Correio de Carajás

Moradores de três ocupações em Marabá temem despejo

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Moradores de três ocupações urbanas localizadas entre o Bairro Nossa Senhora Aparecida e a Estrada de Ferro Carajás, em Marabá, temem ser despejados das áreas onde vivem há mais de dois anos. As comunidades Morro Alto, 25 de Julho e Ferrovia foram incluídas em uma decisão judicial que estabeleceu prazo de 20 dias, a contar do último dia 17, para uma reunião que poderá definir os próximos passos do processo e resultar na retirada das famílias.

Juntas, as três áreas reúnem aproximadamente 350 famílias, segundo os moradores. A maioria é formada por pessoas de baixa renda, que afirma não ter condições de arcar com aluguel ou de encontrar outra alternativa de moradia caso o despejo seja cumprido.

“Eu não quero ir embora daqui porque não tenho condição de pagar aluguel, não tenho condição de ir embora para outro canto. Pretendo fazer minha casa e morar aqui”, afirmou Renata Sotero, dona de casa.

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A técnica de enfermagem Lucivania Costa disse que muitas famílias chegaram às ocupações em busca de um lugar para viver. Segundo ela, parte dos moradores depende de programas de transferência de renda e tem dificuldades para manter as despesas básicas.

“A gente veio em busca de um lar. Há muitas famílias aqui que vivem de Bolsa Família, então a renda é pouca, é fraca e não dá para pagar aluguel”, relatou.

Famílias cobram apoio

A presidente da Associação dos Moradores do Bairro Ferrovia, Kessia da Silva, afirmou que as comunidades procuram uma solução para evitar a retirada das famílias. Ela disse que os moradores decidiram buscar a imprensa para tornar pública a situação e cobrar uma manifestação do poder público.

“Nós não temos para onde ir. Juntando as três ocupações, são mais ou menos 350 famílias. São pessoas humildes, famílias carentes, que precisam ser assistidas pelo poder público. Hoje estamos em busca de uma solução e procuramos a televisão justamente para que ele se manifeste, nos ajude e leve a nossa voz”, declarou Rosana Oliveira, dona de casa.

Segundo o advogado Asivan Cavalcante, que atua em defesa da Associação dos Moradores do Bairro Ferrovia, a Prefeitura de Marabá foi intimada no processo e pode ingressar na ação como parte interessada. Na avaliação dele, uma manifestação favorável do município aos ocupantes poderia levar a uma nova análise da decisão judicial.

“Caso a Prefeitura ingresse no processo, ela poderá dar uma esperança ainda maior para essas famílias que ocupam a área, porque se torna parte interessada. Quando isso acontece, a juíza volta a analisar essa liminar e, possivelmente, ela continuará suspensa por determinado prazo, desde que a Prefeitura se manifeste favoravelmente aos ocupantes”, explicou o advogado.

A possível participação do município é vista pelos moradores como uma alternativa para ganhar tempo e buscar uma solução negociada. Até o momento, porém, eles afirmam que não conseguiram ser recebidos pelo prefeito.

Kessia da Silva declarou que os moradores participaram de um comício da esposa do prefeito, que é candidata a deputada, e prestaram apoio à candidatura. De acordo com a presidente da associação, durante o evento o gestor municipal teria afirmado que apoiava a comunidade e que receberia os moradores para ouvir as reivindicações.

“Nós fomos a um comício da mulher do prefeito, prestamos nosso apoio, e o gestor prometeu, naquele mesmo dia, que estava junto com a gente, que queria nos ajudar e nos receber para ouvir a nossa causa. Porém, já se passaram 15 dias desde o comício, e o prefeito nunca nos recebeu nem nos atendeu”, afirmou.

A reportagem solicitou um posicionamento da Prefeitura de Marabá sobre a situação das três ocupações e sobre a possibilidade de participação do município no processo judicial. Até o fechamento da reportagem, não houve resposta.

Enquanto aguardam os próximos passos da Justiça, os moradores tentam evitar a retirada e reivindicam que o poder público considere a situação social das famílias. Eles afirmam que a falta de renda e a ausência de outra alternativa de moradia podem deixar centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade caso a decisão de despejo avance. (Com informações da TV Correio)