📅 Publicado em 10/08/2026 16h32✏️ Atualizado em 10/08/2026 16h33
O Ministério Público do Pará denunciou duas mulheres à Justiça de Marabá por suposta coação no curso de um processo criminal que tramita na Comarca. A denúncia envolve a advogada Cristina Alves Longo e Wanna Araújo da Silva, acusadas de tentar influenciar o depoimento de uma testemunha de um processo que seria julgado pelo Tribunal do Júri. O Poder Judiciário acolheu a denúncia e a ação tramita na 2ª Vara Criminal de Marabá.
Segundo o Ministério Público, a testemunha Alessandra Souza Coelho havia declarado no processo que seu veículo esteve no local de um homicídio para dar fuga ao réu João Batista Silva Viana. Cristina Longo atuava como advogada de defesa do acusado.
Ainda de acordo com a denúncia, em agosto de 2025, Alessandra teria ido duas vezes ao escritório da advogada, no bairro Amapá. Na segunda ocasião, conforme o relato apresentado à polícia, Cristina teria pedido que a testemunha modificasse sua versão sobre o motivo pelo qual seu veículo estava no local do crime. A acusação afirma que teria ocorrido, ainda, uma ameaça de prisão caso o depoimento não fosse alterado.
Leia mais:
A investigação também reuniu mensagens enviadas por Wanna a Alessandra pelo Facebook, em setembro de 2025. A própria Wanna confirmou à polícia o envio das mensagens, mas negou que tivesse pedido à testemunha para modificar o depoimento. Segundo ela, queria saber o que Alessandra havia declarado porque o caso também a envolvia.
Com base nos depoimentos, nas mensagens e em outros elementos do inquérito, a Polícia Civil indiciou as duas mulheres por coautoria no crime previsto no artigo 344 do Código Penal Brasileiro (CPB), que trata de coação no curso do processo.
O Ministério Público ofereceu a denúncia em abril deste ano.
DEFESA
O CORREIO procurou a advogada Cristina Longo, por telefone. Mas ela disse que prefere não se manifestar neste momento. Mas, por meio de sua defesa na denúncia, Cristina sustenta que não há elementos objetivos suficientes para comprovar que ela tenha feito uma grave ameaça e afirma que a acusação se baseia essencialmente no relato de Alessandra. A defesa também argumenta que uma orientação jurídica não pode ser automaticamente interpretada como ameaça.
Já a advogada Eliane Oliveira dos Santos, que atua na defesa de Wanna Araújo afirma, também dentro do processo, que não há provas de que ela tenha participado de qualquer plano para alterar o depoimento. Sustenta ainda que as mensagens não contêm violência ou grave ameaça e que os registros das conversas não passaram por perícia técnica.
Ainda não houve decisão definitiva sobre a responsabilidade penal das acusadas.
