Operação iniciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no dia 17 de junho mirou esquema de comercialização de suplementos alimentares adulterados por meio de comércio eletrônico. Segundo o MP, quadrilhas utilizavam marcas conhecidas e preços atrativos para atrair compradores e vender produtos de procedência e formulação duvidosa. Em fevereiro de 2024, uma ação da Polícia Civil localizou um laboratório clandestino utilizado para a fabricação.
Na instalação irregular, que continha um galpão para estocagem, a operação encontrou “grande quantidade de produtos farmacêuticos, centenas de encomendas prontas para envio e rótulos de milhares de produtos, evidenciando a escala industrial da operação criminosa”, diz o MPRJ em nota.
Problema que vem de algum tempo. Em fevereiro, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a apreensão de um suplemento alimentar em pó falsamente vendido sob a marca Equaliv Body Protein Cacau, mas não reconhecido por sua fabricante, o grupo Althaia. Desde 2022, a Anvisa alerta a respeito da comercialização de whey protein (a proteína do soro de leite) falsificado.
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Se o pó exibe coloração diferente daquele que você costuma comprar, cheira estranho, tem muito grumo ou não dissolve tão bem, vale ficar alerta, explicam especialistas consultados pela reportagem. “Embalagens com erros de impressão, lacres violados, ausência de informações sobre fabricante e preços muito abaixo da média do mercado também merecem atenção”, conclui o nutricionista Thyago Nishino. “Caso haja dúvidas, o ideal é suspender o consumo e verificar a procedência do produto.”
Geralmente é aquele preço em conta que surge como o primeiro atrativo. Suplementos vendidos pela quadrilha investigada no Rio, por exemplo, chegavam a ser vendidos até R$ 200 mais barato que o preço normalmente praticado, de acordo com apuração do G1.
Para tanto, as fórmulas podem contar com “ingredientes de baixo custo, usados para imitar a aparência e a textura do whey protein original, como amido, maltodextrina, leite em pó, farinha e açúcares adicionados”, explica o nutricionista Nishino.
São elementos do ramo dos carboidratos, espessantes e derivados lácteos, muitas vezes distintos da proposta original do whey. “Além de comprometer o valor nutricional do produto, essa prática impede que o consumidor saiba exatamente o que está ingerindo”, complementa o médico endocrinologista Rafael Suhett.
Whey falsificado faz mal?
Usar whey protein fake significa não apenas minar os ganhos proteicos da rotina. Também pode sim fazer mal, provocando desconfortos digestivos, alterações intestinais e reações adversas relacionadas aos ingredientes presentes na fórmula, segundo a médica endocrinologista Fernanda Parra. “A gravidade dos sintomas varia conforme a quantidade ingerida e as condições de saúde de cada indivíduo”, conclui a endocrinologista.
“Há até impactos metabólicos decorrentes do excesso de açúcares e carboidratos ocultos na fórmula“, explica Suhett. “Também existe a preocupação com possíveis contaminações durante a fabricação clandestina, uma vez que esses produtos geralmente não passam por fiscalização adequada.”
Cuidados com os suplementos
“Suplementos alimentares não devem ser vistos como substitutos de refeições ou soluções rápidas para melhorar a saúde e o desempenho físico. O consumo precisa estar alinhado às necessidades individuais e aos objetivos de cada pessoa”, adiciona Fernanda.
É recomendável, além de dar preferência a produtos de empresas reconhecidas, que emitam nota fiscal, buscar uma orientação profissional antes de suplementar. “A suplementação precisa ser individualizada e levar em conta fatores como histórico clínico, prática de atividade física, uso de medicamentos e necessidades nutricionais específicas”, conclui Suhett.
(Fonte: G1/por Leonardo Ávila)
