Correio de Carajás

DNIT e PRF intensificam ação educativa sobre restrição de carretas na ponte

Restrição de veículos pesados em horários de pico foi determinada em decisão da Justiça Federal

Caminhoneiros estão recebendo material informativo Imagens: Divulgação
Por: Da Redação

A fase de adaptação para os motoristas de veículos pesados que trafegam por Marabá está chegando ao fim. Nos últimos dois dias, equipes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) deflagraram uma operação educativa direcionada aos caminhoneiros para reforçar as regras de restrição de tráfego na ponte sobre o Rio Itacaiunas, localizada na rodovia BR-230. A ação ocorre a poucos dias do início da fiscalização punitiva, que passará a autuar os infratores a partir do dia 24 de junho.

A blitz educativa se concentrou em postos de combustíveis estratégicos e áreas de grande circulação de veículos de carga no município. Durante a abordagem, os agentes distribuíram materiais informativos, esclareceram dúvidas e alertaram os condutores sobre os horários em que a travessia está terminantemente proibida para veículos de grande porte, como carretas, bitrens e rodotrens.

As restrições, que entraram em vigor de forma educativa no último dia 9 de junho, determinam que esses veículos não podem circular pela ponte de segunda a sexta-feira em dois períodos críticos: das 7h às 9h e das 16h às 20h. Aos sábados, o bloqueio ocorre apenas no período da manhã, das 7h às 9h. Aos domingos e feriados, o tráfego permanece liberado em tempo integral. O objetivo imediato da medida é reduzir o peso sobre a estrutura comprometida e aliviar os severos congestionamentos que afetam a mobilidade urbana nos horários de pico.

Leia mais:

A fase de orientação aos motoristas, sem a aplicação de multas, segue até o próximo domingo, 23 de junho. A partir de segunda-feira (24), a Polícia Rodoviária Federal dará início à fiscalização ostensiva. Motoristas de veículos de carga que forem flagrados descumprindo os horários estabelecidos estarão sujeitos a autuações por infração de trânsito.

Cartazes informam sobre a restrição e horários em vigor

Decisão judicial

A operação deflagrada nesta terça-feira e a própria restrição de tráfego não são iniciativas espontâneas dos órgãos de trânsito, mas sim o cumprimento de uma determinação rigorosa da Justiça Federal. Em 18 de maio, o juiz Marcelo Honorato, da 1ª Vara da Subseção Judiciária de Marabá, acatou os pedidos formulados pelo Ministério Público Federal (MPF) em uma Ação Civil Pública movida contra o DNIT e a União.

A ação judicial escancarou um problema que há anos assombra a população local: a deterioração progressiva e os riscos estruturais iminentes das pontes sobre o Rio Itacaiunas. A travessia é a principal artéria de ligação entre os núcleos Cidade Nova, Nova Marabá e Marabá Pioneira, impactando diretamente o cotidiano de aproximadamente 300 mil habitantes e o escoamento de riquezas do sudeste do Pará.

A decisão do magistrado estabeleceu prazos estritos. O DNIT teve 15 dias iniciais para instalar toda a sinalização horizontal e vertical necessária nas cabeceiras das pontes e ao longo da rodovia, além de criar rotas alternativas. Vencido esse prazo, iniciou-se o período de 15 dias de ações educativas — fase que se encerra na próxima semana —, culminando, por fim, na aplicação das penalidades legais pela PRF.

A restrição de tráfego é apenas uma medida paliativa para um problema de infraestrutura monumental. Na mesma decisão judicial de maio, o juiz federal exigiu que o DNIT apresentasse, em até 30 dias, um cronograma objetivo e técnico detalhando a solução definitiva para as pontes: a recuperação estrutural profunda ou a demolição e reconstrução das travessias.

O cenário projetado pelo próprio órgão federal é preocupante. O DNIT informou à Justiça que a solução definitiva exigirá cerca de 51 meses — quase quatro anos e meio — somando as fases burocráticas de licitação, elaboração de projeto e execução das obras. O juiz Marcelo Honorato alertou que esse prazo pode se estender ainda mais, citando levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) que demonstram o histórico de atrasos em obras do DNIT, que chegam a triplicar o tempo inicialmente previsto.

O impacto mais severo, no entanto, ainda está por vir. Durante a execução das futuras obras, que podem se arrastar por três anos, apenas uma das duas pontes deverá permanecer em funcionamento, operando em sistema de pare e siga. Para uma cidade dividida por rios e que depende visceralmente dessa travessia, a perspectiva é de um estrangulamento prolongado da mobilidade urbana.

Até que as obras definitivas saiam do papel, as restrições de horários que passam a gerar multas na próxima semana são a única barreira de proteção para prolongar a vida útil da estrutura e garantir o mínimo de fluidez para os veículos de passeio, transporte público e ambulâncias que cruzam o Rio Itacaiunas todos os dias.

CLOSE
CLOSE