Correio de Carajás

Moradores prometem bloqueio às balsas na BR-230 entre o Pará e o Tocantins

Manifestação está prevista para começar neste sábado (19); população cobra a operação gratuita das embarcações contratadas pelo DNIT

Travessia voltou a ser feita por balsas em maio, mas com tarifa
Por: Da Redação

Moradores e representantes comunitários prometem bloquear, a partir da manhã deste sábado (19), a travessia por balsas entre Araguatins, no Tocantins, e Palestina do Pará, no sudeste paraense. A mobilização deve ocorrer no trecho da BR-230 conhecido como Porto da Balsa e tem como principal reivindicação o início da operação gratuita das embarcações contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). As balsas contratadas pelo governo federal para esse trabalho já estão no local desde julho passado, como publicado aqui no CORREIO, mas nunca funcionaram.

O anúncio da manifestação foi feito em um vídeo gravado por vereadores e moradores da região. Eles afirmam que aguardam uma solução para o impasse envolvendo as balsas gratuitas e a empresa que atualmente realiza o transporte pago de veículos e passageiros pelo Rio Araguaia. A população não aceita continuar pagando enquanto as embarcações contratadas pelo governo permanecem sem operar de forma efetiva.

A intenção declarada é realizar um protesto e impedir o funcionamento das balsas que estão operando com cobrança, pertencentes à Pipes, até que o problema seja resolvido. Um dos participantes afirmou que os moradores aguardariam a presença de representantes do DNIT para tratar da situação com a empresa Amazônia Navegações (contratada do governo). Caso não houvesse acordo, o bloqueio começaria na manhã deste sábado.

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“Não queremos saber qual é a empresa que vai atravessar gratuitamente. Nós queremos é a balsa gratuita agora”, afirmou um dos representantes. Segundo ele, as embarcações já teriam sido liberadas pela Marinha do Brasil, mas ainda haveria um problema relacionado ao porto localizado no lado tocantinense.

A mobilização ocorre em meio à insatisfação de moradores, trabalhadores, comerciantes e transportadores que dependem da ligação entre os dois estados. Se for concretizado, o bloqueio poderá interromper uma das principais conexões entre o norte do Tocantins e o sudeste do Pará.

Cobrança começou em maio

A travessia emergencial por balsas foi retomada em 25 de maio, depois que a ponte sobre o Rio Araguaia foi totalmente interditada por problemas de segurança estrutural. Na ocasião, a empresa Pipes passou a operar o transporte entre Araguatins e Palestina do Pará mediante cobrança de tarifa.

A medida restabeleceu a circulação, mas criou custo adicional para famílias, caminhoneiros, empresas de transporte e comerciantes. Conforme a tabela divulgada, pedestres, passageiros, bicicletas, motocicletas e mobiletes pagavam R$ 5. Automóveis e caminhonetes tinham tarifa de R$ 25, enquanto os valores para veículos de carga variavam conforme o porte.

Para uma motocicleta, o custo citado no vídeo chega a R$ 50 em uma viagem de ida e volta. A Pipes passou a ser a alternativa disponível enquanto não havia um serviço público gratuito.

Quando as balsas começaram a operar, o DNIT e a empresa informaram que o governo federal estudava contratar o serviço para eliminar a cobrança até a construção de uma nova ponte.

Balsas gratuitas chegaram

Em 19 de julho, o DNIT anunciou a contratação emergencial da empresa Amazônia Navegações Ltda. para operar a travessia gratuita. O contrato, firmado por meio de dispensa emergencial de licitação, foi divulgado com valor de R$ 17.441.759,45 e vigência prevista até 5 de dezembro de 2026.

As embarcações chegaram desmontadas ao Porto da Balsa. Conforme as informações divulgadas na época, ainda seria necessário montar as estruturas, realizar vistorias técnicas e obter as liberações da Marinha do Brasil. O planejamento previa transporte gratuito de veículos e passageiros 24 horas por dia.

Apesar da chegada das balsas e da contratação anunciada pelo DNIT, o serviço não passou a funcionar regularmente para atender à população. As embarcações gratuitas permaneceram sem uma operação efetiva, enquanto a Pipes continuou sendo a alternativa para quem precisava cruzar o Araguaia e podia pagar.

É essa diferença entre o anúncio oficial e a realidade dos usuários que alimenta a revolta local. No vídeo, os vereadores afirmam que não defendem uma empresa específica, mas exigem o cumprimento do compromisso de oferecer transporte gratuito.

Não foi divulgada nova data para o início regular da operação da Amazônia Navegações nem manifestação oficial do DNIT sobre o bloqueio, o impasse no porto e a liberação das balsas.

Ponte foi interditada

A origem da crise está na interdição da Ponte Transaraguaia, que liga Araguatins a Palestina do Pará. A estrutura foi fechada após avaliações apontarem problemas de segurança. Desde então, carros, motos, ônibus e caminhões dependem de embarcações, como ocorria antes da inauguração da ponte, em 2010.

O DNIT chegou a sinalizar que a estrutura poderia ser demolida para dar lugar a uma nova ponte, mas não divulgou cronograma definitivo nem prazos claros para a demolição e a reconstrução.

Enquanto a ponte permanece fechada, a balsa é a única alternativa direta entre as margens. A cobrança da Pipes pesa no orçamento, e as embarcações do DNIT alimentaram uma expectativa ainda não concretizada.

O que diz o Dnit

Consultado por meio de sua assessoria, o Dnit aqui na região informou que toda o imbróglio está sendo acompanhado pelo escritório do Estado do Tocantins. Mesmo assim, levantou para a reportagem que a balsa da Amazônia já está preparada para iniciar a operação gratuita, inclusive com equipe de plantão no local desde a última terça-feira. Porém, existe um impasse relacionado ao acesso/atracação na margem do Tocantins, que envolve a Pipes.

“A situação já foi encaminhada pela Superintendência do DNIT no Tocantins à Diretoria de Infraestrutura Aquaviária (DAQ), em Brasília, para análise e providências”.