Em resposta ao cenário climático previsto para o período de estiagem na Amazônia, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio do Centro de Apoio Operacional Ambiental (CAO Ambiental), realizou, no dia 26 de junho, reunião de alinhamento estratégico com promotores de Justiça e equipes técnicas de diversas comarcas do Estado.
O encontro virtual teve como objetivo definir diretrizes para o acompanhamento das ações de prevenção e combate às queimadas durante o chamado “verão amazônico” de 2026.
A iniciativa foi convocada pelo procurador-geral de Justiça, Alexandre Tourinho, e considera os alertas emitidos por instituições nacionais e internacionais de monitoramento climático, que apontam para a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño com intensidade de moderada a severa, associado à estiagem na região amazônica, fatores que elevam significativamente o risco de queimadas e incêndios florestais.
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“Este ano de 2026 é muito mais preocupante que os anos anteriores. Conjugado ao período da seca na Amazônia, com a redução dos índices pluviométricos e o aumento da temperatura já esperados, teremos a presença de fatores que poderão elevar drasticamente o risco de queimadas e incêndios florestais”, alertou o promotor de Justiça José Godofredo Pires, coordenador do CAO Ambiental.
Atuação preventiva
A reunião reuniu membros do Ministério Público que atuam em municípios com histórico de elevados índices de focos de calor registrados nos anos de 2024 e 2025. Entre as regiões acompanhadas estão a Calha Norte, Transamazônica, além de municípios como Marabá, Altamira, Novo Progresso e São Félix do Xingu, entre outros considerados prioritários para a atuação preventiva.
A grande preocupação do Ministério Público gira em torno das graves repercussões para a fauna e a flora da região, além do impacto severo na subsistência de populações tradicionais e comunidades em situação de maior vulnerabilidade social, que costumam ser as primeiras e mais afetadas pela fumaça e pela destruição de seus territórios.
Articulação institucional
Durante o encontro, os promotores de Justiça foram orientados, respeitando a independência funcional de cada comarca, a instaurar Procedimentos Administrativos para acompanhar as políticas públicas municipais voltadas à prevenção e ao combate às queimadas, buscando garantir a implementação dos planos de contingência e das ações de enfrentamento pelos municípios.
A reunião contou ainda com a participação da engenheira florestal Yasmin Andrade Ramos, coordenadora de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), fortalecendo a articulação entre o Ministério Público e o órgão ambiental estadual para o compartilhamento de dados de satélite com as vistorias de campo, agilizando respostas de comando e controle.
Com a iniciativa, o MPPA reforça que, diante de uma das previsões climáticas mais severas da década, a omissão governamental ou o uso ilegal do fogo não serão tolerados. A força-tarefa montada em Belém sinaliza que o Pará entra no período mais crítico do ano sob monitoramento rigoroso. (Fonte: MPPA)

