Correio de Carajás

Reportagem sobre o HMI de Marabá vence principal prêmio nacional de jornalismo em direitos humanos

“Parto ou sentença?”, da Revista AzMina, investigou denúncias de violência obstétrica e mortes maternas e neonatais na unidade; o Correio de Carajás também acompanha a situação do hospital

reportagem premiada denuncia crise no atendimento materno-infantil em Marabá/ Foto: reprodução/AzMina
Por: Luciana Araújo

Uma reportagem que investigou denúncias de violência obstétrica e mortes de mães e bebês no Hospital Materno-Infantil (HMI) de Marabá recebeu reconhecimento nacional. A série “Parto ou sentença?”, publicada pela Revista AzMina, venceu na categoria Produção Jornalística em Texto do 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O resultado foi anunciado na quarta-feira (30), durante a sessão pública de julgamento do prêmio.

A série foi produzida por Mariana Rosetti, João Paulo Guimarães, Jane Fernandes, Joana Suarez, Helena Berto, Lory Costa e Kath Xapi. Publicada em julho de 2025, a investigação reúne duas reportagens sobre os problemas enfrentados por mulheres atendidas no HMI. O trabalho apresenta relatos de violência obstétrica e de mortes de mães e bebês.

O reconhecimento nacional da reportagem destaca um problema acompanhado há anos pela imprensa local. O Correio de Carajás publica com frequência notícias sobre as condições de atendimento no HMI, incluindo denúncias de pacientes, problemas na estrutura, falta de materiais e ocorrências envolvendo mães e bebês.

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Na primeira reportagem, “Violência obstétrica e mortes maternas: denúncias se acumulam no hospital de Marabá”, a equipe ouviu mulheres sobre situações vividas durante o atendimento no HMI e levantou dados sobre a mortalidade materna no município. A segunda, “Bebês nascem mortos e mães sofrem na unidade materno-infantil pública de Marabá”, aborda as mortes de bebês e aponta que, em 2024, a taxa de mortalidade neonatal em Marabá ficou 45% acima da média do Pará.

A série também mostra problemas na estrutura do hospital, denúncias de falta de cuidados e dificuldades enfrentadas por mulheres que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em janeiro deste ano, o Correio noticiou que, segundo a família, um bebê morreu após o parto no HMI. A direção do hospital confirmou o caso e informou que havia aberto uma investigação para apurar as circunstâncias.

Também em janeiro, uma vistoria realizada no HMI pelo Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA), com acompanhamento do Ministério Público e da Defensoria Pública, apontou novamente problemas na unidade. Na ocasião, a presidente do CRM-PA relatou dificuldades relacionadas à quantidade de profissionais, à realização de procedimentos e às condições de atendimento.

A Prefeitura informou ao Correio que havia investimentos previstos para reformar e adequar o HMI, além de ampliar a unidade.

Outro episódio acompanhado pelo Correio ocorreu em outubro de 2025, durante uma audiência pública da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), realizada em Marabá. Representantes da sociedade civil apresentaram denúncias sobre as condições do HMI. Entre os assuntos discutidos estavam as mortes de recém-nascidos e relatos de violência obstétrica. O Correio procurou a direção do hospital para obter um posicionamento sobre as denúncias.

A situação do HMI também passou a ser discutida durante a construção de uma nova unidade para o atendimento de mães, bebês e crianças. Em março deste ano, foi inaugurado o Hospital Regional Materno-Infantil “Dr. Nagib Mutran”, na Nova Marabá. A nova unidade foi apresentada como uma forma de ampliar a oferta de atendimento especializado na região.

Mesmo com a inauguração do novo hospital, os problemas do HMI continuam sendo acompanhados pela imprensa e por órgãos públicos. Nesse contexto, a série “Parto ou sentença?” levou ao debate nacional uma situação que já vinha sendo denunciada e acompanhada em Marabá.

Ao reunir relatos de mulheres, dados e documentos, a investigação da AzMina mostrou os problemas enfrentados por pacientes no atendimento materno-infantil e recebeu o reconhecimento do 48º Prêmio Vladimir Herzog, uma das principais premiações do jornalismo brasileiro.