Correio de Carajás

Promessa no discurso, abandono no Asdrubão

Arena Itacaiunas Asdrúbal Bentes segue sem condições de jogos profissionais. Promessa feita pelo prefeito há mais de um ano e meio nunca foi cumprida.

Arquibancada de estádio com plantas silvestres crescendo nas escadas amarelas desgastadas.
A imagem é de completo abandono na nova “velha” Arena Itacaiunas Asdrúbal Bentes
Por: Chagas Filho
✏️ Atualizado em 12/08/2026 16h16

Entregue à população em dezembro de 2024, a Arena Itacaiunas Asdrúbal Bentes continua sem reunir condições para receber uma partida de futebol profissional. Mais de um ano e meio depois de a atual gestão municipal prometer investimentos no estádio, o cenário encontrado pela reportagem é de abandono.

O problema já trouxe consequências esportivas para o Águia de Marabá. Em 2025, o clube precisou deixar a cidade para disputar no Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, em Belém, seu confronto pela Copa do Brasil contra o Fluminense. A partida terminou com goleada do time carioca.

Agora, a preocupação é com a Série D do Campeonato Brasileiro. O Águia corre o risco de novamente não poder mandar seus jogos em Marabá caso o Zinho Oliveira não atenda às exigências da competição (mínimo de 4 mil lugares). A diretoria do clube já avalia alternativas, entre elas o estádio de Breu Branco.

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A PROMESSA QUE FICOU NO CAMINHO

Em 23 de janeiro de 2025, pouco mais de um mês depois da entrega da Arena Itacaiunas, o prefeito Tony Cunha afirmou, em suas redes sociais, que resolveria os problemas do estádio.

Na ocasião, ele afirmou que já tinha pedido à Controladoria Geral do Município (Congem) para fazer um levantamento das necessidades de adequação do novo estádio. Mas até agora ninguém sabe isso foi formalizado. “Marabá tem prefeito”, bradou nas redes sociais.

Desde então, passaram-se 1 ano, 6 meses e 20 dias, nesta quarta-feira (12). A reportagem voltou à Arena Itacaiunas e encontrou praticamente o mesmo cenário de quando a promessa foi feita.

O gramado está seco, com vegetação crescendo nas proximidades do campo. Mato também aparece entre as arquibancadas. Dentro do estádio, poeira, teias de aranha, sujeira e materiais espalhados compõem o ambiente. A impressão é de que o estádio ficou parado no tempo.

PROBLEMA PODE CHEGAR AO PARAZÃO

Em Belém, começa a ganhar força a possibilidade de Remo e Paysandu defenderem, no Congresso Técnico do Campeonato Paraense, que partidas envolvendo os dois clubes sejam realizadas somente em estádios com capacidade mínima de 4 mil torcedores.

Caso a proposta avance, o Águia poderá enfrentar dificuldades também para disputar o Parazão em Marabá, pois o Estádio Zinho Oliveira, onde o Azulão manda seus jogos e costuma ter muita força, tem capacidade para apenas 2.320 lugares.

O clube, portanto, está diante de um problema que não depende apenas do futebol. A falta de estrutura adequada nos estádios da cidade pode obrigar o time a viajar para disputar partidas que deveriam movimentar o futebol profissional dentro de casa.

PREFEITURA NÃO RESPONDE

A reportagem solicitou à Prefeitura de Marabá informações sobre os investimentos previstos para a Arena Itacaiunas, quando as obras ou adequações serão realizadas e se existe um cronograma para que o estádio possa receber partidas profissionais. Mas Até o fechamento desta reportagem, porém, não houve resposta.

Enquanto isso, permanece o contraste entre o que foi prometido e o que pode ser visto no estádio. A Arena Itacaiunas foi entregue à população, mas continua sem conseguir cumprir uma de suas principais funções: ser uma casa capaz de receber o futebol profissional de Marabá.