Correio de Carajás

Mulheres são maioria entre eleitores, mas só ocupam 35% das candidaturas na região Norte

Mulheres representam maioria no eleitorado, mas ainda são poucas nos espaços de candidaturas (Imagem gerada com IA)
Por: Milla Andrade com informações do TSE

A presença feminina nas urnas brasileiras continua maior que a masculina. A 36 dias do primeiro turno das eleições, 83.877.126 mulheres estão aptas a votar no país, o equivalente a 52,84% do eleitorado nacional, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conforme apurado pelo Correio de Carajás, em Marabá, no sudeste do Pará, o cenário acompanha a tendência nacional. Dos 179.470 eleitores aptos, 91.537 são mulheres, o que representa 51% do eleitorado municipal. Os homens somam 87.947 votantes, correspondentes a 49%.

 

Leia mais:
Sudeste do Pará reúne grandes colégios eleitorais

 

Na região, Parauapebas aparece com o maior eleitorado entre os municípios citados no levantamento, com 200.937 eleitores aptos. Na sequência está Marabá, com 179.470. Também integram o levantamento São Félix do Xingu, com 43.061 eleitores, Itupiranga, com 32.776, Jacundá, com 30.62, Dom Eliseu, com 30.167, e Rondon do Pará, que registra 27.045 votantes.

Em Marabá, a concentração do eleitorado pode ser percebida também nos principais locais de votação. O Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), na Folha 13, reúne 4.249 eleitores. A Escola Estadual de Ensino Médio Liberdade contabiliza 4.074, enquanto a Escola Estadual de Ensino Médio Anísio Teixeira concentra o maior número entre as instituições citadas, com 5.414 eleitores.

Pará concentra maior eleitorado do Norte

Os dados do TSE mostram ainda a dimensão do eleitorado da região Norte. Ao todo, 13.109.354 pessoas estão aptas a votar nos estados da região. O Pará aparece na liderança, com 6.265.355 eleitores, seguido pelo Amazonas, que possui 2.801.182, e por Roraima, com 1.267.105 votantes.

Marabá está entre os maiores colégios eleitorais do sudeste do Pará, com 179.470 eleitores aptos (Fonte: TSE)

 

 

Maioria nas urnas, minoria nas candidaturas

 

Apesar de representarem a maior parcela do eleitorado, as mulheres ainda são minoria entre os candidatos na região.

Segundo o TSE, foram registradas 1.110 candidaturas femininas, correspondentes a 35,88% do total. Entre os homens, são 1.985 candidaturas, ou 64,12%.

O recorte etário também revela características desse grupo. Entre as candidatas da região, a faixa de 40 a 44 anos concentra o maior número de registros, com 204 candidaturas.

A diferença entre eleitorado e candidaturas evidencia um dos principais contrastes do cenário eleitoral: embora as mulheres tenham ultrapassado a metade do eleitorado brasileiro, sua participação como candidatas ainda permanece significativamente abaixo dessa proporção.

 

Direito conquistado há 94 anos

 

A presença majoritária das mulheres nas estatísticas eleitorais é resultado de uma trajetória que começou muito antes de elas se tornarem maioria nas urnas.

O direito ao voto feminino foi oficialmente assegurado no Brasil em fevereiro de 1932, durante a criação do Código Eleitoral. A conquista representou um dos principais avanços daquele período e foi resultado de décadas de mobilização pela ampliação dos direitos políticos e sociais das mulheres.

A reivindicação por participação na vida pública já vinha sendo construída desde o final do século XIX. Mulheres que defendiam maior espaço na sociedade enfrentavam resistência em uma época marcada pela ideia de que a atuação feminina deveria estar restrita principalmente ao ambiente doméstico.

Nas primeiras décadas do século XX, o debate ganhou força diante das transformações políticas e sociais do país. A possibilidade de participação das mulheres nas eleições, entretanto, encontrou oposição e foi cercada por argumentos que questionavam a presença feminina na esfera pública.

A conquista do voto não encerrou a busca por igualdade. Passadas mais de nove décadas, os próprios dados eleitorais mostram que a presença das mulheres nas urnas ainda não se traduz na mesma proporção quando o assunto é representação política.

 

Eleitorado feminino representa apenas 35,88% das candidaturas no Norte do país (Fonte: TSE)

 

 

Eleitorado feminino cresce ao longo das eleições

 

A evolução histórica dos números do TSE reforça a ampliação da presença feminina nas urnas. Em 2014, o Brasil tinha 74.459.424 eleitoras aptas a votar. Quatro anos depois, em 2018, o número passou para 77.339.897. Já em 2022, chegou a 82.373.164.

No pleito atual, são 83.877.126 mulheres aptas, um acréscimo de 1.503.962 eleitoras em relação às eleições gerais de 2022, crescimento de aproximadamente 1,83%.

O avanço dos números, no entanto, coloca em evidência um desafio que ultrapassa a quantidade de eleitoras, transformar a maioria feminina nas urnas em maior presença e representatividade nos espaços de decisão política.

Número de eleitoras brasileiras cresce de forma contínua desde 2014 (Fonte: TSE)