📅 Publicado em 09/10/2026 16h43
A agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Marabá recebeu, nesta sexta-feira (9), a visita técnica de Ana Evangelista, presidente substituta e diretora de Governança, Planejamento e Inovação do órgão federal. Em entrevista exclusiva ao CORREIO, ela foi questionada sobre as condições estruturais da unidade, a redução da fila de requerimentos, a expectativa de contratação de novos servidores e a ampliação do atendimento a segurados de áreas rurais e municípios distantes.
A dirigente também explicou as regras de um benefício destinado a mulheres afastadas do trabalho em razão de violência doméstica e comentou as incertezas sobre a continuidade das políticas previdenciárias a partir de 2027.
A agenda teve como objetivo ouvir os servidores e identificar dificuldades específicas da região, como problemas de estrutura física, logística e sistemas de atendimento. Segundo Ana, a intenção é reunir essas demandas e encaminhá-las à direção central do INSS para que sejam adotadas medidas de melhoria nas unidades.
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Estrutura e atendimento
Inaugurado em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), o prédio da agência do INSS em Marabá, localizado no núcleo Cidade Nova, apresenta sinais de desgaste e danos visíveis na estrutura. Questionada sobre isso, Ana Evangelista afirmou que está prevista uma reforma para 2027, com o objetivo de melhorar as condições de funcionamento da unidade e oferecer um ambiente mais adequado a servidores e segurados.
A dirigente também destacou a redução da fila de requerimentos iniciais na região. De acordo com os números apresentados por ela, o volume de pedidos, que chegou a 137 mil, caiu para 51 mil. Ela alega que a diminuição faria parte do esforço nacional para agilizar a análise dos benefícios e reduzir o tempo de espera dos segurados.
Atualmente, o prazo de referência para a análise de benefícios previdenciários é de até 45 dias, embora alguns pedidos sejam concluídos antes. Nos casos que dependem de documentação complementar ou de providências do próprio requerente, o processo pode levar mais tempo. Para a perícia médica, Ana informou que a espera está em torno de sete dias.
Outra expectativa é a realização de um concurso público em 2027. Segundo a presidente substituta, o INSS solicitou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) autorização para contratar 10 mil servidores, com o objetivo de reforçar o atendimento em todo o País. A dirigente lembrou ainda que novas equipes foram incorporadas ao órgão neste ano.
Apesar do avanço da digitalização, Ana ressaltou que o atendimento presencial continua necessário, especialmente para idosos, moradores da zona rural e pessoas com dificuldade de acesso à internet. A proposta é melhorar o acolhimento nas agências e ampliar a capacidade de atendimento, sem deixar sem assistência os segurados que precisam de ajuda para acessar os serviços digitais.
Perguntado sobre o combate a irregularidades, a dirigente afirmou que o INSS atua em conjunto com o Ministério da Previdência e a Polícia Federal na apuração de fraudes. Ela citou uma operação que resultou na suspensão de 89 mil benefícios, mas não apresentou um levantamento específico sobre o número de casos identificados no Pará ou no sudeste do estado.
Ana também defendeu a ampliação da presença do órgão em comunidades indígenas, áreas rurais e municípios distantes. Para ela, a Previdência precisa alcançar a população em situação de vulnerabilidade, garantindo que a distância dos grandes centros não se transforme em mais um obstáculo ao acesso aos direitos previdenciários.

Vítimas de violência
Outro tema abordado durante a visita foi o benefício destinado a trabalhadoras afastadas de suas atividades em razão de violência doméstica. A medida prevê atendimento prioritário e sigiloso para mulheres que precisam deixar o ambiente de trabalho para se proteger dos agressores. Também estabelece mecanismos para responsabilizar os autores da violência pelos valores pagos, conforme as regras aplicáveis.
De acordo com Ana Evangelista, a medida protetiva reconhecida pela Justiça é um dos elementos centrais para solicitar o benefício. A trabalhadora deve apresentar a documentação exigida e pode iniciar o requerimento pelos canais oficiais do INSS, incluindo a central telefônica 135 e o aplicativo ou site Meu INSS.
“Podem ter direito trabalhadoras com carteira assinada, autônomas, microempreendedoras individuais (MEIs) e seguradas especiais. Basta ter a medida protetiva, e não é necessária perícia médica. O requerimento será tratado com sigilo absoluto para evitar a exposição da mulher nesse momento de vulnerabilidade”, explica.
A dirigente ressaltou que o objetivo é oferecer condições financeiras para que a vítima consiga se afastar da situação de violência, buscar proteção e reorganizar a própria vida sem ficar desamparada pela perda de renda. A medida considera que, em muitos casos, a dependência financeira dificulta o rompimento do ciclo de agressões.
Ana esclareceu, porém, que as condições de acesso variam conforme a situação previdenciária da mulher. Para as trabalhadoras vinculadas à Previdência, é necessário observar os critérios de qualidade de segurada e as regras específicas do benefício. Já nos casos de mulheres sem vínculo previdenciário, a possibilidade de recebimento dependerá do enquadramento legal e de determinação judicial, conforme explicou a dirigente.
Perspectivas
Ao comentar as perspectivas para o próximo ano, Ana Evangelista ponderou que a continuidade das políticas depende das decisões do governo que assumirá a Presidência da República. Questionada sobre a possibilidade de um eventual governo de oposição alterar as medidas planejadas, ela afirmou que não é possível prever quais diretrizes serão adotadas.
“Eu posso garantir o que está previsto no programa do governo atual, mas, em relação ao próximo governo, ainda não temos regras definidas. Não está claro qual será a linha adotada”, declarou.
A dirigente também mencionou as discussões sobre possíveis cortes nos gastos públicos, mas afirmou que ainda não há definição sobre quais áreas seriam afetadas. Segundo ela, não é possível afirmar se eventuais ajustes terão impacto sobre a Previdência ou se serão direcionados a outros setores da administração federal.
