📅 Publicado em 05/08/2026 09h33✏️ Atualizado em 05/08/2026 11h53
Há 30 anos, em 6 de agosto de 1996, Charles Namara concluía a graduação em Medicina. Naquele momento, o recém-formado não imaginava que a carreira o levaria a uma especialidade capaz de identificar, muitas vezes antes dos primeiros sintomas, doenças que podem mudar completamente a vida de um paciente.
Hoje, após mais de duas décadas de atuação em Marabá, Charles é uma das referências em radiologia no município. Sua trajetória começou quando os equipamentos ainda eram analógicos e as imagens eram de baixa qualidade. Desde então, o médico acompanha a evolução tecnológica que muda a forma de produzir e interpretar exames de imagem.
Em um momento em que a Inteligência Artificial (IA) começa a ganhar espaço na rotina da saúde, Charles faz uma ressalva: nenhum avanço tecnológico substitui a experiência e o olhar clínico do médico.
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TRAJETÓRIA
Formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em 1996, Charles iniciou a carreira na pediatria, mas logo decidiu seguir outro caminho. O interesse pela radiologia surgiu ainda na graduação, influenciado pela convivência com um colega cujo pai também era radiologista.
“Foi ali que comecei a entender a especialidade e me interessar por ela. Na época, a radiologia era muito mais limitada. Havia poucos tomógrafos, praticamente não existia ressonância magnética e a tecnologia disponível era completamente diferente da atual”, relembra.
A especialização foi realizada entre 2000 e 2003, no Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro. Pouco depois, aceitou o convite de um amigo para trabalhar em Marabá, aonde chegou em 2003.
À época, a rede de saúde do município ainda estava em expansão. O primeiro local de trabalho foi no então Hospital Celina Gonçalves. Depois, aprovado em concurso público, passou a atuar também no Hospital Municipal de Marabá (HMM), onde permaneceu até 2025.
Ao longo de mais de duas décadas, Charles conciliou o trabalho na rede pública com a iniciativa privada. Participou da implantação da Climagem e da expansão dos serviços de diagnóstico por imagem em Marabá. Anos depois, em 2014, inaugurou o próprio espaço de exame de imagem, a Clínica de Radiologia Charles Namara (CRCN).
Hoje, lidera uma equipe de três colaboradores e dedica-se exclusivamente aos exames de ultrassonografia.

REVOLUÇÃO DA RADIOLOGIA
Enquanto construía a carreira em Marabá, Charles viu a radiologia passar por uma das maiores transformações da medicina. Quando iniciou a especialização, grande parte dos equipamentos ainda funcionava de forma analógica. A chegada da computação mudou completamente esse cenário.
“A radiologia antes do computador era uma coisa. Depois veio outra completamente diferente. A melhoria do processamento dos computadores permitiu equipamentos mais rápidos, mais precisos e com qualidade de imagem muito superior. Em 30 anos, a evolução foi de praticamente 100%”, analisa.
Hoje, radiografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, mamografia, ultrassonografia e medicina nuclear fazem parte de uma estrutura diagnóstica muito mais ampla do que existia no início de sua carreira.
Para quem não trabalha na área, um exame de imagem pode parecer apenas uma fotografia do interior do corpo. Na prática, porém, ele depende de um complexo processamento de dados para produzir imagens cada vez mais precisas. É nesse cenário que a inteligência artificial começa a ocupar espaço.
Charles explica que essas ferramentas já auxiliam os profissionais desde o processamento das imagens até a elaboração de laudos e a identificação de padrões associados a doenças. Esse avanço permite detectar nódulos pulmonares de apenas dois milímetros, aproximadamente o tamanho da cabeça de um alfinete, além de identificar lesões mamárias ainda nos estágios iniciais.
Aliada à experiência do radiologista, a tecnologia contribui para diagnósticos mais precoces e aumenta as chances de sucesso no tratamento dos pacientes.
TECNOLOGIA NÃO SUBSTITUI O MÉDICO
Apesar dos avanços, Dr. Charles acredita que a tecnologia deve ser encarada como ferramenta de apoio, nunca como substituta do profissional.
Segundo ele, a expansão da telemedicina ampliou o acesso aos exames de imagem, principalmente em municípios que não contam com radiologistas de forma permanente. Ainda assim, o contato com o paciente continua sendo um diferencial.
“Quando o radiologista conhece o paciente, conversa com ele e entende o contexto clínico, o diagnóstico melhora muito. A imagem sozinha mostra muita coisa, mas ganha outro significado quando é interpretada junto com a história daquela pessoa”.
Depois de mais de 20 anos analisando exames diariamente em Marabá, Charles afirma que a experiência continua sendo o principal instrumento do radiologista.
“Hoje, olhando para quando comecei, percebo que ainda era muito cru, mesmo depois de quatro anos de formação na especialidade. A prática ensina nuances que nenhum livro consegue mostrar completamente”.
É essa percepção que orienta o conselho dado aos profissionais que estão começando. Para ele, a radiologia tornou-se ampla demais para ser dominada apenas durante a residência. O caminho passa pelo estudo permanente, pelas subespecializações e pela experiência acumulada ao longo dos anos.
“Não existe pressa. É preciso estudar muito, buscar novas áreas de conhecimento e entender que o aprendizado continua por toda a vida”.
Ao revisitar três décadas de profissão, Charles afirma que o maior patrimônio construído não está apenas na evolução dos equipamentos, mas na capacidade de interpretar cada imagem com segurança e responsabilidade.
“Muitas pessoas nem imaginam, mas um diagnóstico feito no momento certo pode mudar completamente uma história”.
