Correio de Carajás

Universitários do País vivem imersão na selva antes de missão no Projeto Rondon

Estudantes de diversas regiões do país tiveram o primeiro contato com a realidade da selva em Marabá antes de atuar em 18 municípios paraenses.

Militar instruindo grupo de pessoas vestindo coletes amarelos em área de floresta
Durante toda a manhã, os integrantes desta edição aprenderam noções básicas de sobrevivência na selva / Fotos: Evangelista Rocha
Por: Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 09/07/2026 17h37

A água pode estar escondida dentro de um cipó. O fogo pode nascer de gravetos secos. Em uma situação extrema, esses conhecimentos significam sobrevivência e para muitos dos 368 universitários que participam da centésima edição do Projeto Rondon, eles significaram também o primeiro contato com a realidade amazônica.

Antes de embarcarem para os 18 municípios paraenses que receberão o projeto, os estudantes trocaram, por algumas horas, as salas de aula pelo ambiente de selva. No 52º Batalhão de Infantaria de Selva (52º BIS), em Marabá, os participantes da Operação Carimbó viveram nesta quinta-feira (9) o chamado “Dia Verde”, uma programação voltada à ambientação e à preparação para os desafios que encontrarão durante as ações de cidadania e desenvolvimento social no interior do estado.

Ao longo da manhã, os rondonistas participaram de oficinas práticas conduzidas por militares, aprendendo técnicas de sobrevivência, orientação e utilização de recursos naturais em um ambiente característico da Amazônia. A proposta foi aproximar estudantes de diferentes regiões do país da realidade que encontrarão nos municípios onde atuarão nas próximas semanas.

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O treinamento busca oferecer uma primeira experiência com o ambiente amazônico, especialmente para quem nunca esteve na região, como explica o coordenador da atividade, capitão Vargas. “A intenção dessas instruções é basicamente ambientar os rondonistas para realmente conhecer um pouco desse ambiente operacional e prepará-los, de certa maneira, para quando forem distribuídos no interior do Pará”.

Para o capitão Vargas, as instruções oferecidas serão de grande serventia aos rondonistas

O militar destaca que receber estudantes de diversas universidades brasileiras também representa uma oportunidade de fortalecer o principal objetivo do Projeto Rondon, o de promover a troca de conhecimentos e contribuir para o desenvolvimento das comunidades atendidas.

Uma das oficinas foi a de obtenção de água e fogo, ministrada pelo primeiro-tenente Zavareze. A atividade simulou situações de sobrevivência em ambiente de selva, apresentando técnicas utilizadas diariamente pelos militares. Segundo o oficial, além do aprendizado prático, a oficina desperta uma nova percepção sobre a floresta amazônica.

“A gente demonstra como conseguir obter água e fogo, elementos essenciais para permanecer vivo em uma situação de emergência. A Amazônia é rica em recursos, mas, sem conhecimento, a pessoa pode acabar se colocando em situação de perigo”.

Zavareze: “Está sendo uma oportunidade interessante da gente colocar eles nessa situação que não é cotidiana e que é normal para gente daqui”

Entre os participantes estava a estudante do último período de enfermagem Ellen Souza, do Centro Universitário Alfredo Nasser, em Goiânia (GO), que participará das atividades em Bagre, na Ilha do Marajó e para ela, a experiência superou as expectativas.

“A gente não tem um contato tão próximo com essa realidade. É muito bom perceber as diferenças e tudo o que a região pode agregar. As expectativas são as melhores possíveis, conseguir ajudar as pessoas, aprender com elas e exercer a empatia”.

Ellen conta que poder oferecer oficinas de conteúdos que vê em sala de aula para as comunidades é uma excelente troca de vivências

Quem também participa pela primeira vez do projeto é a estudante de Jornalismo Sophia Bispo, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). Além da estreia no Projeto Rondon, ela também conheceu a Amazônia pela primeira vez durante a operação. Para a futura jornalista, a comunicação será uma das principais ferramentas de transformação nas comunidades.

“A gente vai levar informação verificada, combater fake news, mas também ajudar pessoas e instituições a comunicarem melhor suas iniciativas. O jornalismo aproxima as pessoas e fortalece a cidadania”.

Sophia: “Eu só escuto sobre a Amazônia na TV, então estar vivendo isso presencialmente é uma coisa muito transformadora”

Professor da UFJF e veterano do Projeto Rondon, Marcelo Carmo Rodrigues afirma que a experiência vai muito além da formação acadêmica. “O Projeto Rondon extrapola currículo. Ele transforma professores, alunos e comunidade. É uma experiência que muda a forma como enxergamos o país e as pessoas”.

A Operação Carimbó ocorre entre os dias 6 e 25 de julho e marca a 100ª edição do Projeto Rondon, coordenado pelo Ministério da Defesa. Ao todo, 368 rondonistas, entre professores e estudantes de 35 instituições de ensino superior, atuarão em 18 municípios paraenses, desenvolvendo oficinas nas áreas de saúde, educação, comunicação, cultura, meio ambiente, tecnologia, direitos humanos e geração de renda. A logística da operação conta com apoio da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira.

Após o Dia Verde, a programação segue nesta sexta-feira (10) com a cerimônia oficial de abertura da Operação Carimbó, no Centro de Convenções Carajás, e no sábado (11), os rondonistas embarcam para os municípios onde permanecerão durante as ações do Projeto Rondon.