Correio de Carajás

Sistema de segurança da UHE Tucuruí reúne 1.837 instrumentos

De acordo com as informações repassadas pela empresa gestora, os equipamentos estão instalados tanto na superfície quanto no interior das estruturas

Técnico de segurança do trabalho realizando monitoramento em um instrumento geotécnico em uma estrutura de concreto.
✏️ Atualizado em 13/08/2026 09h11

A Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins, utiliza 1.837 instrumentos para acompanhar o comportamento de suas barragens, diques e demais estruturas associadas. O sistema de segurança foi apresentado nesta semana à imprensa regional, durante visita coletiva ao empreendimento, operado pela AXIA Energia.

De acordo com as informações repassadas pela empresa, os equipamentos estão instalados tanto na superfície quanto no interior das estruturas. O conjunto abrange barragens de concreto, terra e enrocamento, além de diques e outros pontos vinculados à operação da usina. Os dados coletados são comparados com os parâmetros previstos no projeto e com o histórico de funcionamento do empreendimento.

A finalidade desse acompanhamento é identificar alterações que exijam avaliação técnica. O monitoramento instrumental é complementado, segundo a operadora, por inspeções periódicas e análises de equipes especializadas. A empresa afirmou que o trabalho reúne profissionais de engenharia civil, geotecnia, recursos hídricos, engenharia hidráulica, elétrica, mecânica e ambiental, além de geologia.

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Na apresentação, a AXIA informou que a atuação dessas áreas envolve atividades ligadas à segurança de barragens, instrumentação e monitoramento, análise de confiabilidade estrutural, gestão de riscos e preparação para emergências. A rotina descrita inclui a leitura dos instrumentos, inspeções de campo, manutenção preventiva e avaliação das condições estruturais, operacionais e ambientais relacionadas à usina.

A UHE Tucuruí opera há cerca de 40 anos e integra o Sistema Interligado Nacional. A unidade tem 8.535 megawatts de potência instalada. Seu reservatório armazena aproximadamente 50,3 bilhões de metros cúbicos de água em uma área de cerca de 3.007 quilômetros quadrados. As barragens alcançam até 95 metros de altura, enquanto o vertedouro tem capacidade para descarregar até 110 mil metros cúbicos de água por segundo.

Outro dado apresentado durante a visita foi o volume de concreto empregado na construção do empreendimento, estimado em 9,2 milhões de metros cúbicos. As dimensões do complexo ajudam a explicar a necessidade de acompanhamento permanente das estruturas e das condições hidrológicas que influenciam a operação da barragem e do reservatório.

A empresa informou que a segurança da usina é orientada pelo Plano de Segurança de Barragens (PSB) e pelo Plano de Ação de Emergência (PAE). Os documentos, segundo a operadora, seguem as diretrizes da Política Nacional de Segurança de Barragens e da regulamentação aplicável ao setor elétrico.

O PSB reúne os procedimentos voltados ao acompanhamento das condições de segurança das estruturas. Já o PAE estabelece protocolos que devem ser seguidos em situações de emergência, incluindo a definição de responsabilidades, meios de comunicação e ações previstas para as áreas abrangidas pelo plano.

Também fazem parte da rotina as Revisões Periódicas de Segurança. Conforme foi informado à imprensa, essas avaliações consideram aspectos estruturais, hidrológicos, geológicos, sismológicos e operacionais. A revisão periódica busca atualizar o diagnóstico sobre as condições da barragem a partir dos dados de operação, inspeções e análises técnicas realizadas ao longo do tempo.

A operadora relatou ainda que promove treinamentos e simulados de evacuação com trabalhadores, órgãos públicos e comunidades situadas nas áreas previstas no Plano de Ação de Emergência. Os exercícios são voltados ao teste de procedimentos e à integração entre as instituições que podem ser mobilizadas em ocorrências excepcionais. A atividade também serve para verificar rotas, fluxos de comunicação e a preparação dos participantes.

Durante a coletiva, o presidente da AXIA Energia na Região Norte, Antonio Pardauil, afirmou que a segurança de barragens não depende de uma única inspeção ou de um único equipamento. Segundo ele, o trabalho combina monitoramento, análise técnica, manutenção e preparação das equipes para medidas preventivas.

A visita da imprensa se concentrou na apresentação da estrutura de monitoramento, nos planos de segurança e nas rotinas adotadas pela operadora. O material divulgado não detalhou leituras recentes dos instrumentos, eventuais alertas registrados no período ou os resultados das últimas revisões periódicas de segurança.

A segurança de barragens é regulada por normas federais e envolve acompanhamento do empreendedor, fiscalização dos órgãos competentes e adoção de planos de prevenção e resposta a emergências. No caso de Tucuruí, os dados apresentados pela operadora indicam que o sistema de acompanhamento se apoia em instrumentação, inspeções, avaliações periódicas e simulados de resposta.