📅 Publicado em 10/10/2026 09h47✏️ Atualizado em 10/10/2026 09h48
Ainda percorrendo a terra de Francisco Coelho em busca de histórias de fé em Maria, o CORREIO encontrou, em uma aconchegante casa na Folha 16, uma história marcada por amor, devoção e, sobretudo, pelas graças atribuídas a Nossa Senhora de Nazaré. É ali que vive Ivanete Ferreira da Costa Barbosa, conhecida carinhosamente como dona Ivinha, que abriu as portas de casa e da memória para contar como a relação com Maria atravessou diferentes momentos de sua vida, especialmente aqueles vividos na condição de mãe.
A primeira referência de Ivanete na fé mariana foi a própria mãe. Desde pequena, ela acompanhava as orações e via de perto uma rotina marcada pelo terço e pelas novenas. “Minha mãe sempre foi muito devota de Nossa Senhora, sempre rezava, era de orações diárias, de terço, de novenas. Então eu sempre vi, sempre me espelhei nela nesse sentido”, relembra.

Foi durante a gravidez do primeiro filho, Thiago, que essa devoção ganhou uma dimensão ainda mais íntima, uma vez que antes mesmo de segurá-lo nos braços, Ivinha decidiu consagrá-lo a Nossa Senhora. A primeira experiência que, para ela, reforçou essa entrega veio justamente no nascimento do menino. Quando chegou ao hospital, a bolsa havia rompido, mas não havia dilatação. Os médicos chegaram a informar que seria necessário induzir o parto.
Leia mais:Ivanete, então, recorreu à oração. Pediu a Maria o socorro e começou a rezar o terço enquanto aguardava o nascimento do filho. “Eu me apeguei com ela e clamei pelo amor dela, de mãe, pelo socorro dela de mãe, e comecei a rezar o terço. E antes mesmo que eu terminasse de rezar o terço, o Thiago nasceu de parto natural, sem precisar de indução nenhuma”, relata emocionada. “A experiência fez crescer ainda mais o carinho que já existia pela santa”.

Fé diante do medo
A devoção que Ivanete havia aprendido na infância também passou a fazer parte da criação dos filhos. Desde pequenos, eles eram ensinados a rezar o terço. Thiago, mesmo depois de crescer, manteve a proximidade com a Igreja e a participação nas celebrações.
Aos três anos, porém, o menino viveu uma situação que marcaria para sempre a memória da família. Thiago voltava da roça com o pai quando os dois pegaram uma carona em um caminhão de leite. Em uma curva fechada, o veículo acabou saindo da estrada e os dois foram arremessados para fora. O pai encontrou o menino desacordado e ensanguentado no chão, e ali, diante daquela cena, chegou a pensar que havia perdido o filho.
Ainda no local, o pai do menino se ajoelhou e pediu a Nossa Senhora que intercedesse por Thiago. Os dois foram levados ao Hospital Municipal e o garoto precisou ser encaminhado ao CTI. Para Ivanete, novamente Maria esteve presente em um dos momentos mais difíceis enfrentados pela família.
Thiago se recuperou e, pouco tempo depois, recebeu alta. A experiência acabou sendo transformada em agradecimento. Naquele mesmo ano, a família acompanhou o Círio de Nazaré, e o menino participou da procissão vestido de anjo.

Perguntada pela Reportagem, como aquele Círio se diferenciou dos outros Ivanete conta que “a partir daquele momento foi que realmente o Círio passou a ter maior valor na minha vida, porque aquele Círio representava a vida do meu filho que Nossa Senhora tinha colocado novamente ele nos meus braços”.
“Eu acho que eu não me continha de tanta felicidade. Ver aquela caminhada, aquela multidão de gente, e olhar que tinha tanta gente ali… E ela teve um cuidado tão especial com o meu filho”
Sob o olhar da mãe
Mas a história de Ivanete com Nossa Senhora não se resume à proteção dos filhos. Anos depois, foi ela quem precisou de amparo quando em 2015, recebeu o diagnóstico de câncer e, diante da possibilidade de não conseguir acompanhar os filhos até a vida adulta, fez à santa um pedido que tinha relação direta com aquilo que sempre colocou no centro de sua fé: a maternidade.
“Nossa Senhora sempre me protegeu como mãe em todas as formas. Eu sempre pedi que Deus e Nossa Senhora me dessem a graça de cuidar dos meus filhos. Com o diagnóstico, aí foi que Nossa Senhora novamente veio, porque eu pedia que me deixasse terminar de criar meus filhos”, relembra.
Durante o tratamento, a oração voltou a ocupar um espaço diário na rotina. Ivanete conta que rezava o terço e pedia pela cura, enquanto buscava forças para atravessar mais uma etapa difícil.

“Durante todo meu tratamento, eu ali naquelas orações, rezando o terço todos os dias e pedindo a cura, novamente Nossa Senhora veio em socorro da nossa família. E Deus, através da intercessão de Nossa Senhora, me deu a graça de ficar curada e terminar de criar meus filhos”, afirma.
Quando olha para trás, ela consegue identificar diferentes momentos em que sentiu a presença de Maria. Foram situações distintas, algumas envolvendo os filhos e outra envolvendo a própria vida, mas todas atravessadas pela mesma fé. “Vários momentos da minha vida”, resume.
E é justamente como mãe que Ivanete encerra seu testemunho, deixando para outras mulheres aquilo que ela própria aprendeu ao longo da caminhada, a importância de colocar os filhos em oração e pedir a Nossa Senhora que os acompanhe mesmo quando elas não puderem estar por perto.
“Eu falaria para essas mães que peçam a Nossa Senhora que cuide dos seus filhos. Rezem por eles, peçam a Nossa Senhora que os oriente, que dê direção para cada um e que ensine cada mãe a saber educar seus filhos”.
Para Ivinha, a devoção que começou no colo da própria mãe encontrou um novo sentido quando ela passou a ser mãe. E, desde então, entre o medo, a esperança e as dificuldades da vida, Maria permaneceu como aquela a quem ela recorre para pedir proteção – para os filhos e para si mesma.

