📅 Publicado em 20/06/2026 20h21✏️ Atualizado em 20/06/2026 20h33
Um caso que ganhou enorme repercussão esta semana em Marabá, finalmente teve um final feliz. O garoto Gael Costa Rodrigues, de 5 anos, desaparecido desde o dia 4 de junho, vai voltar ao convívio da mãe. Já o pai, Edivaldo Rodrigues da Silva Junior, segue foragido e só aceitou devolver a criança, segundo a Polícia Civil, depois que soube da operação policial para cumprir mandado de prisão preventiva contra ele. As autoridades também entendem que o sequestro do menino foi motivado por pura vingança contra a mãe, sua ex-mulher.
O desfecho do caso ocorreu em circunstâncias que revelam tanto a determinação das autoridades quanto a covardia do pai foragido. A Polícia Civil havia montado uma operação para localizar Edivaldo em Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás, onde havia obtido a localização exata do suspeito.
A equipe policial, liderada pelo superintende de Polícia Civil do Sudeste do Pará, Antônio Mororó, está Guaraí, no Tocantins, em viagem à capital goiana para efetuar a captura. No entanto, ao tomar conhecimento do mandado de prisão preventiva expedido contra ele, Edivaldo optou por devolver o menino antes de ser alcançado pelos policiais.
Leia mais:A criança foi entregue ao advogado de Edivaldo, que a conduziu até a Superintendência de Polícia em Marabá. Gael será levado para a casa dos avós maternos. A mãe, Angra Costa Bonfim, que estava acompanhando a polícia na viagem a Goiás, deve retornar para reencontrar o filho após 15 dias de angústia.
O mandado de prisão
O Mandado de Prisão Preventiva foi expedido em 19 de junho de 2026 pelo juiz Alexandre Hiroshi Arakaki, da Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Marabá, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.
O documento determina a prisão de Edivaldo Rodrigues da Silva Junior. A tipificação penal enquadra o caso na Lei 11.340 (Lei Maria da Penha), artigo 24A, e na Lei 2.848, artigo 147B. A prisão foi decretada como garantia da ordem pública e para assegurar a execução das medidas protetivas de urgência já vigentes.
A versão da polícia
Em entrevista exclusiva ao Correio de Carajás, o delegado Antônio Mororó, superintendente de Polícia Civil, que acompanha pessoalmente a operação de busca, detalhou os bastidores do caso e a motivação que, na avaliação das autoridades, levou Edivaldo a subtrair o filho.
“A Polícia Civil, o Ministério Público e, penso que o Poder Judiciário também, na medida em que deferiu a representação pela prisão, entendem que ele subtraiu a criança como forma de violência contra a mulher. Já existia uma medida protetiva de urgência. Ele, tomando conhecimento de que a mãe estava em um novo relacionamento, fez isso para atingi-la. A gente entende que é uma forma de violência contra a mulher — ele estava violentando essa mulher psicologicamente, inclusive mandando áudios, fazendo condições, chantagem”, afirmou o delegado.
Mororó também revelou um detalhe que reforça a tese de que o pai agiu deliberadamente para dificultar as buscas: Edivaldo cortou o cabelo do menino logo após levá-lo, uma vez que o menino caracteristicamente usava cabelos grandes. “Ele leva a criança e corta o cabelo dela. No entendimento da Polícia Civil, ele cortou o cabelo para descaracterizar a criança e dificultar o encontrá-la”, explicou o superintendente.
Sobre a possibilidade de o suspeito estar sendo acobertado por familiares em Goiânia, o delegado foi cauteloso: “Existe a possibilidade de estarem acobertando, mas não tem como saber. Parece que tem vários parentes lá por Goiânia. Os irmãos que a equipe conseguiu contato disseram que não tiveram contato com ele, mas não sei se dá para confiar na informação.”
O foragido
Edivaldo Rodrigues da Silva Junior é considerado foragido da Justiça. Com o mandado de prisão preventiva em aberto e ciente de que as autoridades estão em seu encalço, ele optou por não se apresentar à polícia mesmo após devolver o filho. “A gente já sabe que tem o mandado de prisão e ele não vai se apresentar”, confirmou o delegado Mororó durante a operação.
O histórico do caso
O desaparecimento de Gael foi registrado em boletim de ocorrência pela mãe, Angra Costa Bonfim, após Edivaldo buscar o menino no dia 4 de junho, sob o pretexto de passar o fim de semana com a criança em uma chácara.
O menino deveria ter sido devolvido no dia 6 de junho, mas o pai simplesmente não retornou com ele. A família afirma que as tentativas de contato com Edivaldo não resultaram no retorno de Gael.
O caso é agravado pelo fato de que Angra já possuía medida protetiva de urgência concedida pela Justiça contra Edivaldo, no âmbito da Lei Maria da Penha, com restrições de contato e aproximação. Além disso, o menino deixou de frequentar as aulas durante o período em que permaneceu com o pai. O Conselho Tutelar do Núcleo Cidade Nova também acompanhou o caso.


