Correio de Carajás

Professor da Unifesspa é vencedor do “Prêmio Egresso Destaque” da Unicamp

Abílio Pacheco concluiu o doutorado na Unicamp, em 2020, instituição onde agora é premiado/ Foto: Evangelista Rocha
Por: Luciana Araújo

O professor de literatura Abílio Pacheco de Souza, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), é um dos vencedores do ‘Prêmio Egresso Destaque Unicamp 2026’, na categoria pós-graduação. Ele foi escolhido pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), onde concluiu o doutorado em 2020.

Em sua quarta edição, o prêmio reconheceu 35 ex-alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) por suas trajetórias profissionais, acadêmicas ou de impacto social. Abílio está entre os 20 vencedores da pós-graduação. A cerimônia de entrega do certificado será realizada em 9 de dezembro, em Campinas (SP).

Em entrevista ao Correio de Carajás, o professor conta que desde a conclusão do Doutorado passou a atuar na Unifesspa. Lá, desenvolveu pesquisas, publicou e organizou livros, orientou estudantes de mestrado e iniciação científica e participou de eventos acadêmicos no Brasil e no exterior. Também coordenou o Programa de Pós-graduação em Letras (Pós-Let) na instituição.

Leia mais:

Segundo ele, um dos aspectos que pode ter chamado a atenção dos avaliadores foi a relação de sua produção acadêmica com a Amazônia. As pesquisas desenvolvidas por Abílio e pelos estudantes envolvem temas como violência na região, produção poética, literatura e autores amazônicos. “Essa premiação é também para um sujeito da Amazônia”, afirma.

Para ele, o reconhecimento mostra que, apesar das dificuldades relacionadas à pesquisa, ao financiamento e à infraestrutura, é possível produzir conhecimento e alcançar projeção a partir do sul e sudeste do Pará.

Entre os trabalhos desenvolvidos estão pesquisas sobre poetas e escritores da região e estudos relacionados à produção literária paraense. Abílio também participou de editais de pesquisa, incluindo um projeto aprovado pelo CNPq que garantiu recursos e duas bolsas para estudantes de graduação.

Questionado pela Reportagem sobre a maneira que a produção acadêmica pode ser apresentada para quem está fora da universidade, ele reflete que a pesquisa universitária não precisa produzir necessariamente um resultado imediato para a população para ter impacto social. Ele considera que a própria entrada de estudantes em projetos de pesquisa pode mudar suas perspectivas de formação e de futuro. “Eu acredito muito na educação como uma forma de transformação social”, disse.

APROXIMANDO ESTUDANTES

Abílio também defende que a pesquisa acadêmica pode criar oportunidades para estudantes que, sem esse acesso, poderiam permanecer em situações de maior vulnerabilidade. Ele cita o trabalho de orientação e as bolsas de iniciação científica como instrumentos para aproximar jovens da universidade e da pesquisa.

Para exemplificar, esse diz que o impacto pode existir mesmo quando o resultado específico de uma pesquisa fica restrito a um circuito acadêmico ou cultural. Um estudo sobre a obra de um escritor local, diz ele, pode não chegar diretamente a toda a população, mas contribui para a formação do estudante que realizou a pesquisa. “Eu estou movendo uma pessoa de um espaço social para outro”, afirma.

A literatura produzida na Amazônia também ocupa espaço central em sua atuação. Por isso, Abílio defende que autores da região ajudam a registrar a memória e as transformações do território. Para ele, a proximidade entre os temas abordados pelos escritores e a realidade dos leitores pode criar identificação.

Um exemplo citado pelo professor é a poesia de autores que escrevem sobre ruas, bairros, rios e situações conhecidas pelos moradores da região, como Ademir Braz. Ao reconhecer esses elementos, o estudante pode perceber que é capaz de produzir literatura a partir da própria realidade: “Ele pensa: eu também posso fazer algo desse jeito”.

Abílio é radicado em Marabá desde os 8 anos e professor da Unifesspa há cerca de seis

DA ESCOLA PÚBLICA AO DOUTORADO

Abílio chegou a Marabá aos oito anos e fez a maior parte da formação escolar no município, incluindo os estudos na Escola Gaspar Vianna. Depois, cursou Letras no então campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Marabá. Antes de ingressar na carreira acadêmica, trabalhou como eletricista e bibliotecário na cidade.

Depois da graduação, fez mestrado em Belém, na UFPA, e passou pelo Instituto Federal do Pará (IFPA), onde ingressou por concurso. Em 2009, também por concurso, tornou-se professor efetivo da UFPA, em Bragança.

Durante o período em que estava na UFPA, afastou-se para fazer o doutorado na Unicamp. Foi nesse período que conseguiu uma bolsa para estudar na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, onde permaneceu por um ano e quatro meses.

A defesa do doutorado ocorreu em agosto de 2020, durante a pandemia, de forma on-line. Em dezembro daquele ano, Abílio passou a integrar a Unifesspa, em Marabá, por meio de um processo de redistribuição.

Atualmente, ele é professor de literatura no curso de Letras – Língua Portuguesa da Unifesspa. Também atua em programas de pós-graduação, incluindo o mestrado e o doutorado, e mantém vínculo com um programa de pós-graduação em Linguística e Literatura em Araguaína, no Tocantins, onde realizou um pós-doutorado.

Na Unifesspa, Abílio coordena o Laboratório de Estudos de Resistência e Teoria do Testemunho (Laerte), criado em 2021. O grupo reúne estudantes para desenvolver pesquisas e compartilhar leituras e discussões. Mais recentemente, ele e uma colega fundaram o Centro de Estudos de Testemunho e Resistência na Amazônia, voltado à organização das pesquisas desenvolvidas pelos estudantes.

Para Abílio, o reconhecimento também representa uma cobrança para continuar o trabalho desenvolvido nos últimos anos. “É, ao mesmo tempo que consagração, responsabilidade”, afirma.