Correio de Carajás

Com R$ 546 milhões em caixa, Prefeitura é questionada sobre falta de serviços básicos

Na Câmara Municipal: audiência pública do 1º quadrimestre expõe contradição entre saúde financeira do município e carências da população

Dois homens em paletó sentados em uma mesa durante audiência pública sobre metas fiscais.
Audiência Pública do 1º Quadrimestre aconteceu no plenário da Câmara/ Fotos: Divulgação
Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 27/06/2026 09h35

A Câmara Municipal de Marabá realizou em 23 de junho a Audiência Pública do 1º Quadrimestre de 2026 para avaliação das metas fiscais do Poder Executivo Municipal. Os números apresentados pelo secretário municipal de Planejamento, Karam El Hajjar, revelaram um município com R$ 546 milhões disponíveis em caixa, receita corrente líquida de R$ 628 milhões e crescimento tributário de 17% no período. De outro lado, os dados financeiros favoráveis suscitaram críticas de vereadores, que questionaram a não aplicação dos recursos diante das carências relatadas pela população.

O contraste entre os cofres cheios e a realidade vivida pelos moradores foi o principal ponto de tensão da audiência. Vereadores relataram reclamações cotidianas da população sobre falta de material escolar nas escolas municipais, ausência de medicamentos nos postos de saúde e deficiências em serviços de saneamento básico — tudo isso enquanto a Prefeitura acumula meio bilhão de reais parado em conta.

“Chega a ser contraditório ver dinheiro sobrando enquanto as pessoas padecem na carência de serviços básicos”, afirmou o vereador Márcio do São Félix (PSDB), durante a sessão. O presidente da Câmara, Ilker Moraes (MDB), foi ainda mais direto ao encerrar os trabalhos: “Esses exemplos ratificam a mais pura incapacidade de gestão vivida pela Prefeitura de nosso município.”

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“Os dados expostos aqui destoam dos relatos ouvidos por nós todos os dias. Temos reclamações da população relacionadas à falta de material escolar nas instituições de ensino, ausência de medicamentos nos postos de distribuição, entre muitas outras situações. Temos que rever esse cenário. O dinheiro público deve ser aplicado no bem-estar social e, em Marabá, não estamos vendo isso acontecer”, enfatizou Vanda Américo (União).

Vereadores questionaram a falta de investimentos básicos

Zona rural esquecida

Além da falta de serviços básicos, vereadores apontaram desequilíbrio na distribuição geográfica dos investimentos. Dados apresentados na audiência indicam concentração de obras de pavimentação no núcleo Cidade Nova, enquanto outras localidades do município recebem volumes significativamente menores.

A situação da zona rural foi outro ponto de crítica. Apenas R$ 1,9 milhão foi investido em políticas públicas para a agricultura familiar no primeiro quadrimestre — valor que o vereador Marcos Paulo da Agricultura (PDT), ligado ao setor, considera insuficiente para atender a extensão territorial e as necessidades dos pequenos produtores rurais de Marabá.

“Com base na minha experiência, seria necessário que tivéssemos investido no mínimo R$ 6 milhões, montante capaz de atender nossa gigantesca zona rural, que nesta atual gestão tem sido amplamente desassistida. Se continuarmos assim, a Agricultura Familiar de Marabá enfrentará dias muito difíceis. É triste vermos tantos recursos em conta enquanto as necessidades da população estão aí. Precisamos de mais apoio na Seagri”, enfatizou.

Despesas crescem

Os próprios dados da Prefeitura revelam um desequilíbrio interno: enquanto a receita tributária cresceu 17%, as despesas correntes avançaram mais de 20%, atingindo cerca de R$ 400 milhões.

A Prefeitura não apresentou, durante a audiência, um cronograma de aplicação dos recursos acumulados em caixa nem respondeu diretamente às críticas sobre a concentração dos investimentos.

O secretário de Planejamento encerrou sua participação destacando a “saúde financeira considerável” do município, sem comentar os questionamentos sobre a destinação dos recursos.