O som dos passos leves ecoa pela Paróquia Sagrado Coração de Jesus. É a trilha sonora da história de Luciléa Tavares. Ela dobra os joelhos, olha para a imagem de Nossa Senhora e coloca aos seus pés, através da oração, seus anseios de mãe.
Luciléa é coordenadora regional do sul e sudeste paraense do movimento ‘Mães que Oram pelos Filhos’. A padroeira do grupo é Nossa Senhora de La Salette, e é na figura de Maria — em suas diferentes representações — que ela se inspira para sua caminhada de fé e na maneira como cuida dos filhos.
No altar da paróquia da Folha 28, no núcleo Nova Marabá, Luciléa conta que a devoção à Virgem Maria ensina às integrantes do movimento a permanecerem firmes mesmo diante das dificuldades. Para ela, Maria representa uma mulher que atravessou diferentes momentos em sua caminhada de fé sem perder a confiança em Deus.
Leia mais:“Ela nos ensina a ter fé, a sermos mães perseverantes e ter essa proximidade com Deus. Ela nos ensina, através de todo o percurso que teve, na caminhada de fé, a não balançar em momento algum, a não ter medo. Nós nos espelhamos nela para continuarmos na nossa caminhada”, afirma.

MATERNIDADE COM MARIA
Sendo mãe, Luciléa olha para Maria como uma inspiração. Para ela, a Virgem representa não apenas a força. Assim ela enxerga as integrantes do movimento: mulheres fortes, mas que carregam na simplicidade uma das características que mais admira em Maria.
De seu ponto de vista, Maria também faz a ligação entre a experiência das mães e a fé em Deus. É nessa relação que ela encontra amparo nos momentos de dúvida e insegurança. Luciléa reconhece que, como qualquer pessoa, também passa por períodos em que se sente fragilizada, mas recorre à fé para continuar.
Para ela, Maria fortalece essa caminhada e ajuda as mães a manterem a confiança mesmo quando surgem o medo e a incerteza. “Às vezes a gente balança, treme, fica inseguras. Mas é em Maria que nos apegamos para seguir”, compartilha.
É ao falar dessa relação que a emoção transborda da devota. Na fé católica, ela vê Maria como uma presença de proteção e intercessão, especialmente quando o pedido envolve os filhos. “Às vezes a gente balança, treme, fica insegura. Mas é em Maria que nos apegamos para seguir”.
INTERCESSÃO DE MARIA
Luciléa acredita que recorrer a Maria é uma forma de buscar auxílio e segurança. Para ela, existe uma relação de confiança entre mãe e filho que também se expressa na fé: “Quando a gente pede à mãe, o filho atende”.
A própria história de Maria também faz Luciléa refletir sobre os desafios da maternidade. Ela diz que gostaria de ter a força atribuída à Virgem para acompanhar o sofrimento vivido por Jesus, mas reconhece que não saberia passar pela mesma situação.
“Como mãe, eu queria ter a força dela. Eu jamais conseguiria passar pelo que ela passou. Filhos são tudo. Amor de mãe é extraordinário”.
É dessa imagem que Luciléa tira valores que considera importantes para a própria caminhada: amor, gratidão e perseverança. Ela procura se aproximar desses sentimentos por meio da fé e da devoção.
“Eu olho para Maria e penso em amor, em gratidão, perseverança. Maria é tudo que a gente precisa ser. A gente caminha para isso, para ser um pouco dela”, afirma.
Foi assim que aproximou do movimento ‘Mães que oram pelos filhos’. Luciléa conta que recebeu o convite de uma amiga várias vezes até decidir participar. Depois disso, passou por diferentes funções: foi coordenadora de grupo, coordenadora diocesana e, atualmente, é coordenadora regional.
Ela atribui essa trajetória ao “chamado de Maria”. Em sua visão, não é preciso estar preparada para assumir uma função no movimento. A própria caminhada oferece aprendizado e fortalecimento para as integrantes.
Essa compreensão também está presente na maneira como Luciléa entende a maternidade. Para ela, acompanhar os filhos significa estar ao lado deles mesmo quando fazem escolhas diferentes das que os pais esperavam. A oração, nesse contexto, é uma forma de cuidado, mas também de presença.
“Nós, mães, temos que ser o apoio dos nossos filhos, independente das escolhas deles”.

Mãe que ora com a filha e pelos filhos
Dentro de casa, a relação com a fé é compartilhada. Luciléa conta que procura caminhar junto com os filhos por meio da oração e que costuma rezar com a filha, Luma Cristine, de 21 anos.
Segundo ela, Luma se inspira na relação da mãe com a igreja e vê nas orações uma forma de cuidado. A filha costuma dizer que se considera abençoada por ter uma mãe que ora por ela.
Luciléa também relata que Luma tem ansiedade e que passou a pedir por ela com muita fé. Segundo a mãe, houve uma redução de parte das dificuldades relacionadas ao transtorno, e a filha continua avançando.
Mas a fé não significa ausência de inseguranças. A devota reconhece que também passa por momentos em que balança e teme, mas encontra na devoção a Maria uma maneira de continuar.
Assim ela encontra sentido para a própria participação no movimento e para a forma como vive a maternidade. Maria permanece como uma imagem de amor, gratidão, força e perseverança. Características que Luciléa procura levar em sua própria caminhada como mãe.

