📅 Publicado em 23/09/2026 14h15
A relação entre aprovação escolar e aprendizagem foi questionada pela repórter Luciana Araújo, do Correio de Carajás, ao ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante o segundo dia do 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, nesta quarta-feira (23), em São Paulo. A pergunta levou ao debate sobre as críticas feitas por educadores do interior do Pará ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
A pergunta partiu de relatos de profissionais da educação paraenses de que a aprovação de estudantes seria, em alguns casos, utilizada para evitar a queda do índice das escolas. Luciana também perguntou ao ministro sobre a mudança na metodologia do Ideb em discussão pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e sobre como o novo cálculo poderia aumentar a segurança dos dados sobre a qualidade do ensino.
Atualmente, o Ideb combina dois componentes: o fluxo escolar, calculado a partir dos dados de aprovação do Censo Escolar, e o desempenho dos estudantes nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O próprio Inep explica que a combinação busca evitar tanto a retenção de estudantes para elevar o desempenho nas avaliações quanto a aprovação sem aprendizagem.
Leia mais:Em resposta, o ministro afirmou que o país precisa superar o que chamou de “cultura da repetência”. Segundo o Leonardo, estudos nacionais e internacionais teriam mostrado que reprovar estudantes não produz, por si só, melhora na aprendizagem e pode contribuir para a exclusão escolar.
“Quando você olha, por exemplo, os dados do ensino médio, lá de 2006, 2007, você verificava que entre 30% e 35% dos estudantes eram reprovados no Brasil na escola pública”, afirmou.

Para o ministro, a redução da repetência precisa ser acompanhada por mecanismos capazes de identificar as dificuldades de aprendizagem e oferecer apoio ao estudante no ano seguinte. Ele citou como referência sistemas educacionais de outros países que adotaram a progressão continuada acompanhada de avaliações e reforço.
Barchini defendeu que a aprovação, isoladamente, não deve ser utilizada para avaliar a qualidade de um sistema de ensino. Para ele, é necessário observar se os estudantes estão aprendendo mais à medida que o fluxo escolar melhora.
“O que a gente tem que verificar com o Ideb, e o caso do Pará é um caso emblemático, porque o Pará havia uma cultura arraigada de reclamação, é se a proficiência está melhorando ou não”, disse.
Como exemplo, o ministro citou o Rio de Janeiro. Segundo ele, o estado apresentou aumento do fluxo escolar, mas redução da proficiência. Para Barchini, uma situação em que mais estudantes avançam de etapa, mas o desempenho nas avaliações diminui, indica que a progressão continuada não está sendo acompanhada adequadamente.
Por outro lado, quando a aprovação aumenta ao mesmo tempo em que a proficiência também melhora, o ministro considera que há indícios de que o modelo está funcionando. “Naqueles estados em que há uma melhoria no fluxo, você está aprovando mais, mas a proficiência está aumentando, ou seja, as crianças e os jovens estão aprendendo mais, é porque aquela progressão está dando certo”, afirmou.
A discussão ocorre em um momento de atualização dos indicadores educacionais. Os resultados mais recentes divulgados pelo Inep mostram avanço do Ideb entre 2023 e 2025 nas diferentes etapas da educação básica, acompanhado também de melhora nos resultados do Saeb em língua portuguesa e matemática.
Apesar de ter sido questionado especificamente sobre como a nova fórmula do Ideb poderá enfrentar possíveis distorções provocadas pelo aumento das aprovações, Barchini não detalhou durante a sabatina quais serão as mudanças matemáticas no cálculo. A resposta se concentrou na necessidade de analisar conjuntamente o fluxo escolar e a proficiência dos estudantes.
A sabatina integrou a programação do segundo dia do congresso e reuniu jornalistas bolsistas da Jeduca de diferentes regiões do país para entrevistar o ministro da Educação, com mediação do jornalista Bruno Alfano.
