Foi preso, ainda na manhã desta segunda-feira (15), o homem apontado como o autor do duplo homicídio que vitimou a diretora de creche Katiana Lopes da Silva, de 40 anos, e seu marido, o ex-professor Valfrenydson Alves da Silva, de 52 anos. O suspeito, identificado como José Jacinto da Silva, de 31 anos, foi interceptado e preso por uma operação conjunta das polícias Civil e Militar no município de Sapucaia, localizado a cerca de 63 quilômetros de distância do local da execução, em Canaã dos Carajás.
A prisão ocorreu poucas horas após o crime bárbaro que chocou a população de Canaã dos Carajás. De acordo com os registros policiais, após executar o casal a tiros em via pública, José Jacinto empreendeu fuga conduzindo um veículo Honda CR-V de cor branca.
O trajeto escolhido pelo atirador foi a rodovia federal BR-155. As autoridades policiais de Canaã dos Carajás rapidamente emitiram o alerta para as cidades vizinhas, detalhando as características do veículo e do principal suspeito.
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A prisão
Por volta das 9h55 da manhã, guarnições da Polícia Militar e agentes da Polícia Civil da cidade de Sapucaia avistaram o Honda CR-V transitando pela rodovia, no trecho entre o perímetro urbano e a Vila Água Fria. Imediatamente foi iniciado um acompanhamento tático que culminou na abordagem do veículo e na consequente prisão em flagrante de José Jacinto da Silva.
O homem não ofereceu resistência no momento da captura e foi encaminhado à delegacia local, onde permanece preso e à disposição do Poder Judiciário. A rápida comunicação entre os destacamentos das duas cidades, separadas por pouco mais de 60 quilômetros, foi fundamental para o êxito da operação.
A motivação do crime
As circunstâncias que levaram ao duplo homicídio começam a ser esclarecidas pelos investigadores da Polícia Civil, com base nos depoimentos colhidos ainda na cena do crime. Segundo informações preliminares constantes no Boletim de Ocorrência, a tragédia teve origem em uma cobrança de dívida.
O próprio autor dos disparos, José Jacinto, teria acionado a Polícia Militar por telefone momentos antes do desfecho fatal. Na ligação, ele se identificou como proprietário do Lava Jato Diamante, estabelecimento comercial situado na Avenida Agenor Gonçalves de Paiva, no bairro Monte Castelo, e alegou que um casal estava em seu local de trabalho proferindo ameaças contra ele e sua família.
Quando a guarnição da Polícia Militar chegou ao endereço indicado para averiguar a denúncia de ameaça, o cenário já era de extrema violência. Os policiais encontraram os corpos de Katiana e Valfrenydson caídos ao chão, ao lado de um veículo que apresentava vidros estilhaçados, ambos com perfurações causadas por disparos de arma de fogo.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi imediatamente acionado, mas os socorristas apenas puderam constatar o óbito das vítimas no local, por volta das 8h10 da manhã.A versão apresentada por Edivânia da Conceição do Nascimento, esposa do acusado e testemunha ocular do crime, aponta para um desentendimento financeiro. Em relato aos policiais, Edivânia confirmou que Katiana e Valfrenydson teriam ido ao lava-jato para cobrar uma dívida contraída por José Jacinto.
Segundo a testemunha, os ânimos se exaltaram e o casal de educadores teria agredido fisicamente o seu marido. Diante da suposta agressão, José Jacinto teria sacado uma arma de fogo, efetuado os disparos fatais contra as vítimas e, em seguida, fugido do local no veículo Honda CR-V branco.
O drama de uma criança
Um dos aspectos mais cruéis e comoventes do duplo homicídio foi a presença do filho do casal na cena do crime. O menino, de apenas seis anos de idade, presenciou o assassinato brutal dos próprios pais. A criança permaneceu no local, ao lado dos corpos de Katiana e Valfrenydson, até a chegada das equipes da Polícia Militar.Diante da gravidade da situação e do estado de vulnerabilidade do menor, o Conselho Tutelar de Canaã dos Carajás foi imediatamente acionado pelas autoridades policiais.
A conselheira tutelar Delvai Alves da Silva compareceu à Avenida Agenor Gonçalves de Paiva e assumiu a responsabilidade pelo acolhimento da criança, retirando-a do local do crime para prestar o suporte psicológico e assistencial necessário neste momento de extremo trauma.
Comoção na comunidade escolar
A morte violenta de Katiana Lopes da Silva e Valfrenydson Alves da Silva causou forte comoção e indignação entre os moradores de Canaã dos Carajás, especialmente na comunidade escolar.
Ambos eram figuras muito conhecidas e respeitadas na área da educação pública do município. Katiana era servidora pública efetiva e exercia o cargo de diretora do Núcleo de Educação Infantil (NEI) Irani Vieira da Silva. Seu marido, Valdo, como era mais conhecido, também possuía um histórico de dedicação ao ensino, tendo atuado como professor na rede municipal.A trajetória do casal, marcada pelo compromisso com a educação de crianças e jovens, contrasta dolorosamente com o desfecho trágico de suas vidas. Familiares, amigos, colegas de trabalho e pais de alunos manifestaram profundo pesar nas redes sociais e cobraram que a Justiça seja feita.
O crime brutal na Avenida Agenor Gonçalves de Paiva, ocorrido nas proximidades da rotatória atrás do Hospital Municipal 5 de Outubro — uma área de grande circulação —, escancara a violência que interrompeu abruptamente a vida de dois educadores.
A Polícia Civil, através da delegacia de Canaã dos Carajás, segue com as investigações. A área do crime foi isolada para o trabalho minucioso da perícia criminal, que busca coletar evidências balísticas e outros elementos que reforcem o inquérito. O depoimento formal de José Jacinto da Silva, agora detido em Sapucaia, será peça-chave para o esclarecimento definitivo da dinâmica do duplo homicídio.
