Correio de Carajás

Grupo de Corrida de Layane Porto fará homenagem à vítima de feminicídio em Marabá

Treino aberto a todos os interessados será nesta quinta-feira, a partir de 5 horas, na Orla Encontro dos Rios

Layane era apaixonada pela corrida de rua e integrante da equipe El Mago
Por: Milla Andrade

Após a comovente morte da vendedora Layane Porto, de 37 anos, ocorrida na manhã de segunda-feira (21), equipes de corrida de Marabá se reunirão nesta quinta-feira (24) para um momento de homenagem à mulher que foi vítima de feminicídio. O encontro é organizado pelos grupos El Mago Running e Só Mais Um KM, com concentração a partir das 5 horas, no encontro dos rios, na Velha Marabá.

Em entrevista ao Correio de Carajás, Alef Farias destacou que Layane fazia parte da equipe há pouco mais de um ano e já era bastante próxima dos integrantes, tanto no ambiente esportivo quanto no pessoal. Ao falar sobre a escolha da corrida como forma de homenagem, o coordenador ressaltou que o esporte representava um espaço de união, superação e convivência. “A corrida une as pessoas, elas se desafiam e dividem as histórias dentro da equipe”, diz Alef.

Alef Farias: “A corrida une pessoas. As pessoas se desafiam e dividem as superações”/ Fotos: Evangelista Rocha

Para ele, o treinão é uma maneira de manter viva a memória da atleta, que faleceu de forma precoce e trágica, e de reconhecer a importância que ela teve para o grupo. Além da homenagem, os organizadores esperam que o evento desperte uma reflexão sobre a valorização da vida e o cuidado com a saúde. “A reflexão que nós queremos trazer é: viva o hoje. Nós costumamos cobrar para não faltar aos treinos, não deixar para amanhã e se superar. Essa é a nossa missão”, afirma.

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Ele ainda acrescentou que a corrida pode ser uma importante ferramenta para melhorar a qualidade de vida. “Busque o esporte para se livrar da depressão, da obesidade, se sentir melhor e cuidar da autoestima”, finaliza.

Mais que um treino, o momento será um encontro para demonstrar solidariedade e uma singela homenagem para relembrar a paixão de Layane pela corrida, lugar onde ela também gostava de estar entre os amigos.

Os atletas irão vestidos nas cores branca e amarela, formando uma corrente em prol da história e da memória da jovem. O crime teve grande repercussão e comoção entre os moradores de Marabá e região. A vítima também deixou uma filha.

RELEMBRE O CASO

Layane Rodrigues Porto, de 37 anos, foi assassinada na manhã de segunda-feira (21), em frente a uma oficina mecânica e a uma farmácia localizadas na Folha 21, no Núcleo Nova Marabá. Ela aguardava sua motocicleta passar por uma revisão quando um homem se aproximou correndo e efetuou os disparos à queima-roupa. Ela morreu no local, sem chances de ser socorrida.

Ao final da tarde, o ex-companheiro dela, Douglas dos Santos Ferreira, foi preso acusado de envolvimento no assassinato. Ele foi apontado como o piloto que deu fuga ao atirador.

Segundo o que foi apurado com uma fonte da polícia, a motivação do crime teria sido o fato de Layane ter descoberto que Douglas estaria envolvido em um homicídio em Nova Ipixuna e, por isso, decidiu se separar dele. No entanto, essa informação ainda não é oficial.

Em uma resposta rápida da Polícia Militar, o esconderijo, assim como a motocicleta usada no crime, foram encontrados na noite do mesmo dia, na região de Brejo do Meio. Apesar dos esforços, o criminoso conseguiu fugir.

Somente depois, Bruno Batista Assunção, conhecido como “Burro Preto”, foi preso em uma área de mata na Estrada do Rio Preto, próximo à Vila Tibiriçá. Ele teria sido o autor dos dois disparos que ceifaram a vida de Layane. A arma usada no feminicídio também foi encontrada e apresentada na delegacia para perícia.