📅 Publicado em 25/08/2026 08h55✏️ Atualizado em 25/08/2026 09h40
O Coletivo Consciência Negra em Movimento deu início, no último sábado (22), a uma programação que pretende ampliar as celebrações do mês da Consciência Negra em Marabá. As atividades seguem até 20 de novembro, data em que é celebrado o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, com ações voltadas à valorização da cultura, da memória e do protagonismo da população negra no município.
A iniciativa integra a 16ª edição do Festival da Consciência Negra e, neste ano, conta com atividades realizadas a partir de um projeto contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. A proposta é ampliar as ações e levar a discussão da temática, envolvendo moradores e grupos que atuam diretamente na preservação da cultura negra em Marabá.
Uma das primeiras atividades foi uma oficina gastronômica realizada no bairro Francisco Coelho, popular Cabelo Seco na Pioneira, considerado um dos territórios simbólicos da história e da formação cultural de Marabá. Durante o encontro, mulheres do bairro participaram da preparação de alimentos associados às memórias familiares e aos conhecimentos transmitidos entre gerações.
Leia mais:Para Erik de Belém Oliveira, integrante do coletivo, a gastronomia é uma das formas encontradas para aproximar a programação da memória e dos saberes mantidos pelas famílias negras. “Então, o objetivo também é resgatar essa memória e possibilitar visibilidade a um público que ainda não teve a oportunidade de acessar essa história e conhecer a trajetória dos nossos ancestrais, dos nossos avós e bisavós. Existe também a possibilidade de, posteriormente, criar oportunidades financeiras para essas pessoas, a partir desse resgate da memória e da comercialização dos produtos que foram desenvolvidos aqui”, explica Erik.
A atividade também teve a participação do Grupo de Mulheres do Cabelo Seco, Raiz de Marabá. A presidente da entidade, Ana Luisa Rocha, destaca que o bairro foi escolhido para receber parte da programação justamente pela relação histórica com a construção cultural da cidade.
Além da oficina gastronômica, a programação prevê outras atividades ao longo dos próximos meses. A intenção é fazer com que a mobilização não fique restrita à data oficial da Consciência Negra, mas seja construída gradualmente até novembro.
A proposta de geração de renda é outro eixo das atividades. Segundo o coletivo, os conhecimentos desenvolvidos durante as oficinas podem futuramente ser utilizados na produção e comercialização de alimentos e outros produtos durante o próprio Festival da Consciência Negra.
A integrante do Coletivo Consciência Negra em Movimento, Rosemayre Lima Bezerra, avalia que trabalhar a autonomia econômica é uma maneira de ampliar os efeitos da programação para além das atividades culturais. “A perspectiva é que essa oficina fortaleça, a partir dessa parceria com o Espaço André, a autonomia econômica das mulheres negras, que é tão importante. A gente espera que as mulheres negras possam estar em lugares de poder, decidindo, transformando e construindo o futuro, mas também tenham condições de enfrentar qualquer desafio e conquistar sua independência”, ressalta.
Com a ampliação do calendário, o coletivo pretende envolver diferentes comunidades e fortalecer a participação da população negra nas atividades culturais do município. A programação segue até 20 de novembro, quando a agenda será encerrada com as atividades do Festival da Consciência Negra. (Entrevistas: TV Correio)
