📅 Publicado em 21/08/2026 12h37✏️ Atualizado em 21/08/2026 13h51
O advogado Antônio Araújo Oliveira, responsável pela defesa de Kemilly Paiva Fernandes, presa pela Polícia Civil na quinta-feira (20), em Parauapebas, afirmou em entrevista exclusiva ao Correio de Carajás que irá pedir o relaxamento da prisão durante a audiência de custódia, marcada para tarde desta sexta-feira (21).
Kemilly é investigada por suposta participação no duplo homicídio de Guilherme Rocha Oliveira e Jhonata Pereira Gomes, ocorrido na manhã de segunda-feira (17). Segundo a defesa, a prisão ocorreu três dias após os assassinatos e, por isso, não haveria situação de flagrante que justificasse a prisão.
De acordo com Antônio Araújo, a Polícia Civil teria sustentado a existência do chamado flagrante continuado, sob o argumento de que as diligências ocorreram de forma ininterrupta desde o momento do crime até a localização e prisão da investigada. A defesa, porém, não concorda com essa interpretação e pretende questionar a legalidade da prisão durante a audiência de custódia.
Leia mais:“Caso o juiz entenda pelo não relaxamento, ou mesmo relaxando transforme em prisão preventiva, a defesa vai requerer que a prisão preventiva seja convertida em prisão domiciliar”, afirmou o advogado.
Um dos argumentos da defesa é que Kemilly é mãe de uma criança de cinco meses, que, segundo o advogado, depende exclusivamente do leite materno. A defesa pretende utilizar essa condição para pedir que, caso a prisão preventiva seja mantida, ela seja cumprida em regime domiciliar. Segundo Antônio Araújo, a legislação prevê proteção à criança nessa situação, justamente para evitar que o cumprimento da prisão pela mãe resulte em prejuízo ao bebê.
O advogado destacou que o pedido não seria baseado apenas na situação pessoal da investigada, mas também na necessidade de garantir os cuidados e a alimentação da criança.
A defesa também sustenta que Kemilly não possui antecedentes criminais e que, caso seja comprovada alguma participação dela no crime, teria sido de menor relevância.
Conforme o advogado, ela não é suspeito de ter executado as vítimas, dado ordens ou determinado a prática do homicídio. “Ela não foi executora, ela não deu ordem, ela não determinou nada”, afirmou.
A defesa reconhece que Kemilly pode conhecer alguns dos envolvidos no caso, mas afirma que não há, até o momento, elementos que demonstrem participação direta dela na execução dos homicídios. As alegações serão apresentadas formalmente ao Poder Judiciário durante a audiência de custódia.
CASO
Segundo a Polícia Civil, Kemilly teria atraído as vítimas para o local onde elas foram submetidas ao chamado “tribunal do crime”, nome utilizado para descrever julgamentos e execuções realizados por integrantes de organizações criminosas contra pessoas consideradas rivais ou que teriam descumprido regras impostas pela facção.
A principal linha de investigação aponta que o crime estaria relacionado à rivalidade entre organizações criminosas. Durante as diligências, os policiais apreenderam uma motocicleta Honda Fan vermelha, apontada como um dos veículos utilizados na prática do crime.
Um homem, que ainda não teve a identidade divulgada pela Polícia Civil e é apontado como suspeito de envolvimento no duplo homicídio, morreu durante uma intervenção policial na noite de segunda-feira.
As investigações continuam para identificar e responsabilizar os demais envolvidos no duplo homicídio.
