Correio de Carajás

Hidrelétrica de Tucuruí conclui nova etapa de modernização

Segunda unidade modernizada entra em operação em Tucuruí dentro de plano de R$ 1,5 bilhão

O projeto é considerado a maior intervenção de modernização de usinas no Brasil
✏️ Atualizado em 25/07/2026 08h22

A Usina Hidrelétrica (UHE) de Tucuruí (PA) alcançou um novo marco em seu processo de revitalização estrutural. A concessionária AXIA Energia, atual operadora do complexo, anunciou ter finalizado a modernização da Unidade Geradora 1 (UG01), que já retornou à operação comercial e foi reintegrada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A entrega faz parte de um plano de investimentos estimado em R$ 1,5 bilhão, projetado para se estender até 2029.

O projeto em andamento é considerado a maior intervenção de modernização de usinas hidrelétricas no Brasil. O objetivo principal não é ampliar a capacidade de geração de energia, mas sim substituir e atualizar equipamentos que estão próximos do fim de sua vida útil. A estratégia busca assegurar a confiabilidade, a disponibilidade e a segurança operacional do complexo, que completou quatro décadas de funcionamento ininterrupto e desempenha um papel central na segurança energética do país.

Segundo o diretor-presidente da AXIA Energia na região Norte, Antonio Pardauil, a entrada em operação da UG01 representa a consolidação de uma fase crucial do programa. Os recursos aplicados visam garantir que a hidrelétrica mantenha seus níveis de excelência pelas próximas décadas, operando com eficiência e sem riscos de interrupção que possam afetar o consumidor final. A modernização da UG01 exigiu a mobilização de uma equipe expressiva, somando 180 trabalhadores diretos e cerca de 600 indiretos, enquanto o restante da usina continuou gerando energia e sendo monitorada sem sobressaltos.

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O cronograma de obras é extenso. Além das atualizações já finalizadas nas Unidades Geradoras Hidráulicas 01 e 09, as equipes trabalham atualmente na modernização da unidade 07. Os próximos passos incluem a substituição dos equipamentos das unidades 03 e 05.

Até o término do plano, em 2029, a previsão é que todas as 25 unidades geradoras do complexo — distribuídas nas Casas de Força 1 e 2, além de duas unidades auxiliares e da Subestação de Tucuruí — passem por processos de atualização tecnológica.

O gerente executivo de Operação e Geração da UHE Tucuruí, Allan Lima, destacou que a conclusão da UG01 exigiu um alinhamento rigoroso entre diferentes especialidades técnicas para que os prazos e os requisitos fossem cumpridos. Esse nível de exigência técnica encontra suporte em inovações que já fazem parte do cotidiano da usina.

ESTRUTURA

Durante uma visita de jornalistas às instalações em março deste ano, os executivos confirmaram que ferramentas de Inteligência Artificial (IA) estão sendo empregadas no monitoramento do complexo.

A adoção de tecnologias de análise preditiva baseadas em IA permite que as equipes antecipem cenários e otimizem as intervenções nos equipamentos, melhorando os diagnósticos e reduzindo a necessidade de paradas não programadas. A vigilância do complexo é contínua, com equipes trabalhando em regime de turnos 24 horas por dia para assegurar o funcionamento pleno da usina.

A transição da gestão da usina, que passou do controle estatal da Eletronorte (Eletrobras) para a iniciativa privada em 2022, trouxe mudanças significativas na dinâmica de investimentos. Pardauil avalia que a nova configuração garantiu maior flexibilidade e agilidade aos processos, multiplicando a capacidade de aporte financeiro em comparação com o período estatal. A expectativa da operadora é que a modernização assegure a operação da hidrelétrica com máxima segurança por um horizonte de até 40 anos.

A magnitude da Usina de Tucuruí justifica o volume de recursos e a complexidade das operações. A planta é a maior hidrelétrica 100% brasileira e a sexta maior do mundo. Sua construção começou em 1975, no trecho inferior do Rio Tocantins, com a primeira etapa entrando em operação comercial em 1984.

A usina possui uma potência instalada de 8.535 megawatts (MW), gerando anualmente entre 50 e 60 terawatts-hora (TWh), o que a consolida como a principal fonte do Subsistema Norte do SIN.

A estrutura física impressiona. A barragem principal se estende por 11 quilômetros, e o vertedouro, equipado com 23 comportas, é o segundo maior do planeta, com capacidade para descarregar até 110.000 metros cúbicos de água por segundo. O represamento formou um lago artificial de 2.850 quilômetros quadrados. Além da geração de energia, o complexo abriga um sistema de eclusas que permite a navegação no Rio Tocantins, superando o desnível de 75 metros da barragem e mantendo a viabilidade de um dos corredores logísticos mais importantes da região amazônica.