Correio de Carajás

Marabá ganha hoje livro que conecta passado e presente das castanheiras

“Castanheiras do Asfalto” convida o público para uma experiência que promete ativar os cinco sentidos durante cerimônia de lançamento

No Núcleo São Félix, quatro castanheiras são testemunhas das transformações que a cidade vem passando Foto: Jordão Nunes
✏️ Atualizado em 16/06/2026 11h00

As castanheiras que resistem em meio ao concreto, aos loteamentos, condomínios e ao crescimento urbano de Marabá ganharam um registro inédito. O livro Castanheiras do Asfalto, lançado pela Banzeiro Comunicação e assinado pelo jornalista e escritor Ulisses Pompeu, será lançado hoje, terça-feira (16), às 17 horas, em um local carregado de simbolismo: ao lado de uma castanheira, na sede da Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri).

Mais do que um inventário de árvores espalhadas pela cidade, a obra propõe uma viagem pela história econômica, social e ambiental de Marabá, mostrando como a castanha-do-pará sustentou gerações, impulsionou o crescimento da cidade e moldou a ocupação do território ao longo do século XX.

O livro nasceu a partir de um levantamento iniciado em 2016 para identificar e catalogar as castanheiras existentes na área urbana do município. Na época, foram registradas 128 árvores. Atualmente, restam apenas 114, evidenciando a perda gradual de um dos principais símbolos da cidade.

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Na apresentação da obra, Ulisses Pompeu destaca que cada castanheira desaparecida representa mais do que uma árvore derrubada. “Cada número que diminui não representa apenas uma árvore a menos, mas um pedaço da identidade da cidade que se perde”, escreve o autor.

Ao longo de 124 páginas ilustradas, Castanheiras do Asfalto mostra como a castanha-do-pará se transformou no principal motor econômico de Marabá entre as décadas de 1920 e 1970. O livro aborda o surgimento dos castanhais, as disputas por terras, o poder das oligarquias da castanha, a vida dos trabalhadores da floresta e as mudanças provocadas pela expansão da pecuária, da exploração madeireira e pela chegada da mineração.

A obra também apresenta curiosidades históricas, documentos, fotografias e relatos que ajudam a compreender a importância da castanha para a formação de Marabá. Durante décadas, a economia da cidade girou em torno da amêndoa exportada para diferentes mercados, influenciando o surgimento de bairros, o crescimento do comércio e a chegada de milhares de trabalhadores à região.

VÁRIAS CONEXÕES

Além do resgate histórico, o livro percorre diversos bairros e núcleos urbanos da atualidade para contar a trajetória das castanheiras que ainda permanecem de pé. Algumas estão em áreas residenciais, outras sobrevivem próximas a escolas, clubes, instituições públicas, condomínios e rodovias, funcionando como testemunhas silenciosas da transformação da cidade.

A publicação mostra que muitas dessas árvores são centenárias e já existiam antes mesmo da chegada de Francisco Coelho à região. Em diversos casos, elas resistem cercadas por ruas, construções e empreendimentos imobiliários, mantendo viva a memória de uma época em que a floresta dominava a paisagem local.

No lançamento da pedra fundamental da Maçonaria, na década de 1970, uma castanheira ainda fazia parte da paisagem da Nova Marabá  Arquivo: Bosco Jadão

EDUCAÇÃO E PRESERVAÇÃO

Pensado especialmente para estudantes do ensino fundamental e médio, o livro busca aproximar as novas gerações da história da cidade e despertar a reflexão sobre a importância da preservação ambiental. Exemplares da obra serão entregues às escolas públicas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de Marabá.

A publicação também reforça que a castanheira não é apenas uma espécie da floresta amazônica, mas um símbolo oficial de Marabá, presente no brasão do município e diretamente ligado à construção de sua identidade histórica e cultural.
Ulisses Pompeu destaca que as castanheiras catalogadas receberam localização por coordenadas geográficas e que o livro traz um QR Code que permite ao leitor acessar, na palma da mão, o mapa com a localização das árvores registradas ao longo do projeto.

EVENTO SENSORIAL
Pompeu antecipa que as pessoas que participarem do lançamento terão os cinco sentidos aguçados: visão, audição, tato, olfato e paladar. Alguns deles virão diretamente da floresta. “Não posso adiantar de que forma os convidados terão uma experiência imersiva, mas certamente aqueles que participarem terão o privilégio de ativar os cinco sentidos durante esse evento”, afirma.

O jornalista acrescenta que, além do lançamento oficial, outros eventos já estão previstos em escolas e universidades, incluindo ações na UEPA, em Marabá, onde há cursos ligados ao meio ambiente, como Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal.  “Esse livro foi escrito por mim, mas houve a contribuição de diversas pessoas, entre professores da Unifesspa, fotógrafos Jordão Nunes, Breno Pompeu e também entidades, como o Conselho Municipal de Meio Ambiente”, compartilha Ulisses Pompeu.

Ao unir pesquisa, memória, fotografia e educação ambiental, Castanheiras do Asfalto convida o leitor a olhar para além do concreto e reconhecer nas árvores remanescentes uma parte viva da história marabaense.

O livro Castanheiras do Asfalto recebe é uma produção da Banzeiro Comunicação com patrocínio da Vale, Mirante Empreendimentos, Grupo Correio de Comunicação, além do apoio institucional do Ministério Público do Pará, Fundação Zoobotânica de Marabá, Câmara Municipal de Marabá, Instituto de Artes Vitória Barros e Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri).

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Serviço
Lançamento do livro “Castanheiras do Asfalto”
Data: 16 de junho de 2026
Horário: 17 horas
Local: Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri)
Entrada: Gratuita

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