Correio de Carajás

Corrupção na Prefeitura de Marabá leva MPPA à mansão do prefeito Toni e às secretarias

Grupo Especializado em investigação do Ministério Público já está há 4 horas dentro da residência de Toni Cunha

Mansão do prefeito Toni Cunha ficou cheia de investigadores durante a manhã desta sexta-feira
✏️ Atualizado em 02/10/2026 11h28

O delegado da Polícia Federal licenciado, Toni Cunha, que fazia operações e batia no peito que combatia a corrupção, está provando do próprio veneno.

Uma grande equipe do GSI (Grupo de Segurança e Investigação Institucional) do Ministério Público Estadual, veio de Belém para Marabá para reunir provas sobre possíveis crimes cometidos por Toni Cunha à frente da Prefeitura de Marabá, em pouco mais de um ano e meio de gestão.

Eles chegaram a três endereços na manhã de hoje, sexta-feira (2). Uma estava no Centro Administrativo da Prefeitura de Marabá, na Folha 26; uma na Secretaria de Obras; e a terceira na mansão de Toni Cunha, localizada no Condomínio Mirante do Vale, mais precisamente na Alameda Cedro, próximo ao lago.

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Um fato curioso que chamou a atenção da Reportagem do CORREIO é que Ítalo Ipojucan, sogro de Toni Cunha, pai e coordenador da campanha de Lanúzia Cunha, ficou por várias horas do lado de fora, agoniado e coçando a cabeça.

Em determinado momento, por volta de 9h30, Ítalo Ipojucan recebe a filha Lanúzia do lado de fora, os dois conversam brevemente, e ela retorna para dentro de casa, também nervosa.

ROSÁRIO DE SUSPEITAS

Há várias suspeitas em relação à gestão de Toni Cunha. A mais recente é uma representação apresentada ao MPPA, que acusa a administração municipal de ter sido utilizada para dar visibilidade à candidatura de Lanúzia Cunha, esposa do prefeito, que disputa uma vaga de deputada estadual.

A denúncia aponta, entre outras coisas, participação de Lanúzia em ações da Prefeitura, inclusive reuniões e atividades de saúde e assistência; utilização do colete oficial do programa Prefeitura Perto de Você; apresentação de obras e projetos públicos; suposta utilização de servidores e estrutura municipal; contratação de 245 servidores temporários pela Secretaria Municipal de Saúde em julho e agosto; e possível utilização de serviços públicos gratuitos para promoção eleitoral.

Em 30 de setembro, a Polícia Civil realizou uma ação em Parauapebas após denúncia de possível compra de votos envolvendo o nome de Lanúzia Lobo. Foram conduzidas 11 pessoas à delegacia.

Segundo a Polícia Civil, foram apreendidos mais de R$ 17 mil em dinheiro; envelopes contendo valores; uma relação com nomes e valores; 12 celulares; uma maquininha de cartão; material de campanha de Lanúzia Cunha, Dr. Felipe e Daniel Santos.

Outro caso relevante é o procedimento do Ministério Público sobre uma licitação da SEVOP para construção de abrigos temporários para famílias atingidas pelas cheias dos rios Tocantins e Itacaiunas no valor de R$ 5.495.484,28. O procedimento do MPPA apura possíveis irregularidades na contratação.

O presidente da Câmara, Ilker Moraes, anunciou que o Legislativo analisaria contratos de locação firmados pela Prefeitura e apontou possíveis indícios de sobrepreço.

O caso mais expressivo citado foi o contrato de aproximadamente R$ 133,8 milhões para locação de 40 ônibus destinados ao transporte coletivo. Até agora, só 18 chegaram e os valores são considerados acima do mercado.

Também foram mencionados contratos envolvendo caminhões coletores de lixo e equipamentos de iluminação pública, todos milionários.

O TCM-PA (Tribunal de Contas dos Municípios) abriu investigação sobre contrato de aproximadamente R$ 1,5 milhão entre a Prefeitura e a L&C Serviços e Locações, empresa que tinha como sócio-administrador Leonardo Lobo Costa, irmão da primeira-dama Lanúzia e, portanto, cunhado de Toni Cunha. O MPPA questionou a renovação do contrato e possíveis conflitos de interesse.

Na Secretaria de Obras, a movimentação foi tensa na manhã desta sexta-feira pela presença dos homens da lei

NOTA DO PL

O Partido Liberal (PL) do Pará, ao qual Toni é filiado, manifestou solidariedade ao prefeito de Marabá, Toni Cunha, diante da operação realizada nesta sexta-feira (2) na mansão onde ele mora. Em nota oficial, o partido classificou a medida como “indevida e desproporcional” e afirmou que os fatos que teriam motivado a ação “não são novos” e já foram submetidos ao exame de órgãos de controle.