📅 Publicado em 28/08/2026 16h29✏️ Atualizado em 28/08/2026 16h30
Quem passou pela rua marginal à Transamazônico (BR-230), na Folha 33, na tarde de quarta-feira (27), presenciou um Chevrolet Onix tomado pelas chamas. O incêndio não foi acidental. Segundo os proprietários do carro, o fogo foi ateado propositalmente pelo antigo proprietário.
A história do Chevrolet Onix começou anos antes e envolve uma negociação de veículo que nunca chegou a ser concluída, débitos, retirada do carro sem autorização, ameaças e, por fim, a destruição do automóvel. Após o caso ganhar repercussão nas redes sociais, a família de Rildo Neves de Souza procurou o CORREIO para relatar o que teria acontecido antes e depois do incêndio.
O veículo foi comprado por Rildo em março de 2019, de uma locadora localizada na Folha 33. A intenção era transferi-lo para o próprio nome e utilizá-lo para trabalhar como motorista de aplicativo. Durante a vistoria, porém, foram identificadas pendências que impediram a transferência e, segundo o relato da família de Rildo, uma das dívidas estava relacionada ao antigo proprietário e teria sido informada ao comprador como algo que seria posteriormente regularizado.
Leia mais:Como a situação não foi resolvida, o carro acabou ficando praticamente parado. Rildo afirma que procurou os responsáveis pela negociação diversas vezes para tentar regularizar a documentação ou devolver o veículo e recuperar o dinheiro investido. Anos depois, a antiga proprietária voltou a cobrar a transferência. Nesse período, ele afirma ter pago cerca de R$ 5 mil em pendências, mas ainda restavam valores relacionados ao veículo a serem quitados.

Carro é retirado da casa da mãe
O conflito se agravou em agosto deste ano. Conforme boletim de ocorrência registrado por Rildo, enquanto ele estava trabalhando em Parauapebas, o Onix permanecia na garagem da casa de sua mãe. Foi nesse local que, segundo o registro policial, Marlondreson Pacheco, esposo da antiga proprietária, teria localizado o automóvel e retirado o veículo com auxílio de um reboque, sem autorização do proprietário de fato.
Rildo afirma que não presenciou a retirada. Depois de descobrir o que havia ocorrido, procurou a polícia e registrou um boletim relatando o furto. À reportagem, contou que, naquele momento, sua intenção era tentar recuperar o carro ou reaver o dinheiro que havia investido na negociação, sem envolver a filha na situação.
Rebeca Davinth Souza, filha de Rildo, conta que decidiu intermediar a situação e entrou em contato com Pacheco e a antiga proprietária. Segundo ela, houve um acordo para que as pendências restantes fossem quitadas e o veículo fosse devolvido. A família afirma que pagou os débitos relacionados ao IPVA e realizou uma nova vistoria, deixando o automóvel pronto para a transferência.
Ameaça teria ocorrido no dia seguinte
Antes do incêndio, porém, Rildo relata ter sido ameaçado. Segundo outro boletim registrado pela Polícia Civil, ele recebeu contato relacionado ao caso e, durante a discussão, Pacheco teria ido ao local onde estava o eletricista. O registro aponta que o homem teria descido de uma caminhonete portando uma arma e feito ameaças.
Rildo afirmou que a situação foi ainda mais grave do que consta no boletim. Segundo ele, após uma ligação, um irmão de Marlondreson teria aparecido armado na casa onde ele estava e só não teria ocorrido uma agressão mais grave porque seu irmão interveio. “Eu achei que ele ia para a delegacia resolver isso, mas ele chegou armado lá em casa. Só não aconteceu coisa pior porque meu irmão entrou no meio”, relatou Rildo.
A filha também afirma que a família passou a temer pela própria segurança depois das ameaças.
Discussão termina com carro em chamas
Na quarta-feira, Rebeca foi até o local onde o carro estava para tentar finalizar a devolução. Segundo o relato dela, Rildo já havia realizado a vistoria e faltava apenas retornar para concluir a transferência. A situação, entretanto, terminou em violência quando, conforme Rebeca, Pacheco chegou ao local alterado, tomou o celular que estava em sua mão, arremessou o aparelho contra o chão e depois contra uma parede. Ela também relata ter sido empurrada durante a confusão.
Na sequência, ainda de acordo com o depoimento, o veículo foi levado para a área externa, momento que Marlondreson Pacheco teria conseguido gasolina em um estabelecimento próximo, jogando o combustível sobre o automóvel e utilizando um isqueiro para iniciar as chamas. O marido de Rebeca teria tentado impedir a ação, mas não conseguiu contê-lo.
O fogo se espalhou rapidamente e foi necessário acionar a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. O veículo ficou completamente destruído. Dentro dele, segundo a família, estavam documentos, ferramentas e outros pertences de Rildo.
Atordoada, Rebeca afirma que o desfecho poderia ter sido evitado, principalmente porque, segundo ela, as pendências do veículo já haviam sido resolvidas. “Eu fiquei muito abalada, porque não precisava ter chegado a esse ponto. Meu pai passou muito tempo tentando resolver a situação e, quando finalmente estava tudo certo em relação ao carro, aconteceu isso”, relata.

Após o incêndio, os envolvidos foram encaminhados à delegacia. Segundo Rebeca, Pacheco permaneceu alterado no local e teria desacatado policiais e o delegado, sendo detido. A família afirma que pretende buscar reparação pelos prejuízos materiais e também pelas agressões e ameaças relatadas.
O caso agora deverá ser apurado pelas autoridades. A família afirma ter registrado os boletins de ocorrência e pretende levar a situação também à Justiça na esfera cível.
A reportagem entrou em contato com Marlondreson Pacheco para ouvir sua versão sobre a negociação do veículo, as pendências mencionadas pela família, a retirada do automóvel e o incêndio. Ele também foi questionado sobre as supostas ameaças e agressões relatadas pelos familiares de Rildo. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

