Um homem de 32 anos foi preso na tarde de ontem por suspeita de matar a própria esposa, de 51, a facadas em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.
Elizângela Aparecida Matheus foi assassinada dentro de casa, no bairro Parque da Cidadania, na tarde da quarta-feira. O crime teria acontecido durante uma discussão entre ela e o marido, Hiago Moreira Schnornberger.
O homem fugiu do local do crime e só foi preso ontem, após se entregar em uma delegacia de Mirassol (SP). A prisão dele aconteceu de forma preventiva. A suspeita da polícia é de que ele estava escondido na casa do pai. As duas cidades têm distância de cerca de 15 km entre si.
Leia mais:Ao se entregar, ele justificou que matou a esposa acidentalmente, enquanto se defendia de um ataque. O suspeito disse à polícia que a vítima era “muito ciumenta” e teria retirado um punhal da gaveta dela para atacá-lo.
A versão dele contradiz a da testemunha do crime, filha de Elizângela, que contou à polícia que viu o momento em que Schnornberger esfaqueou a mulher. “Segundo o depoimento colhido, a filha adolescente se deparou com ele em cima dela a esfaqueando”, afirmou a delegada Dálice Aparecida Ceron a jornalistas.
Elizângela e Hiago estavam casados havia pouco mais de um mês. A mulher deixa duas filhas.
Hiago já foi condenado pelo assassinato de uma ex-namorada em 2016 e estava em liberdade condicional desde janeiro deste ano. Segundo a delegada responsável pelo caso, quando matou a ex dez anos atrás, ele também só se entregou no dia seguinte ao crime.
Na outra oportunidade ele foi condenado a 25 anos de prisão, cumpriu 10, e estava em liberdade condicional.
Dálice Aparecida Ceron, delegada
O UOL não conseguiu acesso à defesa de Schnornberger até o momento. O Tribunal de Justiça de São Paulo disse que não há informações sobre a defesa dele disponíveis no processo. O advogado que o representou no crime de 2016 foi procurado, mas não foi localizado pelo UOL. O espaço segue aberto para manifestação e será atualizado se houver posicionamento.
Como foi o crime em 2016
O Ministério Público de SP acusou o homem de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação, à qual o UOL teve acesso, foi aceita pela Justiça.
Segundo a denúncia, Hiago não aceitava o término de um “breve relacionamento” com Fernanda Aparecida da Silva, 18, e a matou a facadas. O crime aconteceu em uma área de mata na cidade de Pitangueiras, a 370 quilômetros da capital paulista.
O homem teria amarrado os braços e as pernas dela, vendado os olhos da jovem e a esfaqueado. Ele teria atraído a vítima para o local informando que eles iriam acampar e comprado uma barraca para isso. Antes do crime, ele teria descoberto que Fernanda estava grávida e também que ela havia o traído.
A versão dada pelo homem ao júri foi a mesma dada à polícia após o assassinato de Elizângela. Segundo ele, após se recusar a mostrar o celular para Fernanda, ela teria o atacado com uma faca. “A vítima pegou uma faca e avançou contra sua pessoa. Houve uma luta corporal, e ela acabou atingida pela faca. Como ela persistiu, a amarrou”, diz a transcrição do testemunho do homem à Justiça.
Em Plenário, o réu declarou não ter agido com intenção de ferir a vítima. Ela tinha ciúmes de sua pessoa (réu), e no dia dos fatos, ela pediu para ver seu celular (do réu), mas não permitiu.
Trecho de processo contra Hiago, ao qual o UOL teve acesso
Em caso de violência, denuncie
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.
