A cidade de São Paulo e a Região Metropolitana registraram, desde 5 de setembro, 17 casos de corpos encontrados com sinais de violência. Apesar da sequência de casos, a Polícia Civil descarta a atuação de um serial killer, diz que até o momento não há indícios de conexão entre as ocorrências, mas ainda não desvendou os crimes.
Capital concentra casos
São 14 ocorrências investigadas formalmente como homicídio na cidade de São Paulo pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Outros três casos ocorreram em Itapecerica da Serra, Diadema e São Bernardo do Campo, todas cidades da Grande São Paulo, e estão a cargo das delegacias locais.
O caso mais recente foi o de um homem encontrado morto na noite de ontem no Jardim do Lago, na zona oeste de São Paulo. O corpo tinha sinais de violência, como as mãos e os pés amarrados. A ocorrência foi registrada como homicídio e passou a ser investigada pelo DHPP. Em vídeo obtido pela reportagem, homens aparecem tirando o cadáver do porta-malas de um carro e o abandonando.
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Os 17 corpos foram encontrados amarrados ou esquartejados em ruas ou áreas de mata das quatro cidades. Entre as vítimas, 11 são homens e três são mulheres — as outras três ainda não tiveram o sexo divulgado. Alguns deles estavam dentro de sacos plásticos. Esses sinais de violência contribuíram para os boatos que circulam nas redes sociais sobre as mortes terem sido cometidas por um serial killer.
A existência de um assassino em série é descartada pelas autoridades de segurança, mas os crimes ainda não foram desvendados. A Secretaria da Segurança Pública afirma que não existem elementos que comprovem a ligação entre todas as ocorrências ou uma mesma autoria. As investigações, aindade acordo com a pasta, são individualizadas.
Ao menos três homens tiveram suas prisões solicitadas pela polícia. Eles estariam envolvidos em mortes distintas da lista, segundo apurou o UOL. Em outros casos, a polícia ainda tenta identificar possíveis suspeitos.
Quais são as linhas de investigação
Vingança, dívidas, conflitos do crime organizado e desavenças podem explicar as mortes, segundo as autoridades. A maior parte das vítimas tinha passagens pela polícia, conforme apurou a reportagem. Em quatro casos, não foi identificado histórico criminal das vítimas. Pessoas envolvidas na investigação disseram à reportagem que quando ocorre um crime sexual, por exemplo, um grupo de pessoas pode matar o suposto autor e tentar sumir com o corpo, modalidade conhecida como “tribunal do crime”.
Em um dos casos analisados, a vítima tinha dívida de drogas. Segundo especialistas em criminologia, assassinos em série podem escolher vítimas com características em comum, como faixa etária, gênero, profissão ou estilo de vida. Para a polícia, isso é um argumento que afasta a teoria de que as mortes seriam decorrentes disso.
Uso de saco plástico não é suficiente para indicar um mesmo autor, apontam os investigadores. “Não tem relação entre um e outro e nada indica” a atuação de um serial killer, afirmou o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
A pasta informou que inquéritos policiais foram instaurados sobre as mortes. “Os casos apresentam dinâmicas, locais e métodos distintos. O uso de sacos plásticos ou tecido em alguns casos, isoladamente, não indica ligação entre os crimes e pode estar relacionado à movimentação ou ocultação dos corpos”, relatou a pasta.
A gente está buscando evidências e coincidência. É importante esclarecer que as motivações são diferentes: tem por crimes sexuais cometidos tráfico de drogas, outras motivações. Um dos casos a pessoa nem era de São Paulo e foi morto aqui. Cada caso a gente está checando para ver se um se relaciona com outro.
Ivalda Aleixo, chefe do DHPP
(Fonte: UOL)
