📅 Publicado em 25/06/2026 13h07✏️ Atualizado em 26/06/2026 17h47
Sob um calor intenso que facilmente ultrapassava a sensação térmica para perto dos 40°C, atletas profissionais, entusiastas e espectadores de diferentes regiões do Brasil e do exterior se reúnem em Marabá para a Amazônia Open, competição internacional de beach tennis que tem colocado o sudeste paraense no mapa mundial da modalidade. Entre o som das arquibancadas, o vai e vem da areia e o ritmo acelerado das partidas, o torneio vai além da disputa esportiva. O evento tem movimentado a economia local, atraído turistas e consolidado a cidade como um polo capaz de receber competições de grande porte, inclusive com chancela internacional.
Realizado pela primeira vez em Marabá, o Amazônia Open reúne atletas de nove países e integra o seleto circuito da International Tennis Federation (ITF), entidade responsável por algumas das competições mais prestigiadas do tênis mundial, como Roland Garros e US Open. No beach tennis, a chancela da federação garante pontuação válida para o ranking internacional, fator que ajuda a atrair atletas de elite.
Um dos organizadores, Felipe Ronconi, explica que a escolha por Marabá não foi por acaso. Segundo ele, a cidade reúne uma combinação importante entre comunidade esportiva consolidada, potencial turístico e capacidade de mobilização regional. “Marabá tem muita coisa para mostrar, não só para a região, mas para o Brasil e para o mundo. Trazer um evento internacional para cá também é uma forma de apresentar a cidade”, destaca.
Leia mais:Felipe, que organiza o evento ao lado de Luan Constantini e Diego Ávila, conta que o projeto Amazônia Open nasceu em Tucuruí há quatro anos e ganhou projeção rapidamente. O crescimento foi tão expressivo que o grupo passou a integrar o circuito oficial da ITF, feito considerado raro no cenário nacional. Segundo ele, o Brasil possui poucas etapas desse nível, o que torna ainda mais significativa a presença do Pará no calendário da modalidade. “Ter o Pará sediando uma etapa BT 400 é muito gratificante”, resume.
Atletas vindos de regiões mais frias precisaram lidar com uma mudança brusca de temperatura. Muitos saíram de cidades onde os termômetros marcavam entre 6°C e 10°C e desembarcaram em uma Marabá escaldante. Diante disso, a organização concentrou a programação no fim da tarde e início da noite, quando o calor se torna menos agressivo. A decisão não levou em conta apenas a performance esportiva, mas também o bem-estar dos profissionais envolvidos na operação do torneio.
A atleta profissional Vitória Marquezine sentiu essa diferença na pele. Natural do Paraná, ela conta que chegou a Marabá após deixar para trás temperaturas próximas dos 10 graus e precisou acelerar o processo de adaptação. “Eu estava no frio e cheguei aqui com muito calor, mas quem compete precisa se adaptar rápido. Faz parte da rotina do atleta”.
Apesar do desafio climático, Vitória vê a adaptação como parte natural da profissão. Para atletas de alto rendimento, saber ajustar o corpo e a estratégia ao ambiente é quase tão importante quanto o preparo técnico.
Ainda que a quadra seja o centro das atenções, o Amazônia Open também tem se consolidado como um espaço de encontro entre famílias, turistas e apaixonados pelo esporte. Nas arquibancadas, histórias pessoais ajudam a dimensionar o impacto que o beach tennis vem gerando no Brasil.
A empresária Natália Barros, de Maceió, é um exemplo disso. Ela passou a acompanhar o circuito por influência do filho, hoje com 15 anos, que iniciou no esporte há três anos. O que começou como incentivo familiar acabou se transformando em uma rotina de viagens pelo país e até pelo exterior. Natália conta que a família já acompanhou competições em diversos estados brasileiros e também em países como Portugal, Colômbia e Aruba, acompanhando o desenvolvimento do filho no circuito ITF.
Em Marabá, ela diz ter encontrado uma estrutura capaz de rivalizar com eventos já consolidados do calendário nacional. Além da competição em si, a visitante demonstrou curiosidade em conhecer melhor a cidade e sua cultura. “Vim com muita curiosidade e estou gostando muito. Quero conhecer a comida típica, ver o rio e viver essa experiência além do torneio”, relata.
Para além dos rankings, medalhas e premiações, o Amazônia Open reforça uma transformação silenciosa no cenário esportivo da Amazônia: a capacidade da região de sediar eventos de padrão internacional e atrair olhares de dentro e de fora do país.
Em meio ao calor extremo, à competitividade das quadras e à energia do público, Marabá mostra que pode ser mais do que espectadora do esporte de alto rendimento. A cidade se consolida, cada vez mais, como protagonista de grandes eventos e como vitrine da força esportiva da região Norte.
