📅 Publicado em 23/10/2026 16h51✏️ Atualizado em 23/10/2026 16h52
A situação dramática enfrentada pelo paciente João Evangelista Abreu de Matos Júnior, de 46 anos, escancara o retrato do descaso na saúde pública de Marabá. Internado inicialmente no Hospital Municipal de Marabá (HMM) e posteriormente transferido para a Clínica Santa Terezinha, arrendada pela prefeitura, o paciente sofre de um quadro grave de cálculo renal obstrutivo com hidronefrose. Com um dos rins comprometidos e o outro totalmente obstruído, ele depende de um procedimento urológico urgente para a implantação de cateter duplo J bilateral.
No entanto, mesmo estando em uma unidade voltada para cirurgias, João Evangelista segue há semanas confinado sem ver o procedimento acontecer, recebendo apenas tratamentos paliativos. A denúncia revoltante é feita pelos familiares de João Evangelista. “Ele está lá jogado só à base de medicamento para dor”, denunciam, em mensagem enviada ao CORREIO.
Segundo os registros médicos e os autos do processo, o paciente aguarda no sistema de regulação sem que nenhuma providência prática definitiva seja tomada pelas autoridades. A demora e a falta de resolução transformaram a busca por cura em uma peregrinação frustrante por órgãos municipais, conforme relatam os familiares. “Já procuramos muitos órgãos, já procuramos prefeito, já procuramos muitas, muitas pessoas e ninguém ajuda a gente, ninguém faz nada.”
Leia mais:
A deterioração física e psicológica do paciente causa angústia profunda na família. Sem conseguir se alimentar e sofrendo com episódios constantes de vômitos e dores insuportáveis, o quadro clínico se agrava a cada dia: “Cada vez ele está secando mais porque ele não consegue comer. Tudo que chega no estômago ele vomita e só sabem dar remédio para dor e para evitar o vômito.”
AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Diante da inércia administrativa da Secretaria Municipal de Saúde de Marabá e da Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA), o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) precisou intervir juridicamente. No último dia 10, o MP protocolou uma Ação Civil Pública de Obrigação de Fazer com Pedido de Tutela de Urgência Antecipada em desfavor do Município de Marabá e do Estado do Pará.
Na ação, o órgão ministerial aponta que a falta de efetividade no atendimento viola frontalmente o direito fundamental à vida e à saúde garantidos pela Constituição Federal. O MPPA requereu à Justiça medidas urgentes para assegurar a realização da cirurgia e o suporte integral ao paciente, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.
Enquanto a ordem judicial integral não se traduz em solução prática na rotina da clínica, a família segue clamando por socorro, na esperança de que o sofrimento de João Evangelista tenha fim antes que consequências irreversíveis aconteçam.
