Correio de Carajás

Pais que partiram, ensinamentos que ficaram: histórias marcadas pelo amor

Artur Vitor Carvalho Stevanim tinha apenas 9 anos quando perdeu o pai, Nazário de Oliveira Stevanim, vítima de um aneurisma cerebral/ Fotos e vídeos: Theíza Cristhine e Arquivo pessoal
Por: Theíza Cristhine
✏️ Atualizado em 08/08/2026 08h32

O Dia dos Pais é uma data de celebração para muitas famílias, mas também pode ser um momento de saudade para quem já perdeu o pai. A ausência se torna ainda mais evidente em uma data marcada por abraços, homenagens e encontros familiares.

O Correio de Carajás mergulha na vida de três filhos que vivem essa realidade e compartilham histórias dos ensinamentos e as lembranças que permanecem.

Artur Vitor Carvalho Stevanim tinha apenas 9 anos quando perdeu o pai, Nazario de Oliveira Stevanim, vítima de um aneurisma cerebral. Hoje, já adulto, ele ainda guarda na memória pequenos momentos vividos ao lado do pai, que era barbeiro.

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“Eu lembro que todos os dias ele me dava um dinheiro para comprar um biscoito no mercado”, conta.

Entre as recordações da infância, Artur também guarda os cortes de cabelo feitos pelo pai. Barbeiro, Nazario costumava criar estilos diferentes para o filho, inclusive com cores.

Apesar das boas lembranças, a ausência se torna mais presente em datas como o Dia dos Pais.

Se pudesse conversar novamente com o pai, Artur teria uma mensagem simples: “Pai, eu acho que consegui”. A frase resume a sensação de ter seguido os ensinamentos deixados por Nazario, que queria que o filho fosse “um homem de valor” e uma pessoa honesta.

O abraço também estaria entre os gestos que gostaria de repetir.

A saudade também faz parte do Dia dos Pais de Maria Moura. O pai dela, Manoel da Costa Lima, morreu aos 75 anos, durante a pandemia de Covid-19. Segundo Maria, ele tinha boa saúde e não costumava reclamar de nada.

A perda aconteceu em um período em que muitas famílias enfrentavam o medo e as restrições provocadas pela pandemia. Pouco tempo depois, veio o primeiro Dia dos Pais sem Manoel.

Se pudesse tê-lo novamente à sua frente, Maria sabe o que diria: “Pai, eu te amo. Daria aquele abraço bem forte que ele também gostava de receber e diria: o senhor é especial. Feliz Dia dos Pais.”

Maria Moura perdeu o pai, Manoel da Costa, aos 75 anos, durante a pandemia de Covid-19

Para Dalvina da Costa Santos, que perdeu o pai, Deoclécio Pereira dos Santos, em 2020, vítima de câncer de próstata, a saudade também permanece. Mas, entre as lembranças, ela guarda uma conversa que hoje considera ainda mais importante. Quando soube que o pai estava doente, Dalvina estava em outra cidade. Ao encontrá-lo, conseguiu dizer que o amava. Pela primeira vez, também ouviu dele as mesmas palavras.

“Eu cheguei nele, disse que o amava. Eu nunca tinha ouvido isso da sua boca. E ele repetiu pra mim que também me amava.”

A experiência da perda mudou a forma como Dalvina enxerga a convivência entre pais e filhos. Para ela, quem ainda tem os pais vivos deve aproveitar a oportunidade.

Dalvina da Costa Santos perdeu o pai, Deoclécio Pereira dos Santos, em 2020, vítima de câncer de próstata

“A gente hoje tem, amanhã já não sabe se tem. Então acho que aproximação e convivência são as melhores coisas.”

A mensagem também é compartilhada por Artur, que aconselha quem ainda pode comemorar a data ao lado do pai: “Aproveite, que um dia todos vão partir. Dê valor, respeite e tente passar o máximo de tempo perto de seus pais”.

O Dia dos Pais, para quem perdeu, pode ser marcado pela falta. Para quem ainda tem o pai por perto, pode ser uma oportunidade de valorizar a presença.