Correio de Carajás

As 5 figuras que moldaram a Independência do Brasil

O 7 de setembro reacende o debate sobre quem, de fato, construiu a ruptura com Portugal em 1822 e por que a história oficial concentra o protagonismo em um único nome

Cena do Grito do Ipiranga reconstitui o momento da ruptura com Portugal em 1822. • Wikimedia Commons
✏️ Atualizado em 07/09/2026 20h37

O calendário cívico brasileiro reserva a primeira semana de setembro para lembrar o processo de emancipação política do país. Instituída por decreto federal ainda na primeira metade do século XX, a Semana da Pátria vai de 1º a 7 de setembro e tem no Grito do Ipiranga seu ponto auge.

Mas reduzir a Independência a um único gesto, tomado por uma única pessoa às margens de um riacho em São Paulo, é uma simplificação que a historiografia mais recente vem corrigindo.

Documentos, correspondências e atas de época mostram que a separação entre Brasil e Portugal resultou de uma articulação política, diplomática e até bélica que envolveu nomes menos lembrados nos livros didáticos. A seguir, a CNN Brasil listou cinco figuras cuja atuação ajuda a entender o que estava em jogo naquele mês de setembro de 1822.

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1. Dom Pedro I: o herdeiro que rompeu com a própria coroa

Príncipe regente do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Pedro de Alcântara enfrentava, em 1822, pressão crescente das Cortes de Lisboa para retornar à Europa e reduzir o Brasil novamente à condição de colônia.

A recusa em obedecer a essa determinação, somada ao apoio de setores da elite brasileira favoráveis à separação, levou à declaração de ruptura registrada na margem do rio Ipiranga, em 7 de setembro.

A frase que resume o rompimento, “Independência ou Morte!”, tornou-se símbolo oficial do processo e consta em registros de memorialistas que acompanharam a comitiva. Historiadores apontam, no entanto, que a decisão não foi um ato isolado de coragem pessoal, mas o desfecho de meses de correspondência com conselheiros no Rio de Janeiro, que insistiam para que o príncipe não recuasse.

2. José Bonifácio: o articulador por trás do trono

Nascido em Santos, formado na cidade portuguesa de Coimbra e com carreira consolidada como cientista e político em Portugal, José Bonifácio de Andrada e Silva assumiu em 1821 o Ministério do Reino e Estrangeiros ao lado de Pedro de Alcântara.

Foi ele quem estruturou boa parte do projeto administrativo do novo Estado, da organização do primeiro ministério à redação de propostas que discutiam, já naquele momento, o fim gradual da escravidão, pauta que o colocaria em rota de choque com parte da elite agrária.

Em texto apresentado à Assembleia Constituinte sobre a escravatura, Bonifácio deixou registrada a advertência: “ou reformamos, ou a revolução se fará por si mesma, mas então será horrorosa”. A frase, hoje reproduzida em resumos da história política brasileira, ilustra o tom pragmático que valeu a ele o título de Patriarca da Independência, atribuído a ele ainda no século 19 e mantido pela historiografia até hoje.