📅 Publicado em 19/06/2026 16h15
Familiares e amigos de Raimundo Rodrigues Matos, de 63 anos, morto em decorrência de um acidente de trânsito envolvendo um caminhão na Rodovia Transamazônica, em frente à Secretaria Municipal de Obras (Sevop), em Marabá, cobram respostas sobre as circunstâncias do caso.
Na quarta-feira (17), quando o fato ocorreu, João Gabriel Silva Santos foi detido por suspeita de omissão de socorro à vítima. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou o procedimento adotado para o caso.
O corpo de Raimindo está sendo velado nesta sexta-feira (19) na casa da família, no Bairro Quilômetro Sete, Núcleo Nova Marabá. No local, pairam a revolta e as dúvidas. “A gente está querendo justiça e que se esclareça como realmente tudo aconteceu porque, até o momento, não ficou bem claro como aconteceu”, afirma Lucilene de Melo Leite, enteada da vítima.
Leia mais:Conforme o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, uma testemunha acionou uma equipe de Polícia Militar por volta das 17 horas de quarta. Ao chegarem ao local, os militares encontraram Raimundo, que estava de motocicleta, caído na via. O homem estava consciente, mas com ferimentos graves e fraturas nos braços.
A dinâmica do acidente não foi informada no documento. Testemunhas acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, após os primeiros socorros na via, Raimundo foi encaminhado ao Hospital Municipal de Marabá. Ele não resistiu e morreu na casa de saúde.

CONDUTOR DETIDO
O boletim de ocorrência informa que o condutor do caminhão saiu do local sem prestar assistência à vítima. Ele foi localizado por policiais militares escondido nas dependências da Sevop. Ao ser abordado, justificou que saiu da rodovia por medo de sofrer represálias ou agressões de pessoas que presenciaram o acidente.
Aagentes do Departamento Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (DMTU) submeteram o motorista ao teste do bafômetro, que apresentou resultado negativo.
Devido à gravidade dos ferimentos do motociclista e aos indícios de que houve fuga do local sem a prestação de auxílio, João Gabriel foi conduzido à 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil.
Francislandio da Conceição Vieira, amigo de Raimundo, afirmou ao Correio de Carajás saber que o condutor do caminhão seria funcionário ou prestador de serviço da Secretaria de Obras, o que não foi confirmado, até o momento, pela Polícia Civil ou pela Prefeitura Municipal.
O amigo sustenta, ainda, que o suspeito não teria a habilitação necessária para conduzir o veículo pesado, o que também não foi confirmado por autoridades policiais ou de trânsito. “Não pode ficar impune. Queremos justiça, queremos que medidas sejam tomadas para que ele venha pagar pelo crime cometido e que os responsáveis possam arcar com os fatos”, declarou. Francislandio lamentou, ainda, a perda do amigo. “Nosso companheiro, pessoa excelente, responsável, prudente, o qual se foi de uma maneira covarde”.
Outra amiga, Graciele Moraes Mendonça, faz coro à revolta e diz esperar que o suspeito seja punido pelo acidente. “Que a justiça seja feita e que ele pague por ter fugido e não ter prestado socorro, por ter deixado Seu Raimundo na situação em que ele deixou”.
DEMORA NA LIBERAÇÃO
Outra reclamação dos familiares é sobre a demora na liberação do corpo da vítima pelo Instituto Médico Legal (IML). Segundo a enteada Lucilene, o órgão recebeu Raimundo por volta das 9 horas de quinta (18), mas ele foi liberado para a funerária apenas no final da manhã seguinte.
Graciele, que acompanhou os trâmites, afirmou considerar uma negligência o fato. “É uma falta de respeito, né? Com a família, com os entes queridos, eu acho uma falta de respeito muito grande. Com ele também, como pessoa, pra gente é uma negligência muito grande”, finalizou. (Colaboraram Luciana Araújo e Laura Guido)
