📅 Publicado em 28/07/2026 14h27
Julho é marcado pelo aumento da movimentação nas praias que surgem às margens do Rio Tocantins durante o verão amazônico. Em Marabá, esses cenários atraem famílias, turistas e visitantes em busca das belezas naturais da região. Entretanto, a crescente procura por esses espaços também tem trazido problemas que ameaçam a preservação ambiental das ilhas e praias do município.
Na tarde deste domingo (26), um morador da região da Praia do Espírito Santo registrou em vídeo a situação encontrada após a saída de grupos que passaram o fim de semana acampados no local. As imagens mostram uma extensa quantidade de lixo espalhada pela areia, incluindo latas de bebidas, embalagens plásticas, restos de fogueiras e outros resíduos deixados por frequentadores.
A Praia do Espírito Santo fica a aproximadamente 10 quilômetros da área urbana de Marabá e é um dos destinos mais procurados durante a temporada de praias. Segundo o denunciante, a falta de conscientização de parte dos visitantes tem causado impactos cada vez mais visíveis.
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“Olha aí, meu povo, o que está acontecendo aqui na praia. O pessoal vem passar o final de semana, bebe, deixa tudo sujo aqui na areia. Tem latinha, restos de fogueira, madeira espalhada. O pessoal não tem zelo pela praia. Isso é muito ruim para a nossa região”, relata o morador no vídeo.
Ainda nas gravações, ele faz um apelo para que os visitantes recolham os próprios resíduos antes de deixar o local. O denunciante também pede apoio dos barqueiros que transportam turistas para as ilhas, sugerindo que eles orientem os passageiros sobre a importância de manter as praias limpas. “Vamos aproveitar, tomar banho e curtir, mas quando for embora deixe tudo limpo. É uma praia linda e não custa nada recolher o lixo. Olha a quantidade de sujeira que ficou aqui”, acrescenta.
A situação preocupa moradores e pessoas envolvidas em ações de preservação ambiental na região. A vereadora Vanda Américo (União Brasil), que acompanha iniciativas de conscientização nas ilhas do Rio Tocantins, afirmou que o problema não é recente e tem se agravado com o aumento do fluxo de visitantes.
Segundo ela, desde 2017 um trabalho de educação ambiental é desenvolvido por meio do Projeto Sarã, realizado em parceria com moradores e voluntários. A iniciativa promove a instalação de placas educativas, distribuição de mudas e ações voltadas à preservação das matas ciliares e das praias. “Lamentavelmente, neste momento de grande divulgação das ilhas e das belezas naturais da região, está atraindo muita gente que não tem compromisso com o meio ambiente. Vão acampar, deixam lixo, fazem desmatamento e voltam a degradar áreas que estamos tentando recuperar há anos”, afirma.

A parlamentar destacou que, em anos anteriores, o projeto chegou a custear a coleta de resíduos na Praia do Espírito Santo durante os meses de julho e agosto. O serviço era realizado por um trabalhador da comunidade, que recolhia o lixo deixado nas praias e distribuía sacos para que os campistas armazenassem seus resíduos e os levassem de volta.
Mesmo com essas iniciativas, Vanda avalia que a responsabilidade pela manutenção da limpeza deve ser compartilhada pelo poder público e pelos frequentadores. Ela informou ainda que tem buscado apoio junto ao Ministério Público para cobrar ações permanentes de limpeza e fiscalização nas ilhas e praias de Marabá.
“A frequência dos acampamentos aumentou muito e, junto com ela, cresce novamente a falta de consciência ambiental. Encontramos garrafas PET e outros resíduos sendo descartados nos rios. Precisamos de um processo contínuo de conscientização e de uma atuação mais efetiva para preservar essas áreas”.
A vereadora também chamou atenção para o impacto causado pelo chamado turismo irresponsável. Para ela, a divulgação das belezas naturais da região deve vir acompanhada de orientações sobre preservação ambiental e respeito aos espaços naturais.
Enquanto a temporada de praias segue movimentando as ilhas de Marabá, moradores e defensores do meio ambiente reforçam o apelo para que visitantes recolham seus resíduos e adotem práticas responsáveis, evitando que um dos principais patrimônios naturais da região seja prejudicado pela própria ação humana.
