📅 Publicado em 08/06/2026 15h29✏️ Atualizado em 08/06/2026 15h57
Uma semana após o Correio de Carajás divulgar o apelo da ONG Focinhos Carentes, em Marabá, a realidade no abrigo já é diferente. A campanha mobilizou a população e resultou na maior arrecadação já registrada pela instituição em seus 12 anos de atuação. Apesar do alívio momentâneo, a situação financeira ainda está longe de ser considerada estável. A reportagem visitou a sede da ONG, no bairro Jardim União, núcleo Cidade Nova, para acompanhar o trabalho realizado com os cerca de 150 animais atualmente assistidos.
Entre cães e gatos, muitos são idosos, possuem doenças crônicas ou carregam sequelas de abandono, maus-tratos e atropelamentos.
Segundo a presidente da instituição, Fátima Zuniga, o momento de maior preocupação ocorreu após o encerramento dos recursos provenientes de emendas parlamentares e repasses municipais que ajudavam a custear as despesas do abrigo ao longo dos últimos meses. Ela explica que esses valores tinham duração limitada e eram responsáveis pelo pagamento de despesas essenciais, como consultas veterinárias, medicamentos, material de limpeza, areia higiênica e ração do abrigo. Com o encerramento dos repasses, a ONG ficou sem sua principal fonte de receita.
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A situação se agravou quando a entidade não conseguiu realizar um cadastro exigido para a continuidade do recebimento das emendas e conforme a voluntária Fabiane Silene, a exigência era voltada especificamente para a área de saúde animal, categoria que ainda não possui regulamentação adequada no município. “Procuramos alternativas, buscamos orientações e tentamos encontrar uma forma de realizar o cadastro dentro do prazo, mas não conseguimos. Quando percebemos, o período para cadastramento já havia encerrado e não houve mais como reverter a situação”, lamenta.

Capacidade limitada
Segundo Fátima, a falta de recursos também impactou diretamente o acolhimento de novos animais, ao admitir que, em alguns momentos, foi necessário restringir os resgates. “Cada novo animal (resgatado) significa mais gastos com alimentação, medicamentos e atendimento veterinário e além disso, temos limitações físicas. Embora o terreno seja grande, a capacidade dos canis é limitada e nem sempre os animais já acolhidos aceitam novos companheiros no mesmo espaço”, explica.
Atualmente, a instituição atende animais em situações consideradas graves ou urgentes. Segundo Fabiane, os casos mais comuns envolvem abandono, atropelamentos e maus-tratos.
“Precisamos fazer uma triagem muito criteriosa. Se acolhermos além da nossa capacidade, não conseguiremos garantir o bem-estar dos animais que já estão aqui. Muitos deles exigem cuidados permanentes e acompanhamento constante”. Ela também destaca que parte dos animais nunca encontrará um novo lar, que alguns vivem há mais de uma década no abrigo e dependem de medicação contínua ou tratamentos especiais.

“Temos cães idosos, animais paraplégicos e outros que passaram por traumas tão severos que não conseguem se adaptar facilmente a novos ambientes. São histórias que exigem dedicação diária e muita responsabilidade”, acrescenta.
A INSTITUIÇÃO
Fundada há 12 anos, a Focinhos Carentes surgiu da união de protetores independentes que buscavam oferecer uma resposta mais efetiva ao problema dos animais em situação de rua em Marabá e desde então, centenas de resgates foram realizados. Fátima cita como exemplo uma cadela encontrada próximo ao abrigo com graves ferimentos tomados por larvas.
“Era um caso que muita gente consideraria sem solução, hoje ela está saudável e recuperada. São histórias assim que mostram a importância do nosso trabalho”, destaca. Além do acolhimento e tratamento veterinário, a ONG realiza campanhas de adoção responsável e castração. Todos os animais adotados passam por acompanhamento, e a esterilização é obrigatória.
Fabiane, que começou como voluntária em 2017, afirma que o impacto do trabalho vai além dos muros do abrigo. “Muitas vezes as pessoas não percebem, mas esse trabalho beneficia toda a cidade. Resgatamos animais em situações extremas, reduzimos a população de animais abandonados por meio da castração e oferecemos uma alternativa para casos que dificilmente teriam outro destino”.

Como ajudar
Apesar do aumento nas doações, a ONG continua precisando de apoio financeiro e de voluntários. A população pode contribuir com ração, medicamentos, materiais de limpeza, toalhas, lençóis e outros itens utilizados na rotina do abrigo. Também é possível ajudar participando de mutirões, eventos beneficentes, bazares e campanhas de divulgação nas redes sociais.
Mesmo após o alívio proporcionado pela corrente de solidariedade, a ONG segue enfrentando desafios diários para garantir alimentação, cuidados veterinários e qualidade de vida aos animais que dependem exclusivamente do abrigo.
“Agora não dá mais para desistir” – resume Fátima – “eles precisam de nós, e nós precisamos da ajuda da comunidade para continuar”.


