Correio de Carajás

Marabá terá um representante em evento exclusivo do Google em São Paulo

José Mário avalia que Marabá ainda tem poucas startups e empresas de base tecnológica
Por: Luciana Araújo

José Mário Pereira Figueiredo, de 23 anos, será o representante de Marabá no Google Cloud Summit Brasil 2026, evento voltado ao ecossistema de tecnologia na América Latina. O encontro será realizado nos dias 23 e 24 de setembro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Segundo José Mário, será a primeira vez que um representante de Marabá participará da programação.

Nascido em Goianésia do Pará, José Mário mora em Marabá desde 2010. Em 2022, ingressou no curso de Engenharia Eletrônica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Campo Mourão. Durante a graduação, começou a trabalhar como analista de desenvolvimento de sistemas e passou por startups e empresas de tecnologia.

Leia mais:

Sua atuação profissional também se desenvolveu a partir da participação em comunidades de tecnologia. José Mário liderou o Google Developer Groups (GDG) Maringá e fundou o GDG Campo Mourão. De volta a Marabá, passou a atuar, em parceria com Caetano Reis, na articulação do Circuito Tech, iniciativa vinculada ao Circuito Empreendedor.

É por meio dessa atuação que ele participa do Summit. O encontro reúne representantes de diferentes regiões e permite o contato com profissionais ligados ao Google e a outras empresas de tecnologia. Para José Mário, estar nesse ambiente também amplia as possibilidades de conexão para quem vive fora dos grandes centros.

“É uma coisa muito enriquecedora porque tu tá pegando experiência da América Latina toda em um evento só”, afirma.

A experiência também está ligada a uma preocupação que ele pretende levar para Marabá: ampliar a presença da região nas redes de tecnologia e aproximar profissionais locais de oportunidades que costumam estar concentradas em outras partes do país.

ECOSSISTEMA LOCAL

Na avaliação de José Mário, Marabá ainda enfrenta dificuldades para consolidar um ecossistema próprio de tecnologia. A cidade tem poucas startups e empresas de base tecnológica, enquanto parte das soluções utilizadas por negócios locais é contratada de outros estados.

Para mudar esse cenário, ele defende uma aproximação maior entre universidades, empreendedores, empresas e poder público. A ideia é criar um ambiente em que conhecimento, negócios e inovação possam se encontrar e gerar novas oportunidades na própria região.

O Circuito Tech também atua nessa frente. A iniciativa busca ajudar empresários a compreender melhor ferramentas e soluções tecnológicas antes de contratá-las, além de estimular o surgimento de negócios locais ligados ao setor.

“Eu quero trazer essa oportunidade para a galera melhorar aqui. Fazer essa conexão de Marabá com as outras regiões”, diz.

As comunidades de tecnologia também ajudam a aproximar moradores da região de profissionais que trabalham em grandes empresas. Segundo José Mário, os encontros vão além do aprendizado técnico e contribuem para o desenvolvimento da comunicação, do relacionamento e de outras habilidades valorizadas no mercado de trabalho.

Foi nesse ambiente que ele teve a oportunidade de palestrar dentro do prédio do Nubank, em São Paulo. Para ele, a experiência mostrou que profissionais que começam em cidades menores também podem chegar a espaços de destaque no setor.

“É inimaginável pensar que um cara que saiu de Marabá poderia estar no prédio do Nubank, falando para pessoas com quem um dia estava aprendendo e que agora podem aprender com ele. É algo inimaginável na nossa realidade aqui em Marabá”, relata.

COMUNIDADES

Além do GDG, José Mário participa do Women Techmakers (WTM), programa voltado à participação feminina na área de tecnologia. As comunidades reúnem pessoas com diferentes níveis de conhecimento e abordam temas que vão além da programação, como design, marketing, produto, negócios e comportamento do usuário.

Sua intenção agora é ampliar essas iniciativas na região. Para outubro, está previsto o DevFest Carajás, organizado em parceria com comunidades de Campo Mourão e Belém. José Mário também pretende discutir com representantes do Google a possibilidade de abrir um capítulo do GDG em Marabá.

A expectativa é de que essas conexões deem mais visibilidade a profissionais e negócios da região e contribuam para fortalecer o ecossistema tecnológico de Marabá e do Carajás.