Dormir não é simplesmente desligar o corpo por algumas horas. Enquanto descansamos, o organismo regula o metabolismo, consolida memórias e reorganiza funções importantes para o cérebro. Por isso, tanto a duração quanto a qualidade e a regularidade do sono fazem diferença.
Dormir mal pode provocar sonolência, cansaço, irritabilidade e queda na atenção. Também pode afetar a memória, aumentar o apetite e prejudicar a capacidade de controlar a fome e a saciedade. Quando a privação se torna frequente, os impactos vão além do dia seguinte e podem aumentar riscos à saúde.
O sono, portanto, é uma função vital, tão necessária à manutenção do organismo quanto a alimentação.
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O que acontece no cérebro durante o sono
Uma das tarefas realizadas durante o descanso está relacionada à circulação do líquido cefalorraquidiano, que alcança o tecido cerebral e participa da remoção de resíduos do metabolismo. Entre eles está a beta-amiloide, proteína associada à doença de Alzheimer.
O sono também é fundamental para consolidar memórias. Quando o descanso é insuficiente, a atenção e a capacidade de aprender ficam comprometidas, o que dificulta a formação de novas lembranças. Além disso, dormir pouco compromete os estímulos e respostas psicomotoras, aumentando o risco de causar acidentes.
Dormir pouco ou demais faz mal?
A necessidade de sono varia de pessoa para pessoa. De maneira geral, uma faixa de seis a nove horas por noite atende boa parte dos adultos, com maior concentração em torno de sete horas. Tanto dormir pouco quanto dormir demais de forma habitual aparecem associados a maior risco de problemas de saúde e mortalidade.
Uma noite ruim, porém, não significa que algo esteja errado. O problema está principalmente na repetição. A privação pontual pode causar sonolência, fadiga, mau humor e dificuldade de concentração que tendem a melhorar depois de noites adequadas.
Já a falta de sono prolongada merece atenção. Além de prejudicar o desempenho e aumentar o risco de acidentes, pode estar relacionada a problemas cardiovasculares e alterações metabólicas.
A apneia do sono é outro ponto importante. A doença provoca interrupções repetidas da respiração durante a noite e pode elevar o risco de hipertensão, arritmias, infarto e AVC.
Como dormir melhor
Não existe um ritual universal, mas alguns hábitos favorecem o descanso:
- Mantenha horários regulares: dormir e acordar em horários semelhantes todos os dias ajuda a regular o relógio biológico;
- Prepare o quarto: um ambiente escuro, confortável, silencioso e com temperatura agradável entre 21°C e 23°C favorece o sono;
- Desacelere à noite: leitura, meditação, exercício de respiração, música tranquila e banho morno podem ajudar o corpo a entrar no ritmo de descanso;
- Diminua a iluminação: luzes mais fracas e quentes no período noturno ajudam a sinalizar que o dia está terminando;
- Reserve a cama para dormir: trabalhar, estudar ou realizar atividades estressantes na cama pode dificultar a associação do ambiente com o descanso;
- Mantenha-se ativo: exercícios regulares e alimentação equilibrada também contribuem para uma boa noite de sono;
- Aposte nos chás calmantes: Chás quentes de maracujá, erva-cidreira e capim-limão consumidos à noite podem ajudar a relaxar o corpo e facilitar o início do sono.
O que evitar antes de deitar
- Celular, tablet e computador podem atrapalhar o início do sono, especialmente quando usados perto da hora de dormir.
- Café e outras bebidas com cafeína também podem permanecer estimulantes por várias horas, o ideal é evitar depois das 16 horas.
- O cigarro também deve ser evitado, já que a nicotina tem efeito estimulante.
- Refeições muito pesadas próximas do horário de deitar podem causar desconforto.
- O álcool, embora inicialmente provoque sensação de relaxamento, tende a fragmentar o sono.
- Exercícios físicos são aliados do sono, mas treinos muito intensos perto da hora de dormir podem atrapalhar algumas pessoas.
Se a dificuldade para dormir é frequente ou começa a interferir na rotina durante o dia, vale investigar a causa. Sono adequado não é apenas uma questão de disposição ao acordar. Ele participa diretamente do funcionamento do cérebro e do equilíbrio do organismo.
(Fonte:UOL)
