Correio de Carajás

Motorista denuncia que foi torturado por fiscais da Semma em Marabá

Carlos Linhares carrega no rosto as marcas da violência cometida pelos fiscais da Semma
Por: Chagas Filho

Um motorista profissional prestou depoimento à Polícia Civil, em Marabá, relatando ter sido agredido por agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) enquanto acompanhava o descarregamento de uma carga de carvão vegetal que havia sido apreendida por supostas inconsistências na documentação fiscal.

Segundo o depoimento registrado na 21ª Seccional Urbana de Marabá, o motorista Carlos Linhares da Silva afirmou que transportava uma carga de carvão vegetal de Tailândia para Marabá quando foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). A mercadoria teria sido apreendida devido a divergências na nota fiscal, sendo posteriormente encaminhada à sede da Semma.

De acordo com o relato, o responsável pela carga teria efetuado o pagamento de uma multa no valor de R$ 33 mil para regularizar a situação. Apesar disso, o motorista afirmou que o caminhão não foi liberado de imediato, permanecendo retida apenas a carga.

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Carlos declarou que recebeu a chave do veículo e foi orientado a providenciar a retirada do material por conta própria. Diante da situação, decidiu seguir até a empresa destinatária da mercadoria, onde iniciou o descarregamento.

Foi nesse momento, segundo o depoente, que servidores da Semma chegaram ao local. O motorista afirma que foi abordado, revistado e procuraram por uma arma de fogo. Em seguida, ele foi agredido fisicamente. “Eles apontaram várias lanternas no meu rosto e depois me deram várias coronhadas”, relatou à autoridade policial.

Ainda conforme o depoimento, após as supostas agressões, ele conseguiu fugir e correu para uma área de mata, deixando para trás seus pertences, incluindo o aparelho celular. O motorista afirma que permaneceu durante toda a noite e parte do dia seguinte na mata, sem orientação sobre como retornar, conseguindo pedir ajuda apenas na noite do dia seguinte, quando entrou em contato com um amigo.

Durante a oitiva, Carlos afirmou não possuir porte de arma e nunca ter manuseado uma arma de fogo. Também declarou que as irregularidades fiscais teriam sido corrigidas posteriormente por meio da emissão de uma nova nota fiscal.

O motorista acrescentou que, além das agressões que sofreu, permanece se sentindo ameaçado e relatou ter acreditado que poderia morrer durante a ocorrência.

O caso foi formalizado em termo de depoimento perante a Polícia Civil do Estado do Pará e poderá ser objeto de apuração pelas autoridades competentes para esclarecer as circunstâncias da apreensão da carga, da atuação dos agentes envolvidos e das denúncias apresentadas pelo motorista.

Outro lado

Até o momento, não há manifestação pública da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Marabá (Semma), ou dos agentes citados no depoimento. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e posicionamentos das partes mencionadas.

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