, Welton teria mandado atear fogo na casa da ex-companheira. O imóvel e os pertences que estavam nele foram destruídos. Valdirene conseguiu reconstruir a residência e reorganizar a vida.

A polícia agora deve mudar o status do inquérito, que possivelmente vá passar de agressão para feminicídio. (Com informações de Josseli Carvalho e Renato Mota)