Correio de Carajás

Matriarca da maior família da Folha 28 descansa aos 96 anos

Ela deixa legado que atravessa quatro gerações em Marabá, com exemplo de união familiar e fé para a comunidade

Dona Mariá foi exemplo de união familiar e pioneirismo na Folha 28
Por: Ulisses Pompeu

A família Saraiva e os moradores mais antigos da Folha 28, na Nova Marabá, despedem-se de uma de suas figuras mais respeitadas e queridas. Faleceu às 17h15 desta terça-feira (23), aos 96 anos de idade, no Hospital Municipal de Marabá, Maria da Conceição Vasconcelos Saraiva, conhecida por todos simplesmente como “Dona Mariá”.

Viúva de Ladislau Saraiva Filho, Dona Mariá construiu ao lado do esposo uma trajetória marcada pela coragem, pela dedicação à família e pela contribuição para a formação de uma das mais tradicionais famílias de Marabá. Natural de José de Freitas, no Piauí, ela participou de uma verdadeira jornada de pioneirismo ao lado do marido, que chegou primeiro ao município para desbravar novos caminhos e, posteriormente, retornou para buscar a esposa e os filhos.

Quatro gerações dos Saraiva se formaram em Marabá sob a tutelar de uma mulher sóbria e determinada

A mudança para o Pará ocorreu quando Dona Mariá tinha aproximadamente 32 anos de idade e já era mãe de cinco filhos. Durante a viagem, enfrentou a dor da perda da pequena Laura, de 5 anos de idade. Ao longo da vida, teve 11 filhos e transformou sua casa em um símbolo de acolhimento, afeto e união familiar durante várias décadas.

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A trajetória da família em Marabá começou no Bairro Santa Rosa, passou pela Rua 5 de Abril e, desde 1978, fincou raízes na Folha 28. Foi ali que os Saraiva cresceram, prosperaram e se identificaram profundamente com a comunidade, tornando-se parte da história de um dos bairros mais antigos e tradicionais do núcleo Nova Marabá.

Mais do que uma mãe dedicada, Dona Mariá tornou-se a matriarca de uma extensa e admirável árvore genealógica. Deixa 32 netos, 30 bisnetos e quatro tataranetos, números que refletem não apenas a dimensão da família, mas também a força dos laços construídos ao longo de quase um século de vida.

A união familiar sempre foi uma das marcas de sua história. Anualmente, filhos, netos e bisnetos reuniam-se em sua residência, localizada na Quadra 3, Lote 21, da Folha 28, para celebrar seu aniversário. Os encontros transformavam a casa em um ponto de reencontro de gerações, reunindo familiares vindos de diferentes cidades e estados brasileiros.

Neste ano, a família também celebrou uma data especial: em 26 de maio, Dona Mariá e Ladislau completariam 75 anos de matrimônio. A ocasião foi lembrada pelos familiares como um marco da história de amor, companheirismo e perseverança que ambos construíram juntos.

O sobrenome Saraiva tornou-se, ao longo das décadas, uma referência em Marabá. Integrantes da família atuam em diversos segmentos da sociedade, contribuindo para o desenvolvimento do município e, também, de outras regiões do país. A presença dos Saraiva em diferentes áreas profissionais e comunitárias reflete os valores transmitidos por Dona Mariá e por seu esposo: honestidade, trabalho, respeito e compromisso com a família. Ela criou todos os filhos baseados na fé católica apostólica romana.

Os filhos do casal são Maria de Fátima Vasconcelos Saraiva, João Evangelista Vasconcelos Saraiva, Laura Vasconcelos Saraiva, Edivá Vasconcelos Saraiva, Marlene Vasconcelos Saraiva, Carlos Alberto Saraiva, Antônio Carlos Vasconcelos Saraiva, Ladislau Saraiva Neto, Marlúcia Saraiva Vasconcelos, Orlandina Vasconcelos Saraiva e Orlando Vasconcelos Saraiva.

A notícia de seu falecimento entristeceu familiares, amigos e moradores tradicionais da Folha 28, que reconhecem em Dona Mariá uma das personagens que ajudaram a construir a identidade comunitária do bairro ao longo das últimas décadas.

O corpo está sendo velado em sua residência, na Folha 28. O sepultamento está previsto para a tarde desta quarta-feira (24), no Cemitério da Saudade, na Folha 29.

Ao partir aos 96 anos, Dona Maria deixa uma herança que ultrapassa gerações. Seu legado permanece vivo nos filhos, netos, bisnetos e tataranetos, mas também na memória de uma comunidade que aprendeu a admirar uma mulher simples, forte e determinada, cuja história se confunde com a própria história de muitas famílias pioneiras que ajudaram a construir Marabá.